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Crítica: Yakuza 0, um GTA da máfia japonesa

No inicio do ano foi lançado pela SEGA para o Playstation 4 mais um jogo da saga em mundo aberto de muito sucesso no Japão,  Yakuza 0. O jogo como o nome diz se passa anos antes dos acontecimentos do primeiro jogo da saga lançado ainda no Playstation 2, de lá para cá tivemos o Yakuza 2 também para o segundo console da Sony, em seguida tivemos os Yakuza 3, 4 e 5 (esse último apenas em formato digital no ocidente), além do spin-off Yakuza: Dead Souls, com a cidade repleta de zumbis, todos esses para o Playstation 3.

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Agora na nova geração temos o Yakuza 0 como primeiro lançamento no Ocidente, que será seguido pelo remake do primeiro título da franquia em meados de agosto desse ano e o vindouro Yakuza 6 no inicio do ano que vem. Ainda existem títulos exclusivos da terra do sol nascente como o Yakuza Kenzan. O título chamado: Ryū ga Gotoku no país de origem é um dos jogos mais populares do Japão, porém faz muito pouco sucesso no Ocidente, de forma totalmente injusta. O título de GTA da máfia japonesa se aplica totalmente ao jogo, já que diferentemente de um Sleeping Dogs (outro jogo passado no oriente, nesse caso na China, você é um policial infiltrado, já no Yakuza você é literalmente da máfia japonesa).

Porém existem muitas diferenças, primeiramente não existem carros em Yakuza, tirando alguns táxis que funcionam como fast travel, tudo o que você faz no jogo é feito a pé, depois se usa muito pouco armas, principalmente as de fogo, elas até existem, no Yakuza 0 inclusive tem fase com tiroteio emocionante, mas sem dúvidas o foco do jogo são as artes márcias, você tem diversos encontros aleatórios com alguns inimigos menores, sejam membros da máfia, delinquentes de rua, membros de gangues, lutadores de artes márcias em busca de aprimoramento, porém a gigante maioria dessas lutas com o tempo passa a ser cansativa, já que você é muito mais forte que eles, porém ainda assim tem que lutar, levando um tempo considerável, de um a três minutos, pode parecer pouco, mas essas lutas são razoavelmente frequentes, de qualquer forma existem formas de evitar lutas desnecessárias no decorrer do título de ps4, ajudando muito a manter o jogo mais fluído.

Os gráficos de Yakuza 0 são excepcionais, a Sega sempre trabalhou bem os gráficos dessa saga, existem umas quedas de frps, além de uns pequenos bugs, porém é algo ínfimo, outro ponto a se citar, o jogo é totalmente falado em japonês, com legendas em inglês, sem opção de português, logo para um bom entendimento da trama é extremamente necessário um bom nível em uma das línguas, as tramas de Yakuza são sempre repletas de reviravoltas, algumas sim previsíveis, porém ainda assim extremamente bem elaboradas, os personagens são algo a parte, em todos os jogos da saga temos o personagem de Kazuma Kiryu como uma peça chave, foi protagonista solitário do primeiro ao terceiro, porém a partir do quarto dividiu o posto de protagonista com outros personagens igualmente bem trabalhados, nesse não é diferente, temos além do Kiryu, o personagem de Goro Majima como jogável, conhecido de quem é fã da série, nesse jogo temos o conhecimento de seu passado. Não somente os personagens jogáveis são cativantes, mas todo elenco de NPC’s tem uma história e background muito bem trabalhados fazendo o jogador se importar com eles.

Uma coisa que chama muito a atenção no título é o número de coisas para se fazer, além das missões principais, o Yakuza 0 se passa nos anos 80, logo todo visual e gameplay é daquela década, dito isso, podemos jogar sinuca, boliche, rebater bolas de beisebol, jogar dardos, jogar jogos de tabuleiro típicos do Japão como Mahjong e Shogi, você pode apostar em dados, roleta, 21, pôquer, cabarat, além de jogar fliperama, nesse caso clássicos da Sega da época como Super Hang-On, Fantasy Zone, Out Run, você também pode pegar bichos de pelúcia em UFO Catcher, aquelas máquinas com garra para pegar prêmios, fora treinar artes márcias com vários mestres, cantar no karaokê, dançar numa pista de dança, entre outras coisas, pode inclusive namorar, falar em tele sexo, ver vídeos de garotas de biquíni, (nesse caso são mulheres reais gravadas em vídeo) além de trabalhar em um emprego normal, fora da máfia. Ou seja, é uma infinidade de coisas para se fazer se quiser aproveitar tudo é jogo para mais de 50 horas.

A trilha é competente e envolvente, mas tem alguns problemas o jogo, para quem nunca jogou pode ter dificuldade em se adaptar ao estilo, principalmente em ler rápido no idioma inglês, o sistema de combate pode ser cansativo no inicio já que para liberar mais golpes, tanto em quantidade quanto força é preciso certo empenho, logo no inicio você ficará por um bom tempo usando o mesmo combo. O fato de você poder iniciar uma sub-história sem perceber pode atrapalhar jogadores novos também, já que muitas vezes basta para e olhar para um NPC para começar mais uma quest, isso quando você quer só achar um save e desligar pode ser chato, outro ponto seria exatamente esse, o jogo não possui save automático, você precisa salvar sempre, durante as mais de 50 horas de jogo que tive somente uma vez o jogo travou comigo, mas perdi um capítulo todo nisso, logo pode ser frustrante, recomendo salvar com regularidade.

RESUMO: Yakuza 0 mantém o padrão da franquia, entrega um jogo com ótimos gráficos, história bem elaborada, personagens cativantes, por ser o título que antecede o primeiro não necessita de conhecimento ou necessidade de jogar outros títulos da franquia, sendo uma ótima porta de entrada, a saga tem uma baixa procura no ocidente, fazendo com que os títulos tenham uma tiragem baixa, que quando esgotada os transforma em itens de colecionador, sendo muito difíceis de achar e quando o fizer por preços acima do padrão. É uma franquia com foco no público japonês se dúvida, mas se você se interessa pelo país, por uma boa trama, artes marciais esse título é ideal para você.

Gráficos- 9

Jogabilidade- 8

Enredo- 8

Replay- 9

Som- 8

Escritor, poeta, jornalista, publicou o livro "Do outro lado" aos 21 anos, hoje pensa em lançar mais livros enquanto joga games, assiste filmes e pede uma pizza

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