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LOJA DC 4

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Sense8 é mais que uma boa produção, é um aprendizado

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‘Sense8’ é a mais nova superprodução do Netflix. Cenas espetaculares, fotografia impecável, trama cativante, ação e drama nas doses certas. Mas em que tudo isso está fincado? Por trás de toda aquela intriga de ficção científica, mentes conectadas, conspirações e tecnologia avançada, a série deixa um recado importante para quem assiste e, talvez, seja o fato de todos esses fatores terem base em uma mensagem concreta que torne a série um grande destaque quando comparada a outras produções atuais.

Oito personagens principais, todos conectados. Isso é o que todos sabem. Mas a grande questão dramática da série gira em torno de algo que vai além de uma simples conexão, mas sim uma compreensão mútua. Isso fica evidente em um dos ápices do último episódio dessa primeira temporada, quando Will chora com Riley e diz: “Sei quanto dói. Sei que você quer deitar aqui e nunca mais levantar. (…) Isso significa que de alguma forma, em algum lugar, você pode sentir o que eu estou sentido”.

Foi nesse exato momento, nos segundos finais do último episódio, que eu me dei conta do que se trata a série. Tive aquele insight que fez tudo ter sentido. Não que antes não fizesse. A história não é difícil de entender. A questão é que, além do sentido racional, aquele correspondente aos fatores cronológicos e acontecimentos físicos, existe um sentido emocional. São oito mentes diferentes, em oito lugares diferentes, com experiências, vivências, alegrias, traumas, frustrações, amores e medos diferentes. E, ainda assim, todas traçam um paralelo, um vínculo que as une apesar das oposições culturais e ideológicas.

Imagine o quão mais fácil seria se todos nós pudéssemos, de alguma forma, sentir o mesmo que o outro sente? Entender o próximo não como um espectador, mas como alguém que consegue sentir o mesmo. Imagine não ter mais que se esforçar para ter que explicar como se sente, apenas esperar que uma outra pessoa se conecte na sua mente e entenda com exatidão o que se passa dentro da sua cabeça nesse instante. É sempre um processo frustrante tentar buscar palavras que exprimam algum sentimento e perceber que nenhuma delas consegue traduzir de forma plena o seu estado.

Fica muito mais fácil lidar com os outros compreendendo o que ele passou ou o que ela viveu, e é exatamente essa a questão que a série aborda: A necessidade de compreensão. Já imaginou um criminoso alemão e uma transexual lésbica de San Francisco numa relação cooperativa? Não? Então acrescenta aí um famoso ator mexicano com medo de se assumir homossexual, uma farmacêutica indiana com um coração confuso, um motorista de ônibus queniano que cuida da mãe soropositivo, uma sul-coreana renegada pelo pai e ressentida pela morte precoce da mãe, um policial de Chicago atormentado por um assassinato e uma DJ islandesa que mora em Londres e sofre com dois grandes traumas do passado. Agora imagine todos eles conectados e trabalhando em equipe, apesar das divergências.

 A conexão entre essas oito mentes vai muito além de uma ajuda aqui e outra ali quando necessário, e atinge um patamar que deveria servir de inspiração para todos, que é justamente a compreensão mútua que falei acima. Claro que não podemos entrar na mente de ninguém, mas só de se criar o costume de pensar que todos os habitantes desse planeta possuem histórias, costumes, tristezas e alegrias diferentes, ajuda a entender que é necessário compreender e aceitar essa diversidade.

Encerrarei o artigo com uma frase que uma vez li em uma dessas madrugadas pelo Tumblr e consegue resumir muito bem essa proposta da série: “Be kind, for everyone you meet is fighting a hard battle”, que em tradução livre significa algo como “Seja gentil, pois toda pessoa que você encontra está lutando uma difícil batalha.”

Ah! Ainda não assistiu Sense8? Então saiba que se nossas mentes estivessem conectadas, você estaria percebendo o tamanho da tristeza que sinto por você!

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Estudante de jornalismo geralmente perdido em algum canto do Spotify ou Netflix. Se não estiver em nenhum dos dois, procura lá no twitter: @pdrmaroni