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Crítica | La Casa de Papel – Uma trama de tirar o fôlego

Cecilia Mouta

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LOJA DC 4

Logo no primeiro episódio, “tudo acontece”. E eu digo entre aspas porque o espectador não espera o que está por vir nos próximos doze episódios. O enredo de La Casa de Papel parece simples, um grupo de pessoas que assalta a casa de Moeda da Espanha. Entrar, pegar o dinheiro e sair. É aí que nos enganamos quando pensamos que o plano seria tão simples assim.

O professor, como é chamado o grande líder que armou todo o plano, arruma seu grupo de assaltantes que se nomeiam, cada um, com um nome de uma cidade: Tokyo (Úrsula Corberó), Rio (Miguel Herrán), Berlim (Pedro Alonso), Nairobi (Alba Flores), Moscou (Paco Tous), Denver (Jaime Lorente), Helsinque (Darko Peric) e Oslo (Roberto García).

Para começar, a série se utiliza de um recurso que é muito criticado no mundo cinematográfico, mas que eu particularmente amo que é a Voice Over, ou seja, uma narração. E a narração é feita pela personagem principal, a Tokyo.

Após a entrada dos assaltantes na Casa da Moeda no final do primeiro episódio, vestidos de macacão vermelho e máscaras do Dalí, nós acompanhamos o desenrolar do plano. E que plano! Admito que fiquei me perguntando o que estaria por vir se, o que até então parecia ser o ponto alto, já havia acontecido. O que posso dizer é que a estrutura que montaram o roteiro foi genial. Um verdadeiro jogo de xadrez, como os próprios personagens, às vezes, falam ao fazer referência ao plano. O uso de flashbakcs em nada é cansativo e torna-se uma peça chave para evidenciar o brilhantismo do plano arquitetado pelo professor. E, muitas vezes, nas cenas em que alguma parte do plano é realizada, a trilha sonora de músicas clássicas potencializa essa sensação e mostra ainda mais como aquilo tudo é mais que um plano, é uma grande obra de arte. Além desse aspecto engrandecedor e revelador, os flashbacks também nos ajudam a ter empatia pelos assaltantes e, quando percebemos, já estamos torcendo para que o plano dê certo e eles saiam do banco milionários e livres.

As atuações no geral são muito boas, mas para mim os destaques vão para Pedro Alonso (Berlim) e Itziar Ituño (Detetive Raquel). São de tirar o fôlego!

Em vários momentos a série usou muito bem a linguagem audiovisual, planos que favoreciam e incentivavam o espectador a especular a trama, alguns planos sequências nas cenas de ação, alguns gestos simbólicos nos personagens como o fato da detetive sempre prender o cabelo quando falava com o professor, como se ali assumisse uma outra pessoa, mas no final isso muda à medida que ela muda.

Eu só tenho duas críticas a fazer à série. A primeira são os diálogos que achei fracos. Muitas vezes prolixos, desnecessários e explicativos demais. O segundo é que o enredo foi tornando o plano e professor em algo tão extraordinário que, chegando ao final, eu já esperava por tudo, então os suspenses criados não surtiram efeito. A trama se tornou um pouco previsível.

Mas o final, completamente aberto, com certeza é um excelente gancho para a segunda temporada. Eu, com certeza, estou ansiosa para assistir os próximos episódios e saber se todas as minhas teorias estão corretas.

La Casa de Papel está disponível na Netflix, então prepara a pipoca e o coração. Depois é só apertar o play.

8.2

Direção

9.0/10

Roteiro

7.0/10

Fotografia

8.0/10

Trilha Sonora

9.0/10

Atuação

8.0/10

Pros

  • Estrutura da trama

Cons

  • Diálogos
LOJA DC 4

Escritora (autora de dois livros: É Inverno e O Colecionador de Borboletas), estudante de cinema e musicista nas horas vagas. Viciada em livros, séries e filmes.

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