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LOJA DC 4

Flavia Gasi uma das principais gamers do Brasil  e colunista do IGN Brasil e anteriormente do Omelete da uma entrevista exclusiva ao CDL. 

CDL: Flavia sabemos que o comportamento da sociedade em relação aos Nerds mudou, antes os estranhos e esquisitos, agora  tomaram um papel de destaque na sociedade de hoje, como você enxerga isso? Isso é ruim tendo em vista que o nerd pode perder sua verdadeira identidade?

Flavia: Identidade é, por si, um conceito itinerante. Quer dizer, o que é considerado “um cidadão responsável” hoje não necessariamente é a mesma coisa que na Grécia Antiga, ou mesmo a China atual. O “nerd” pra mim talvez nem tenha o mesmo sentido que tem pra você. Vamos definir… pra mim, nerd é a pessoa fissurada por quadrinhos, games, um certo tipo de literatura e cinema que sofreu bullying na escola, e que joga RPG de mesa.

Sinceramente, não acho que meu comportamento mudou tanto assim, continuo aquela menina “esquisita”, só que encontrei minha turma, e não acho que ser esquisita é tão ruim assim. Acho que existem variações do tema nerd, como geek ou dork (que são definições que já existiam nos Estados Unidos, por exemplo). O que realmente mudou é que a criança de ontem hoje tem dinheiro, e daí ela pode comprar aquilo que ama, então o mercado passou a se focar mais nos tais nerds. Além disso, agora eles são líderes no mercado de trabalho, são mais estagiários. Por consequência, temos obviamente uma alteração de todo um panorama, e nisso eu concordo contigo. A mudança já é grande e deve aumentar ainda mais. Porém, acredito que a tradução do conceito de “nerd” também será alterada, como é de costume.

Quando isso acontecer, porém, a minha definição de nerd não mudará, o que fará de mim uma tiazona antiquada.

CDL: Como você enxerga o papel da mulher no universo dos games hoje? Tendo em vista que o antigamente isso era um espaço dominado por homens.

Flavia: Acredito que há algum espaço, onde antes não havia nenhum, e há bons exemplos de personagens femininas. Duas questões ainda devem ser tratadas: a primeira é o bullying que mulheres sofrem tanto em jogos online, quanto no mercado de trabalho. E a segunda é o próprio mercado, já que as mulheres representam somente 10% dos trabalhadores da área. Como criar um game inclusivo em um estúdio não inclusivo?

CDL: Qual foi o melhor game que você já jogou na vida, em relação a tudo, gráficos, jogabilidade…?

Flavia: Não sei dizer isso, depende. Certos jogos têm gráficos risórios hoje em dia, mas eram incríveis na época. O que posso dizer é que o conceito que realmente importa para mim na hora de escolher “os melhores games deste e de outros universos” é a imersão. Ou seja, quais jogos realmente me transportaram para outros mundos – note que este é um conceito muito abrangente que toca tanto nas questões técnicas, como aquele famoso je ne sais quoi.

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CDL: A maior decepção dos últimos anos na linha de games?

Flavia: Aliens: Colonial Marines

CDL: Pergunta de Fanboy, Quando você vai fazer uma resenha de um jogo, através de uma maratona, qual é o nível que você joga, hard, normal, easy… ?

Flavia: Depende do jogo, geralmente jogo no normal (modo que é recomendado para todo o tipo de jogador) e faço testes em todas as outras para verificar desafio. Quando você vai fazer análise de um game, é menos sobre suas habilidades, e mais sobre o próprio jogo.

CDL: O que um jogo precisa ter para sair perfeito para o publico?

Flavia: Mais do que ter refinamento nas suas parcelas técnicas, deve saber dialogar com o seu público.

CDL: Pra você filmes e games podem andar muito bem juntos? Como está acontecendo com as HQs?

Flavia: Sim, só precisamos saber que adaptação não significa o game completo na tela, da mesma forma que as empresas precisam entender que adaptar não significa distorcer completamente o jogo.

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