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Uma Longa Jornada: Romance sem rodeios, mas com muito potencial desperdiçado

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Quando o espectador assiste a um filme romântico, a sensação é basicamente a mesma: ele se apaixona e sofre junto com o casal. É fácil se render aos dramas, principalmente aos que envolvem pessoas apaixonadas, mas o que parece é que existe uma única fórmula para produzir romances. Na maioria das vezes, o “cara perfeito” se interessa pela garota dedicada e altruísta; eles têm problemas durante a relação, mas há sempre uma boa possibilidade de um final feliz. Com Uma Longa Jornada não é diferente, mas ele apresenta peculiaridades no enredo e na produção, que se não o torna memorável, pelo menos lhe permite um período de admiração por parte do público.

Dirigido por George Tillman Jr, o longa é uma adaptação do romance homônimo de Nicholas Sparks. Ele traz a história de Sophia Danko (Britt Robertson), uma universitária que está prestes a se mudar para Nova York a trabalho, e Luke Collins (Scott Eastwood), um peão de rodeios. Enquanto o casal tenta se decidir entre o relacionamento e a carreira profissional, eles conhecem Ira Levinson (Alan Alda), um senhor que permanece apaixonado por sua falecida esposa Ruth (Oona Chaplin). As histórias dos dois casais são contadas simultaneamente e reúnem flashbacks e muitos outros fatos em um curto espaço de tempo. No entanto, a cronologia é eficaz, o que é um diferencial.

A obra possui, ainda, um elenco primoroso. Mesmo com o pouco desenvolvimento da personagem Sophia, Britt Robertson se saiu bem como protagonista, principalmente nos momentos de tensão. Ela e Scott constroem uma boa química, o que é importante nos filmes do gênero. O destaque, no entanto, vai para Jack Huston, que interpreta Ira na juventude. Sua performance durante toda a trama é a que mais comove e encanta o público, tanto pela vivacidade quanto pela sutileza. Apesar do papel pequeno, Melissa Benoist também não passa despercebida: sua breve participação como melhor amiga de Sophia merece créditos por trazer o lado cômico, mas na medida certa.

Outra peculiaridade é a construção da história de Ira e Ruth: ela traz um casal feliz, mas que não é perfeito. Juntamente com o carisma de Oona Chaplin, pode-se dizer que foram eles que salvaram o filme. Não fosse isso, a trama envolvendo Sophia e Luke seria rasa e forçada. Seus problemas seriam pouco complexos e tornariam toda a produção cansativa, pois levariam a obra toda para decidir se irão mesmo ficar juntos. Ira e Ruth, por outro lado, dão peso e influenciam diretamente a construção do relacionamento do casal principal. Eles se aproximam do real e trazem mais sensibilidade ao longa.

Além de envolver guerra e falar sobre “o amor que exige sacrifícios”, o filme também é bastante sensitivo de maneiras mais delicadas. Ele faz referência a outras épocas ao enfatizar em algumas imagens o toque. Também utiliza as cores azul e vermelho em uma das cenas de sexo, o que faz lembrar películas antigas. Este recurso permite que o espectador perceba a evolução do casal Sophia e Luke à medida em que eles se aproximam das lembranças de Ira. Outro detalhe eficiente na produção é a trilha sonora, que inclui nomes como Ryan Adams. Nas mãos de Mark Isham, ela se encaixa perfeitamente ao cenário.

Uma Longa Jornada é muito bem produzido. Cheio de boas intenções, peca somente por desperdiçar o grande potencial que tem e apostar em um romance mais cômodo e comum. Com uma história completa, falta pouco para inovar e sair dessa “fórmula batida” de fazer filmes da categoria. O longa se destaca pela força do casal antigo e não dos protagonistas, mas ambos têm muito a oferecer. Por isso, um enredo mais corajoso e aprofundado acerca de Sophia e Luke traria novas possibilidades para uma trama que se torna previsível. Um desperdício que não afeta toda a qualidade da produção, que do elenco ao cenário, agrada e encanta. Apesar de não se destacar dos demais trabalhos do gênero, é uma obra convincente, daquelas que roubam suspiros da plateia.

Confira o trailer:

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