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Deuses do Egito – A falta de diversidade não atrapalha a história, porém chega a incomodar

Edi

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LOJA DC 4

Ontem o CDL foi convidado para assistir Deuses do Egito, e infelizmente o filme vai carregar o estigma da falta de diversidade.

Bek (Brenton Thwaites) é um mortal (ladrão) que vive em um Egito ancestral dominado por deuses e forças ocultas. Quando o impiedoso Set (Gerard Butler), deus da escuridão, toma o trono da nação e mergulha a sociedade no caos, o jovem se une a outros cidadãos e ao poderoso deus Hórus (Nikolaj Coster-Waldau) para formar uma expressiva resistência.

Essa é quase a sinopse oficial do filme, porém devemos entender que existem inúmeros personagens importantes não listados aqui, que vamos falar ao longo desta crítica. O filme se passa em um Egito totalmente ancestral (assim como os filmes da Grécia antiga de Hércules) e aborda várias coisas interessantes como, por exemplo, a religiosidade que se ministrava no Egito antigo através de bens que você deveria acumular para garantir sua entrada na vida eterna; caso não tivesse bens materiais, sua condenação seria o inferno (pelo menos seria uma morte eterna), na crença, os imortais sangram puro ouro.

Set rouba o trono que seria por direito de Hórus e acaba iniciando uma guerra contra todos os deuses que se rebelam contra ele e seus aliados, matando grande parte deles. Agora um Egito próspero se vê totalmente perdido e sem rumo, o que gera fome e miséria. Passado um tempo Bek, juntamente com a sua amada Zaya (Courtney Eaton), vão em busca do deus Hórus (agora banido do seu reino) para tentar salvar o Egito e o mundo da destruição promovida pelo tirano e ambicioso Set.

Ao longo do filme vemos um show de efeitos especiais e muito CGI (o filme não poderia ser diferente, ainda mais se tratando de mitologia) com ótimas cenas de ação e algumas alegorias muito pertinentes (o filme traz o conceito da terra plana, mas é meio obvio e ao mesmo tempo lindo, tendo em vista que na época se acreditava neste conceito). A atuação de Gerard Butler é impecável como Set (não sei vocês, mas ele tem cara, só cara de arrogante mesmo e isso cabe bem ao personagem) que mata o irmão Osíris e rouba o trono que seria do seu sobrinho. Mesma coisa a Hórus, interpretado pelo ator dinamarquês Nikolaj Coster-Waldau, sobrinho de Set; sua atuação não foi a melhor do filme, mas ao longo do tempo, vemos o desenvolvimento do personagem e acabamos até gostando dele no fim.

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Zaya, interpretada por Courtney Eaton, transmite a pureza exata de sua personagem, sendo a responsável pela fé que move Bek, o personagem principal do filme interpretado por Brenton Thwaites; porém deixa um pouco a desejar, ele é simpático como personagem deve ser, mas se percebe uma falta de tato um pouco delirante; vale ressaltar que o jovem ator (que inclusive tem a minha idade) já trabalhou em filmes como O Doador de Memórias, vem tendo atuações cada vez mais plausíveis e sinceras ao longo dos seus projetos. Geoffrey Rush (sim ele está no filme) está magistral como o poderoso deus Rá.

Falta diversidade no filme?

Sabemos que o Egito é uma nação africana, e que nada seria mais plausível que tivesse atores negros no filme (muitos aliás). Em alguns momentos vemos alguns negros (gatos pingados) entre o povo (como batendo tambor) e também em cargos importantes, por exemplo o deus da sabedoria Thoth, que é interpretado pelo ator Chadwick Boseman (o Pantera Negra no filme Capitão America: Guerra Civil). Cabe ressaltar que na mitologia quase todos os deuses eram representativamente pintados em tons mais escuros de pele. Não posso dizer que o filme não erra pela falta de diversidade, até porque em 2015 em um comunicado a Lionsgate reconheceu a falta de diversidade no elenco e junto com diretor pediu desculpas pelo fato. Ou seja, ninguém pode dizer que isso não aconteceu e que simplesmente é o “politicamente correto atacando novamente”. Vale ressaltar que isso de maneira alguma atrapalha a fluidez do filme, mas sim, chega a incomodar, tendo em vista que o filme parece se passar na Europa e não na África.

Esse acontecimento só ressalta ainda mais a constatação de que os estúdios são um dos (se não os maiores, juntamente com os diretores), responsáveis diretos, pela falta de diversidade no cinema, o que se reflete por sua vez na festa do Oscar. Será que não havia atores negros bons o suficientes para representar personagens como os deuses, que eram representativamente negros? Ou simplesmente os brancos foram melhores nas audiências para as escolhas dos personagens? Como diz Viola Davis “temos ótimos atores negros, só nos falta a oportunidade.” 

Deuses do Egito, dirigido pelo diretor de Eu, Robô estreia no dia 25 de fevereiro.

Revisado por: Bruna Vieira.

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