tron ares

A importância de Tron para Hollywood

Tron: Ares chega aos cinemas em 2025, unindo Jeff Bridges e Jared Leto em uma jornada que continua o legado tecnológico e visual da saga.

Ed Rezende
Ed Rezende
Produtor, escritor nas horas vagas, administrador, editor e fundador do site CDL.

O filme Tron: Ares, com estreia marcada para este ano nos cinemas, é um dos projetos mais significativos na história de Hollywood, especialmente devido ao contexto atual no campo da tecnologia de inteligência artificial.

- Anúncios -

Com o lançamento do primeiro filme da franquia, Tron: Uma Odisseia Eletrônica, a visão que tínhamos da tecnologia era bem diferente, embora já imaginássemos como ela poderia ser no futuro e as revoluções que traria. O que poucos sabem é que, mesmo sendo lançado por um grande estúdio, o longa era uma produção experimental.

No primeiro longa, acompanhamos a história de Kevin Flynn (Jeff Bridges), um programador que decide acessar os arquivos de uma empresa que o demitiu para provar a autoria de projetos de games roubados por um colega de trabalho. Porém, ao tentar obter os dados, ele acaba sendo transportado para um sistema desconhecido, onde precisa lutar para sobreviver. O grande vilão da trama é a IA que comanda o jogo.

- Anúncios -
Tron

Jeff Bridges como Kevin Flynn no mundo real de Tron

Já no primeiro filme, somos apresentados a visuais impressionantes que surgiram da mente do criador original da história, Steven Lisberger, um animador profissional que teve a ideia enquanto jogava Pong, um dos primeiros jogos do console inicial de muitos, o Atari.

Além de Lisberger, que também dirigiu o filme, a produção contou com a consultoria de Alan Kay, um dos pioneiros da área. Os visuais foram trazidos à vida pelas artes conceituais do designer futurista Syd Mead e do quadrinista francês Jean Giraud. Curiosamente, o filme foi lançado poucos meses antes da internet ser apresentada ao mundo.

- Anúncios -

A ideia era incrível, mas era preciso convencer os engravatados de Hollywood de que era viável. Assim, a única empresa que aceitou financiar o filme foi a Disney, com o aval do presidente da época, Dick Cook, que nem imaginava que o projeto mudaria tudo em Hollywood.

Antes de Matrix veio Tron

O filme dependia de computação gráfica para se concretizar, mas o CGI sempre foi algo caro, independentemente da época. Apesar de já existirem filmes utilizando efeitos especiais, ele foi o primeiro a usar essa tecnologia em grande escala, aplicando-a em cenários, veículos e até personagens. O vilão Programa Master Control é considerado o primeiro personagem de computação gráfica com atuação.

Pelo menos quatro empresas se uniram para produzir o filme para a Disney, utilizando técnicas únicas que cada uma dominava, resultando em algo excepcional. Em uma entrevista para a edição especial de 20 anos do filme, o animador Bill Kroyer relembrou a dificuldade de traduzir as ideias do cinema para os programadores: “eles nunca tinham feito um filme e nós nunca tínhamos usado computadores”.

tron 2

David Warner interpretou a IA Programa Master Control e seu lacaio, Sark

Um dos aspectos mais marcantes da franquia é a aparência neon dos personagens, que conferia um ar futurista. Para alcançar esse efeito, foi utilizada uma técnica inédita no filme, chamada de backlit animation, onde os atores eram filmados com figurinos e cenários completamente em preto e branco. Esse processo trouxe um desafio adicional aos intérpretes, que precisavam imaginar tudo o que estava ao seu redor.

Depois das gravações, cada quadro do filme foi dividido em camadas que foram tratadas individualmente, recebendo cores, objetos criados por computador e outros elementos. Um processo minucioso que aproximou os criadores do personagem principal da história. Como disse Bill Kroyer:

“A ideia de Flynn ir para esse novo mundo e fazer todas essas descobertas foi uma metáfora para o que fizemos, enquanto trabalhadores. (…) Foi um privilégio raro e empolgante trabalhar em um campo em que todos os dias você percebe que pode fazer algo que ninguém fez antes. Poucos artistas têm essa chance, e essa é uma das melhores coisas em trabalhar com computação gráfica desde então.”

tron 3

Jeff Bridges e Cindy Morgan no mundo virtual da Grade em Tron

Tron, um marco na indústria

O primeiro Tron arrecadou US$ 50 milhões nos EUA. Considerando o índice oficial de preços ao consumidor dos EUA (CPI), a inflação acumulada de 1982 até agosto de 2025 é de aproximadamente +205%. Isso significa que o poder de compra desses US$ 50 milhões em 1982 seria equivalente a cerca de US$ 152,5 milhões, tornando-se a maior bilheteria de um filme live-action da Disney por cinco anos. Apesar de enfrentar dificuldades para se tornar um grande sucesso na época, o filme foi um marco cultural para a Disney e gerou um impacto duradouro na indústria.

A Disney foi acusada de trapaça pela Academia do Oscar por usar computadores para criar efeitos. No entanto, logo depois, vários filmes começaram a adotar essa tecnologia. Como disse o diretor John Lasseter: “sem Tron, não haveria Toy Story”. Da mesma forma, provavelmente não existiriam Gollum, de O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (2001), ou os Na’Vi, de Avatar (2009), ambos vencedores do Oscar por seus efeitos visuais.

tron 4

Jared Leto e Jeff Bridges se encontram no mundo virtual de Tron: Ares

Tron: Ares é um dos filmes mais esperados de 2025. Dirigido por Joachim Rønning (Malévola: Dona do Mal), o longa contará com o retorno de Jeff Bridges e seguirá Ares, um programa da Grade interpretado por Jared Leto (Blade Runner 2049), enviado para cumprir uma missão no mundo real.