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Colunistas

A complicada relação entre o e-Sports e as mulheres

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  • Por Gabriel Reis Anjos

 

É sempre polêmico falar sobre o envolvimento das mulheres nos esportes. Muitos ainda se recusam a aceitar que nos dias atuais as mulheres tem um importante papel em praticamente todos os esportes independente de qual seja ele, você vai ver uma mulher por trás do time ou da organização de algum evento de larga escala. Nos esportes eletrônicos não é diferente e por mais que tenha demorado e que ainda haja preconceito, esse preconceito nos dias atuais é menor do que já foi um dia. É possível ver atualmente mulheres se destacando no mundo dos e-Sports. Um claro exemplo disso é a Ricki Ortiz, ícone dos jogos de luta que garantiu o segundo lugar no campeonato de Street Fighter V na Capcom Cup realizada no ano de 2016.

Ricki Ortiz em competição. (Foto por: Robert Paul)

No League of Legends, um dos jogos que mais arrecada dinheiro atualmente no cenário competitivo, ainda é pequeno o número de mulheres que competem profissionalmente e em alto nível. Os primeiros casos revelaram ótimas jogadoras; como a Maria “Sakuya” Creveling, ou Remi para os mais próximos, que foi a primeira mulher a jogar pelo campeonato da LCS. Ela começou a atuar em alto nível pelo time da Renegades na América do Norte e no começo desse ano, após deixar a equipe da Kaos Latim Games, ela retornou para as suas origens e hoje é suporte reserva da FlyQuest.

Além da Remi, temos também a Geovana “Revy” Moda, que foi a primeira mulher inscrita no Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL), pela equipe da KaBuM.Black na época. Assim como Remi, Revy também foi escrita como suporte reserva. Atualmente ela só joga Overwatch e não esboça vontade em competir novamente no League of Legends.

Mesmo com os baixos números de mulheres no cenário competitivo, o LoL é um jogo que atrai cada vez mais o púbico feminino, que tem a difícil missão de vencer o preconceito de uma comunidade que, querendo ou não, em sua grande maioria é machista.

Revy, a primeira mulher que foi inscrita no CBLoL.

No Counter Strike: Global Offensive, já é possível ver uma maior presença do público feminino, mas não se engane, ainda não é tão grande como deveria ser. Recentemente foi anunciado pela Team Innova a sua mais nova line-up de CS:GO, que conta com as meninas que atuavam pela equipe da Team Victory. O que mais gostei de ver no anúncio foi a atitude da organização em deixar bem claro que a equipe não seria uma representante feminina da Team Innova e sim o time que representaria a organização na modalidade de Counter Strike: Global Offensive. Por mais que muitos não percebam, isso foi um grande passo para o cenário competitivo e, se todas as equipes tivessem uma atitude como essa, certamente teríamos um preconceito menor com mulheres no e-Sports.

Line-up da Innova Grown Up.

O salário no entanto ainda é um problema recorrente nesse meio. É bem nítido que o salário das mulheres que competem em alguma modalidade no meio dos esportes eletrônicos é menor do que o salário de um atuante masculino. Um exemplo disso é uma comparação que foi feita pelo portal eSports Pro BR, que compara os ganhos de Sasha “Scarlett” Hostyn com os do Saahil “UNiVeRsE” Arora. A jogadora, que é uma das mais bem sucedidas no e-Sports atualmente, ganhou em um ano o equivalente a 171 mil dólares, enquanto o jogador acumulou o equivalente a 2 milhões de dólares. É gritante a diferença entre os valores, uma vez que ambos os jogadores fazem praticamente a mesma coisa.

Infelizmente essa diferença salarial é algo presente em quase todas as áreas do esporte por todo o mundo, sendo uma coisa que na minha opinião está longe de ser resolvida, porém não é uma causa perdida.

Para finalizar, deixo o meu muito obrigado a todas as mulheres que não desistem e continuam lutando para garantir a presença feminina nos esportes eletrônicos. Essa luta diária de vocês é muito importante para o cenário. Não desistam em momento algum. É por causa de vocês que hoje a parcela de mulheres no e-Sports tem um número maior do que antes.

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