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RESENHA DA 5ª SEMANA DE SESSÃO DE TERAPIA – TERCEIRA TEMPORADA

LOJA DC 4

Episódio 21 –Bianca Cadore – Sessão 5

Bianca 5

Bianca retorna ao consultório de Theo ainda machucada, e com medo de Tadeu estar perseguindo-a. Durante a sessão, revela que o ex-marido tentou matá-la, após ela separar-se fisicamente dele e ir morar na casa de um amigo do pai, que a está apoiando.

Nessa sessão, mais uma vez, ficam aparentes a dependência exacerbada de Bianca pelo Marido, o amor doentio que os une e a impossibilidade, por parte dela, de enxerga-lo com algoz. Uma relação de amor profundamente atrelada à violência, na qual a própria significação de amor parece precisar de atos hostis e dolorosos. Lembremos quando Bianca disse ter mais tesão após as brigas ou referir-se a ideias de amores mártires, de grande sofrimento.

Leticia Sabatella é extremamente hábil ao conduzir sua personagem em um labirinto masoquista, e o olhar angustiado de Theo durante o atendimento é um dos grandes pontos fortes de Zecarlos Machado neste episódio.

Ao Final da sessão Bianca parece feliz de ter conseguido o apoio de Theo, que diz que irá com ela até onde o filho está, uma vez que o marido descobriu onde eles estão e está na porta da casa. Quando Theo sai para buscar algo antes de acompanhá-la, Bianca sai correndo. Desespero e não pode esperar? O Fato curioso é que Leticia Sabatella parece segurar o telefone de cabeça para baixo quando liga para o filho. Algo proposital ou descuido?

 

Episódio 22 – Diego Duarte – Sessão 5

Diego 5

Neste episódio, após o filho de Theo ter desmaiado no dia anterior, o Terapeuta desmarca todos os pacientes do dia. Contudo, o Pai de Diego aparece, exigindo conversar com Theo, uma vez que fez o esforço de reservar um espaço em sua agenda para ir lá. Ele entra no consultório sem mesuras, o que obriga o psicólogo a atende-lo.

De início, o Pai de Diego não conta ele como filho, o que ilustra de forma assombrosa e chocante toda a angustia e desamparo do adolescente em não ter atenção ou reconhecimento do pai – esse pai não o considera filho. O discurso arrogante de Frederico (todo o desdenho com a terapia no início da sessão e da roupa de Theo servem, dramaturgicamente, para apresentar o personagem) é permeado com lembranças distantes e evitações de contato ou convivência com o filho; ele reclama da postura do menino e que ele teve todas as oportunidades da vida para não ser o que é hoje. Theo tenta ilustrar que a necessidade de Diego é do carinho e da atenção do pai e que seus problemas são uma tentativa de chamar atenção.

O roteiro do episódio é brilhante na medida que ao longo da sessão Frederico deixa de ser um calhorda insuportável para ir se humanizando, torando-se uma figura tridimensionalizada. Seu próprio drama é revelado e Marco Antônio Pameo e a direção de Selton Mello são eficientes na demonstração do desamparo que esse pai enfrenta com sua fantasia. É revelado que Frederico sempre acreditou que Diego não era seu filho – por ter descoberto correspondências de sua esposa falecida, mãe de Diego, com o ex-namorado dela, o que fez com que ele subentendesse que ela era infiel e que o filho que ela teve não era dele. Theo sugere que ele faça um exame de DNA, mas Frederico mantem uma firmeza Bentiana (no melhor estilo Dom Casmurro), e Theo arremata a sessão espelhando o medo que Frederico tem de descobrir que Diego pode ser seu filho e ele ter perdido anos de sua vida evitando emocionalmente o filho.

Um dos melhores episódios da temporada; com exceção de que Theo assume para Frederico que seu modelo de trabalho é com terapia Humanista. Muito embora a atuação de Theo (bem como a do terapeuta americano na versão “in Treatment”) lembre muito alguns princípios de uma terapia humanista, é veiculado pela produção da GNT que Sessão de terapia se ambienta num consultório de Psicanálise. Esse tipo de confusão é problemática na medida que as atuações clínicas são imensamente diferentes. Seria importante uma afinação entre teoria e prática, ação e discurso.

 

Episódio 23 – Felipe Alcântara – Sessão 5

Felipe 5

Felipe já está em sua sessão dizendo como a mãe já está bem e voltando ao trabalho quando Guto vai ao consultório e pede para entrar. Ele procura Felipe pois este estava evitando-o.

Durante a sessão, Guto Joga na cara de Felipe sua simbiose com a Mãe, exigindo que ele diga que é gay, algo que Felipe nega veementemente. Theo traduz a mensagem de Guto, sobre aceitar-se. O namorado de Felipe fica mal por descobrir que o casamento com Nicole foi antecipado e resolve tomar a decisão pelo casal, terminando com Felipe. Numa belíssima cena, a câmera enfoca as mãos entrelaçadas de ambos, e Guto chorando diz que não quer mais ser a causa do sofrimento de Felipe. Guto sai. E segundos depois, Felipe vai embora, não ficando claro se ele não aguentou mais continuar a sessão ou se foi atrás de Guto.

Após esse intenso momento, Rita chega ao consultório de Theo, para uma visita. Ela que vinha, nas ultimas sessões, aparecendo em ligações para Theo, agora aparece para conversar. O diálogo dela com Theo é habilmente construído sobre piadas entre não conseguir sair do papel de terapeuta numa conversa entre amigos – fato ainda mais forte pelo o consultório de Theo ser na casa dele. Rita fala da relação com seu pai e pelo seu desejo por homens mais velhos, o que ilustra sua sublimação do édipo paterno na busca por parceiros mais velhos e mais experientes. É curioso, contudo, que Rita negue que sentia tesão pelo Pai.

A cena do final do episódio, com a forte pegada de Theo quando Rita está fugindo, e a elegante e erótica cena que ela tira sua calcinha, são com uma câmera afastada dos atores, num plano de cima para baixo. O episódio termina nos deixando subentendido o sexo que vai acontecer entre ambos.

 

Episódio 24 – Milena Dantas – Sessão 5

Milena 5

O episódio inicia-se com uma tocante conversa entre Theo e o Irmão. Está cada vez mais orgânico a interseção do drama pessoal de Theo nessa temporada com as sessões com seus pacientes.

Milena chega atrasada, derruba suas coisas da bolsa na entrada e insiste que seria melhor deixar a sessão para depois, pois já havia perdido quase metade do tempo. Theo insiste que poderiam alongar por alguns minutos, e ela nega veementemente.

Revela que, por conta dos pensamentos obsessivos ela demorou 3 horas e 40 minutos paralisada no carro. Theo desconfia que ela não esteja tomando os remédios e Milena nega, mostrando a cartela de remédio. Seu TOC parece piorar e ela culpa o remédio. Theo tenta, habilmente, contornar a manipulação de Milena para a retirada da medicação, que para ela, é uma clara significação de seu fracasso.

Quando Theo aponta essa necessidade de Milena aceitar a doença pra que o tratamento dê certo, dizendo que ela deve parar de imputar a responsabilidade das coisas que ocorrem com ela aos outros, Milena tem um surto e corre para o banheiro, para lavar as mãos. Numa tocante cena, na qual a Trilha e a direção sensível e precisa de Mello são fundamentais, Theo busca Milena no Banheiro, reforçando ali um laço de transferência importante para que o tratamento dê certo.

Ele explica um pouco mais sobre sua doença, a dificuldade do tratamento do TOC e dos sintomas do pensamento obsessivo e tenta fazê-la refletir sobre o medo que cerca aquela doença. Milena Evita conversar com o filho sobre sua doença e evita falar dos pais. A sessão gira entorno de assumir a fraqueza da doença e da importância de criar laços para a efetividade do tratamento.

 

 

Episódio 25 – Dora – Sessão 1

Dora 1

Como sempre, os dramas e a vida pessoal de Theo são inseridos no início e no final dos episódios, e neste Lisa fala um pouco sobre Raphael. Faz parte da narrativa emocional de Theo para com sua família.

O Retorno de Dora marca um novo estágio das conversas entre Theo e sua terapeuta/supervisora. Ainda está presente o confronto e a reatividade de Theo, mas de modo menos intenso.

Theo aos poucos vai conseguindo se tornar mais sereno em sua vida, com seus problemas; inicia a sessão esgarçando seus sentimentos, assumindo que sente-se um pai de merda e que tem ciúmes do irmão Nestor; assumindo a necessidade de superar a compulsão em salvar as pessoas e sua postura paterna de proteção aos pacientes que são frágeis. Contudo, ele consegue assumir sua fragilidade, essa identificação com a fragilidade por ser frágil, a sua dificuldade com ocupar a posição de frágil e de necessidade de terapia. Dora confronta ele sobre o uso do espaço da terapia como uso emergencial, e que ele não teria retornando à terapia e a procura-la se não fosse a situação com o filho.

Theo pede que ela o aceite atende-lo por mais 3 sessões  e isso é uma jogada brilhante do roteiro no número exato de episódios que restam para o fim da temporada. É interessante que, no fim do episódio, Dora vai beber água, cena que se repete ao longo da temporada inúmeras vezes com Theo e com alguns de seus pacientes. Longe de ser apenas uma marca de atuação; o simbolismo da água é logo alcançado com essas cenas, quando essa ação acontece após momentos intensos de confrontação emocional. A água, a calmaria da água. É belo também o trabalho de atuação de Selma Egrei e Zecarlos Machado, no fim do episódio, quando apenas o “fechado” de Dora determina uma série de conflitos mal acabados entre ambos desde as temporadas anteriores. O olhar de ambos, que vai da dúvida, ao confronto, da desesperança à esperança e ao alívio é de uma habilidade incrível.


LOJA DC 4

Diego é escritor, possui contos publicados nas coletâneas da FLUPP Pensa (2012 e 2013), é amante de teatro (fez cursos de dramaturgia moderna e contemporânea) e ainda faz críticas de cinema (tendo estudado Teoria cinematográfica e crítica com Pablo Villaça). Na vida real é Psicólogo e trabalha com clínica e projetos sociais.