Pega o terço que lá vem pedrada? Não sei.
Confesso que passei muito tempo pensando em como escrever a crítica de Invocação do Mal 4: O Último Ritual forma justa. Não queria que o foco principal fosse “parece os Vingadores de Jesus”, algo que senti bastante em grande parte dos filmes do “Invocaverso“.
Considerando que tudo em um filme é colocado com intenção e propósito, este parece uma mistura de final de novela com episódio de Supernatural. Veja bem, a todo momento é enfatizado que essa história, esse caso, foi o mais desafiador e custoso para os Warren, que quase destruiu a família para sempre. No entanto, em nenhum momento me senti convencida disso ou consegui sentir o peso dos acontecimentos.

O filme apresenta duas narrativas paralelas que ocupam ⅔ de sua duração: a história da família lidando com um encosto e a vida doméstica dos Warren em uma espécie de semi aposentadoria. Quando essas tramas se encontram, o desfecho resulta em um clímax paradoxalmente anticlimático.
Lorraine Warren insiste que nada no mundo a fará voltar a investigar casos sobrenaturais, dizendo que precisa se afastar pelo bem dela, do marido e da filha. Mas, em questão de minutos, ela é convencida a fazer exatamente o oposto. Após isso, não há qualquer conflito sobre o peso dessa decisão ou o custo de se expor novamente ao sobrenatural. Tudo parece sem consequência, e a solução, infelizmente, acaba sendo resolver o problema com o poder do amor e da amizade.

“Invocação do Mal 4: O Último Ritual” realmente coloca o ritual por último, deixando os detalhes do caso completamente de lado. Essa escolha me incomodou bastante, pois, mais uma vez, trata-se do caso que quase destruiu os Warren.
A introdução do coisa ruim foi feita de forma magistral, um demônio que vive em um espelho bem macabro ataca Lorraine e quase leva junto sua filha, ainda para nascer. Anos depois eles são confrontados com esse mesmo demônio, o que era pra ser uma premissa assustadora, e no começo foi mesmo, até tudo virar um grande picolé de chuchu.
Claro, o roteiro até dá umas pontadas sobre as sequelas desse encontro e da fixação do demônio com a Judy que está entrando na sua era Márcia Sensitiva. Apesar disso, e da superficial apresentação das técnicas para lidar com a mediunidade, esse conflito é deixado de plano de fundo para apresentar o noivo de Judy ao público.

É difícil entender se o objetivo desse filme é criar uma narrativa intimista estilo “slice of life” dos Warren, explorando as nuances do trabalho da família no dia a dia, ou se é abordar o pior caso da carreira deles. Seja qual for a intenção dos realizadores, ambas as opções foram executadas de forma medíocre, com um drama familiar digno de novela adolescente e um demônio “malvadão” que, na hora H, é xoxo, capenga e anêmico. O roteiro nem se preocupa em mostrar a motivação do “mochila de criança”, dar um nome ou qualquer profundidade a ele.
Ele é malvado porque é malvado e ativa ou desativa sua maldade conforme o filme exige uma cena de exorcismo para justificar o título. Pessoalmente, o filme não me assustou. Os efeitos especiais são dentro do esperado, e os jagunços do “sete pele do espelho” até têm uma caracterização interessante. Mas o interesse é puramente visual, já que aparentemente desenvolver o motivo desses espíritos estarem sendo usados como marionetes do capeta é irrelevante. E, claro, mais uma referência desnecessária à Annabelle para completar!

Minha comparação com “Supernatural” foi exatamente por conta desse estilo de “filler” e “monstro da semana”, em vez de toda a grandiosidade que se espera de uma conclusão tão aguardada. Prometem o “mais e maior”, mas no final tudo é resolvido com uma reviravolta forçada. As ações não têm consequência alguma, e os protagonistas ganham imunidade automática assim que suas fraquezas e dilemas poderiam atrapalhar a correria e o caos do final do filme. (Sério, se essa criatura é tão RUIM a ponto de fazer um sacerdote experiente SE MATAR, por que DIABOS isso não é explorado?)
Invocação do Mal 4: O Último Ritual é para quem já imaginou como seria o final de uma novela das 7, caso a Globo decidisse apostar na mais clichê história de exorcismo possível para o horário nobre. Teve até casamento no desfecho, com água e salsicha sendo servidas aos convidados.




