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SEMANA ESPECIAL | Aconteceu Naquele Verão – Sobre um Verão.

Aconteceu naquele verão… Esse é o meu verão.

Como vocês já devem ter notado, estamos fazendo um especial desde o dia 06/02 e hoje é a minha vez de contar uma história.

LOJA DC 4

Todo mundo tem algo para contar sobre o verão, afinal, é a época mais badalada e esperada do ano pela a maioria das pessoas. Não sou muito de ter histórias para contar, mas tenho uma especial: estava em um quarto cheio de aranhas e era uma noite de verão que aconteceu o que eu jamais sonhei que poderia acontecer.

“Eu morava junto com minha mãe e minha irmã em um condomínio de três andares no local que costumo chamar de Serocity, morar em Serocity é como morar em uma cidade do interior contracenando em um filme americano, pois todos sabem sua vida, você querendo ou não. Todos são amigos desde a infância e, aos domingos, almoço na igreja com as famílias, durante a semana a mesma escola com as mesmas pessoas. E isso se torna pior se sua mãe e seu pai são bastante conhecidos…  E esse era o meu caso, diferente da minha irmã, eu não me dava bem no balé, nem gostava de sair para tomar sorvete com as meninas da sala, não… eu deveria ser mais como minha irmã, era o que eles diziam. As coisas pioravam no verão, período de festas e visitas…

Meus únicos momentos de paz eram quando eu pegava algum livro e ia para o final da rua, numa casa velha, era o único lugar que eu respirava, mesmo com a poeira dos móveis velhos e com as visitas de algumas aranhas… ali eu não precisava de música para fugir das conversas entediantes, não precisava sorrir para agradar alguém, não era gorda nem magra, eu era apenas uma garota com um livro. A casa pertencia a um senhor, mas ele estava tão velhinho que já tinha deixado o local, e eu tinha paz ali já que o filho da proprietária tinha medo da casa, nunca entrava porque a falecida esposa do senhor, que morava ali, morreu no quarto da casa. E assim, eu passaria meu verão… calma e tranquila. Mas engano meu.

Já era tarde da noite e eu estava prestes a sair da casa velha, quando me deparei com um rapaz tentando entrar, ele era alto e tinha um cabelo grande, o que me impediu de ver seu rosto, logo corri para dentro da casa e procurei alguma coisa pra me defender e como toda casa velha, esperei ter algum pedaço de madeira, mas para minha falta de sorte não tinha nada, só encontrei um jarro de flores, e pensei, isso devia servir para alguma coisa numa hora dessas e, quando me virei, o garoto já estava entrando pela janela, corri em sua direção e taquei o jarro na cabeça dele que logo caiu igual jaca madura, mas para o meu azar, reconheci o sobrinho da proprietária…

Alguns minutos depois, ele acordou reclamando de uma dor de cabeça, me senti muito culpada e expliquei para ele a situação e, ao invés de me xingar como eu esperava, ele apenas perguntou o meu nome e depois, o nome do livro. Ele era surpreendentemente esquisito, gato… mas esquisito. Ele tinha me explicado que no verão passado, ele vinha até a casa à noite e relaxava pensando nas histórias de terror que contaria para o primo, e eu contei o motivo de ir lá todo dia durante esse verão… ficamos conversando durante um bom tempo, até que peguei o celular e vi uma chamada perdida da minha mãe e corri para casa, e depois de receber uma deliciosa chamada de atenção, fui para o meu quarto, e encontrei ali uma pedra com um papel em volta e, quando li, estava escrito “Na casa assombrada encontrei o espirito que deu vida ao meu verão”. E foi assim que passei aquele verão, me encontrando todo finzinho de tarde, com o garoto com cabelos lisos e olhos amarelados, dono das piores histórias de terror que já conheci. E, na última noite de verão, quando estávamos sentados na madeira velha de um quarto cheio de teias de aranha, discutindo qual seria a próxima história que ele contaria, que ele se aproximou e me deu um beijo, um beijo demorado, lento e ofegante. Meu primeiro e último beijo daquele verão“.

Se está se perguntando o que aconteceu comigo e com ele, no ano seguinte, quando recebi a notícia de que ele visitaria a tia de novo, eu me arrumei toda e esperei por ele, e quando ele apareceu estava acompanhado por uma garota de sua cidade. Existem paixões que ficam no verão e existem paixões que começam no verão, qual é a sua paixão?

E você, tem uma história de Verão para nos contar? Compartilhe conosco!

O livro “Aconteceu Naquele Verão” está à venda na livraria Saraiva.

Tantos desafios a gente enfrenta, mas nada comparado ao que o mundo da leitura e seus personagens já passaram. Carioca e perfeitamente viciada em ler.

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