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La La Land – Cantando Estações | “É um filme que nos faz suspirar e por que não sonhar?”

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Um dos filmes que mais gerou expectativas este ano e que também mostrou-se bastante promissor na opinião do público como um possível vencedor do Oscar, o musical La La Land – Cantando Estações chega as telonas com grandes chances de surpreender até mesmo quem não curte o gênero. 

Dirigido por Damien Chazelle, diretor do elogiado Whiplash, La La Land traz um estilo quase datado e um romance que tem tudo para ser mais do mesmo. Na primeira sequência já é possível perceber a que veio La La Land. A primeira cena acontece em uma rodovia em direção a Los Angeles. Centenas de carros travados em um dos engarrafamentos tão comuns à cidade.

Aos poucos, jovens começam a deixar os veículos e cantar. São os aspirantes a artistas que peregrinam do mundo todo em direção ao sonho de uma carreira na Meca do cinema – metáfora que voltará mais tarde. Com toda a energia dos atores, harmonia e graça já da para perceber que Chazelle não será um diretor de apenas um filme de sucesso. Aos poucos mais jovens saem de seus carros para cantar, um furgão abre as portas e revela uma banda tocando na mesma sintonia e tudo vira uma grande festa. Impossível não ressaltar que o diretor passeia por toda essa cena dentre os carros sem fazer se quer um corte perceptível.

Após todos voltarem a seus carros, somos apresentados a dois sonhadores românticos que também compunham essa grande massa de aspirantes que luta por um lugar ao sol. É então que entra em cena Emma Stone na pele de Mia, a atendente de uma cafeteria localizada no perímetro de um grande estúdio, aspirante a atriz que, apesar do talento, não tem obtido sucesso em suas audições. De forma desajeitada e divertida acontece seu primeiro “encontro” com Ryan Goslin na pele de Sebastian, um irascível e purista pianista de jazz e malsucedido que sonha em perpetuar seu estilo musical favorito em decadência. Após um comum estresse de trânsito entre os dois desconhecidos, o filme segue em ritmo mais lento, sem tantas cenas cantadas, mas com o mesmo charme de um musical bem produzido.

Falando em charme, outro toque que agrega ao filme é o ar anacrônico que Chazelle coloca ao propor cenários e figurinos da linguagem musical típicos dos anos de ouro da década de 60, junto a smartphones e carros atuais como o Prius. 
               
Voltando aos nossos protagonistas, após mais um teste de elenco fracassado, Mia se vê tomada pelo desânimo com seu sonho e como num último suspiro de esperança, ela e suas colegas de quarto decidem ir a uma festa, onde se reúnem estrelas, diretores e possíveis contatos. Chegando lá ela se depara com pessoas fúteis, gananciosas e completamente desinteressadas no seu talento, fazendo da noite um completo fracasso. A volta para casa não foi diferente. Após ter seu carro rebocado e ter de percorrer um longo trecho à pé, a moça ouve uma belíssima melodia vinda de um bar e decide entrar. Para sua surpresa quem tocava o piano era justamente o rapaz com quem havia se desentendido no trânsito mais cedo (Ryan Goslin). Ele foi demitido bem diante dos seus olhos. Impressionada com o talento do rapaz, ela tenta iniciar uma conversa, mas é impedida por um truculento esbarrar de ombros que recebe do próprio pianista.
               
Porém os encontros não pararam por aí. Em outra festa ela nota o pianista junto com a banda que animava o evento. Os jovens iniciam uma conversa. O papo evolui para uma divertida cena de sapateio e cantoria. Daí em diante se desenrola um cativante e bem dirigido romance entre de dois sonhadores que juntos lutam para alcançar o sucesso em suas carreiras, regados pelo companheirismo e devoção mútua.
               
A trajetória é narrada com diversas cenas compostas por cenários e vestimentas vintages, ao mesmo tempo que expõe peças mais contemporâneas, toques super precisos e fantásticos de humor e uma fotografia bastante colorida de luzes fortes quase neon, que brincam todo tempo com as diferentes referências cronológicas e cinematográficas. É possível notar algumas pinturas de Edward Hopper (1882 a 1967) espalhadas por aí. Cada gesto dos atores, apesar de milimetricamente calculado, soa natural e ao mesmo tempo simbólico. Chazelle usa todos os elementos técnicos do cinema à favor de sua história.
               
Emma Stone e Ryan Goslin interpretam as diversas etapas de uma trama amorosa, fazendo os expectadores lembrarem de seus romances desde o primeiro contato: a fase avassaladora da paixão, a descoberta das particularidades do outro, as dificuldades em conciliar a vida à dois e o trabalho, a superação dos defeitos de quem se ama e a descoberta da impossibilidade de um viver sem o outro. Ué, mas então onde está o problema da trama? Chazelle se mostra ainda mais formidável nessa parte, evitando a clássica problemática clichê do triângulo amoroso ou do casal que passa o filme se amando, mas só fica junto no final. O diretor inova ao fazer o sonho que os uniu enquanto um par romântico também seja um obstáculo. 
 
O musical fala sobre o cinema e enche o público de referências aos filmes clássicos de forma respeitosa e reverente, com locações e pequenos gestos. Talvez o maior mérito esteja na metáfora da cena inicial, que nos apresenta uma ponta que leva à Los Angeles enquanto forma de ligar o público cativo dos blockbusters a antiga e datada linguagem do musical, de forma didática e divertida, educando as novas gerações e mostrando que é possível atraí-las para assistir algo “fora de moda”.
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