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Resenha da Última Sessão de Bianca Cadore – Sessão de Terapia, 3ª Temporada

LOJA DC 4

Episódio 31 – Bianca Cadore – Sessão 7

Estamos na última semana da terceira temporada. Cada Paciente ira terminar seu arco dramático. E o de Bianca Cadore foi um dos mais complexos e interessantes. Da mulher submissa, à vitima de violência doméstica, Bianca tornou-se uma figura icônica da série – uma paciente que mentia, distorcia sua verdadeira situação.

A maneira como o roteiro construiu seu arco dramático foi forte e intenso. Os constantes machucados, que até sua sessão passada eram fruto das agressões que sofria de Tadeu sempre foram muito convincentes. A interpretação de Leticia Sabatella deu o tom a uma mulher angustiada, um cristal quebrado. Não é à toa que o final desse episódio seja o Reflexo de Theo nos cacos de vidro jogados no chão.

Logo no inicio, Theo conversa com sua filha. Se de todos em sua família, a filha foi com quem mais teve uma relação tranquila, este diálogo serve para continuar ilustrando a evolução dos dramas de Theo com relação a sua família e ao seu envolvimento nos problemas da família. E logo antes de receber Bianca, que chega de surpresa e sem avisar, Theo está enchendo uma jarra de Água. Ao longo de todos os episódios, Theo, Dora e alguns dos pacientes aparecem interagindo e bebendo água após situações difíceis. A água sempre foi um poderoso elo do humano, seja pelo fascínio pelas águas do mar, seja pela relação intrínseca entre as emoções e o mar. A água é tida como um elemento de limpeza, mas que está profundamente atrelado aos sentimentos e emoções inconscientes. Não à toa, Iemanjá, orixá do mar e das águas é tida como padroeira dos psicólogos. A força da água se liga a densidade das emoções – e se os personagens bebiam água ou interagiam com ela em cenas de forte emoções, aqui Bianca quebra a jarra de água num rompante histérico de emoção.

Bianca 6.2

Após perceber que Theo não acreditava mais nela, logo após descobrir que Tadeu havia ido até o consultório e procurado o terapeuta, Bianca se descontrola. E num espiral de desespero, Bianca grita, chora, joga coisas no chão e bagunça o arrumadinho consultório de Theo. Ele, impotente, diz que não pode abrir a porta que ela grita e ordena que seja aberta para que ela fuja. Leticia Sabatella vai do medo ao ódio, da dor à felicidade em uma interpretação visceral. Uma grande atriz em uma grande personagem.

Quando Theo estava no telefone, informando o paradeiro do filho de Bianca, o verniz da normalidade se quebra de vez. Não ficamos sabendo com quem ele fala, mas no fim do episódio Tadeu chega ao consultório para resgatar bianca. Ele vai interná-la? Vai alimentar a loucura dela? O olhar de resignação de Theo abre interpretações. Bianca sofre de amor doentio. Parece não querer ter jeito.

Seu olhar de prazer ao ver Tadeu, sua postura me lembraram Blanche DuBois no final de Uma rua chamada pecado.

Em alguns casos, independente de nossos esforços, nada há mais para ser feito, o sujeito não abre mão de seu gozo apesar da angustia e do sofrimento do sintoma.

LOJA DC 4

Diego é escritor, possui contos publicados nas coletâneas da FLUPP Pensa (2012 e 2013), é amante de teatro (fez cursos de dramaturgia moderna e contemporânea) e ainda faz críticas de cinema (tendo estudado Teoria cinematográfica e crítica com Pablo Villaça). Na vida real é Psicólogo e trabalha com clínica e projetos sociais.

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