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RESENHA DA 6ª SEMANA DE SESSÃO DE TERAPIA – TERCEIRA TEMPORADA

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Esta é a penúltima semana da Série e foi belíssima; houve uma certa temática sobre paternidade que permeou os episódios, quase todos, ao longo da semana.  Confira agora a resenha das sessões da penúltima semana:

 

Episódio 26 – Bianca Cadore – Sessão 6

Dessa vez, assim como no episódio de Diego, na sessão anterior, não é o paciente quem vai à sessão, e sim alguém que está intimamente ligado à sua história. No caso, temos a presença de Tadeu, o marido agressor de Bianca.

Theo atende a porta e ao perceber que está frente ao algoz de sua paciente demonstra não ter o menor desejo de atende-lo, principalmente sem a presença e consentimento da Bianca. Quando Tadeu adentra o consultório sem pedir licença, Theo tenta impedi-lo, mas logo se vê fisgado pela fala de Tadeu. Se a princípio essa fala parece ser manipuladora, logo Theo – e o expectador – percebe seus pensamentos revirados pela versão de Tadeu da história. A edição e a câmera são eficientes em criar um clima de suspense e tensão no diálogos de ambos.

Em uma reviravolta fantástica da história, Bianca parece se auto-inflingir ferimentos, culpando o marido. Toda a história que ela contara até então pode ser mentira: Bianca já fez terapia com 10 psicólogos diferentes, Seus pais e irmão não morreram, O marido não é dono de uma oficina mecânica e sim gerente de banco.

No final da sessão Theo liga para o psiquiatra que Tadeu forneceu o telefone e confirma que a história do marido de sua paciente é verdadeira, em uma cena elegante e minimalista, sem falas, tudo é sugerido pela atuação precisa de Zecarlos.

Bianca pode ser psicótica, criando um delírio bem construído ou ter um grave transtorno de personalidade. Aguardemos a sua última sessão: promete ser eletrizante!

 

Episódio 27 – Diego – Sessão 6

Diego chega ao consultório de Theo um tanto quanto bravo por Theo ter atendido o pai dele. E principalmente por ter mostrado o desenho que ele deu ao Psicoterapeuta.

Diego revela como se despediu da bebida, sua última noite de alcoolismo, em qual contexto isso se deu. Consegue assumir pra si que bebia para tamponar um vazio que possuía, vazio esse intensificado pela ausência do amor paterno.

O jovem demonstra saber do segredo que Frederico covardemente confiou à Theo, na expectativa que o terapeuta lidasse com a situação. Diego demonstra uma grande maturidade ao lidar com a situação – o que evidencia como determinados segredos numa relação geracional podem ser dificultadores do desenvolvimento saudável de uma família.

A forma como Diego conquistou o direito com o pai de fazer o exame de DNA, contudo, mais uma vez evidencia a covardia de Frederico em enfrentar a situação. E a maneira que Diego responde ao questionamento de como fugiria se o resultado desse uma paternidade positiva é brilhante: “você amaria alguém por causa de um pedaço de papel?”.

O Drama desse paciente exemplifica brilhantemente a questão da não adoção psicológica de alguns pais por seus filhos. A Fantasia de Dom Casmurro que Frederico Vestiu foi a responsável pelos seus atos distantes e da não construção de uma segurança de mundo tranquila em Diego. A mentira perversa encobriu a possibilidade de ambos terem uma vida simples. Uma paternidade negada, em ambos os lados.

 

Episódio 28 – Felipe Alcântara – Sessão 6

Se o episódio passado girou em torno da paternidade, esse episódio também aborda a relação pai e filho. Isso, sem antes, contudo, termos uma interessante conversa e encontro de Theo com Rita.

Felipe chega na sessão comentando como decidiu não mais procurar Guto, e que ficou chateado com o ex-companheiro por ele enviar suas coisas de volta para sua casa, numa caixa, podendo assim tê-lo exposto. Anuncia que veio se despedir da terapia, e que tudo estava resolvido.

Revela, então, que a mãe e o pai já sabiam de sua homossexualidade. Ele descobriu que sempre souberam, e contando detalhes de uma emocionante conversa com seu pai, que recebia apoio dele para se assumir. Na verdade, Felipe pode desconstruir um pouco a relação de total entrega com a mãe, uma relação simbiótica na qual ele se colocava como falo de completude da mãe. E é pelo significante que o pai deu – “você pode ser filho da sua mãe, mas é meu filho também” que Felipe encontra a intervenção paterna para separá-lo da mãe. Encontra forças para confrontar a mãe e reconhecer sua identificação com o pai. Na história de vida, e do comportamento. Essa passagem foi linda de se ver.

Theo intervém mostrando como Felipe estabeleceu uma relação na terapia de sempre estar se afastando, se despedindo. E assume a raiva do egoísmo da mãe. Como ele quis dizer no início, foi o começo do processo de matar a mãe na terapia.

No final, temos uma Conversa linda de Theo com o Irmão. Mais uma sessão onde a temática da paternidade – do pai de Felipe e do Pai de Theo – é trabalhada.

 

Episódio 29 – Milena Dantas – Sessão 6

Milena chega alguns minutos mais cedo à sessão e se recusa a entrar. O TOC Parece cada vez mais incontrolável, e o episódio que Milena vivenciou em casa com o filho é estarrecedor – mesmo em uma situação complexa e de perigo real, Milena não consegue romper a paralisia do pensamento obsessivo.

E mesmo dentro do consultório, Milena não consegue segurar a ansiedade e os sintomas de comportamento compulsivo-obsessivo. Theo, em uma jogada muito interessante, revela à paciente que não poderá dar continuidade ao seu tratamento. A jogada serve para fazê-la se haver com o Real – é preciso tomar a medicação, é preciso assumir a doença e suas limitações, e não sentir-se fraca ou derrotada por isso. Milena revela que não tomava os remédios, também por conta de sua mania de limpeza, que a impedia de engolir as capsulas.

Quando Theo utiliza-se de uma técnica característica das terapias comportamentais, Milena se vê como capaz de controlar, ainda por um período curto, seu transtorno. A relação terapêutica transferencial estabelecida com Theo funciona e ela toma o remédio no consultório.

Milena parece caminhar para um final feliz.

 

Episódio 30 – Dora – Sessão 2 

A segunda sessão com Dora evidencia a mudança de comportamento de Theo, que parece ainda mais capaz de lidar com seus conflitos de maneira mais sadia. Ainda que, assim como na sessão passada, as piadas e a confrontação com Dora estejam ali – A piada com Freud, e com Lacan.

A preocupação de Theo com o caso de Bianca é interessante na medida que é se torna menos pelo sentimento de ter sido enganado e mais pela preocupação de não perceber o pedido de auxilio por baixo das mentiras. O transtorno de personalidade limítrofe é anunciado pelo psiquiatra.

Theo demonstra o cuidado e a preocupação com a sua família, e a forma como ele consegue começar a enfrentar seus fantasmas. E suas dificuldades. Os envelopes de cartas do pai estão ali, e diferente de Frederico, Theo consegue ser como Diego e confrontar, apoiado por Dora, as palavras do pai. Ainda que eu preferisse que A carta fosse lida integralmente, a opção da direção não é menos impactante. As lágrimas desceram incontroláveis, com essa sessão que fechou de maneira linda as reflexões sobre paternidade e relação pai e filho trabalhadas ao longo da semana.

 

Agora, aguardemos a ultima semana!

Diego é escritor, possui contos publicados nas coletâneas da FLUPP Pensa (2012 e 2013), é amante de teatro (fez cursos de dramaturgia moderna e contemporânea) e ainda faz críticas de cinema (tendo estudado Teoria cinematográfica e crítica com Pablo Villaça). Na vida real é Psicólogo e trabalha com clínica e projetos sociais.

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