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O Círculo “O filme é um Black Mirror, mas não é o melhor episodio”

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Estreia nos cinemas hoje (dia 22), o longa é baseado no livro de Dave Eggers, dirigido por James Ponsoldt e estrelado por Emma Watson (Harry Potter) e Tom Hanks (Forrest Gump), nos papéis de Mae Holland e Eamon Bailey, respectivamente.

O círculo conta a história de Mae Holland (Watson), uma jovem simples, do interior e muito apegada a família, que passa por alguns problemas financeiros, relacionados a saúde de seu pai, que tem a esclerose múltipla, avançando cada vez mais pelo seu corpo. Como um milagre, surge uma entrevista de emprego, arrumada por sua amiga Annie (Karen Gillan), em uma das empresas mais poderosas de informação e tecnologia, que inclusive nomeia o filme. ‘O Círculo’ nada mais é que uma união entre facebook e Google, onde se trabalha, o tempo todo, para saber o que as pessoas querem/gostam/precisam em suas vidas de forma tendenciosa, trabalhando sempre em causa própria, enquanto se alega o bem da população, mostrando ao telespectador o poder da tecnologia, o quanto elas no domina e controla tudo que fazemos, tirando até mesmo nossa privacidade.

A trama é ambientado nos dias atuais, com um toque de futuro distópico, conseguindo parecer um episódio de Black Mirror que não é tão bom assim. Tudo é vigiado por câmeras e pessoas, a privacidade está se tornando cada vez mais rara e a opinião alheia é tudo, esses são os principais sintomas da sociedade atual mostrados no filme, que ainda prevê um sistema unificado de informações que ganha proporções governamentais. E mesmo assim, o longa não mostra a população revoltada com a conjuntura implantada, mesmo sabendo de todos os ‘podres’, e em determinado momento, segredos dos formadores do círculo. Ao contrário da série, que tem sido um sucesso absurdo no mundo todo, o fim do filme dá a sensação de que o nosso futuro caminha para esse lugar, e mesmo que nós saibamos de todas as partes negativas, a nossa única escolha será aceitar e viver feliz nesse novo tipo de realidade.

O filme também desenvolve muito pouco os personagens que ajudam a construir a trama, simplesmente não se sabe como se chegou até ali e nem o porquê de suas atitudes. A personagem melhor desenvolvida é a Mae, que aparenta ser a revolucionária salvadora da pátria, mas no fim das contas ela acaba virando mais um bonequinho do jogo de manipulação, se mostrando um pouco introspectiva, não cativante e que não enxerga um palmo à sua frente, mesmo que todas as informações tenham sido dadas. A atuação de Emma Watson está longe de ser ruim, mas também não é seu melhor filme, já que em primeiro lugar sua personagem não ajuda na conquista do público; o mesmo vale para Tom Hanks, que mesmo tendo um personagem pouco desenvolvido, consegue salvá-lo com a sua boa atuação. O melhor personagem da trama é de longe Annie, a única personagem junto com Ty (John Boyega), que acorda pra realidade e vê o quanto ‘O Círculo’ pode ser tóxico e fazer mal às pessoas.

O roteiro do filme é estruturado mas poderia ter sido bem melhor, se os personagens fossem desenvolvidos e o desfecho final fosse outro, tendo um clímax maior devido ao impacto social e caráter um pouco mais revolucionário. O longa dá a sensação de que no fim, a realidade vai bater a porta de todos e eles vão acordar rumo a derrubada do Círculo, porém não é isso que acontece, causando certa decepção (e revolta em alguns casos) no fim do filme que te faz ficar: ‘Ué, acaba assim, é sério?’. Se constrói todo um clima de tensão e espera pelo final, que acabam sendo frustrados com as escolhas que os personagens tomam, conseguindo deixar até um pouco de ambiguidade de significado no ar.

Aos que não assistem Black Mirror, ou acham ótimo que a tecnologia domine o mundo (e as pessoas) acabando com a privacidade, o filme agradará um pouco mais do que os que acham o mundo 100% tecnológico sem privacidade é uma distopia, ainda mais por conta do final.

‘O círculo’ não é nada inovador, e nem uma obra prima cinematográfica, mas pode levar as pessoas que preferem uma pegada mais leve, a refletir sobre o futuro do mundo e a influência do mundo digital, para quem não se inclui nessas categorias. O filme pode não só frustrar como também irritar, por falta de crítica e profundidade de roteiro, apesar de abordar um tema polêmico e atual. Apesar de raso o filme não é ruim, apenas pode causar certa irritação em determinados públicos.

Critica escrita em colaboração com Lorraine Palmier.

LOJA DC 4

Atual Editora-Chefe de Cinema. Estudante de Publicidade e Propaganda, apaixonada por viagens, pole dance, fotografia e doguinhos <3

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