O Novo Testamento (2025) é carregado de visões concretas, versos verdadeiros e muito rap! Ajulia Costa, vencedora do Best New International Act no BET Awards 2025, lançou seu segundo álbum de estúdio. Com nove faixas, uma intro e interlúdio, a produção destaca os ideais da artista sobre diversas questões da sociedade atual – colocando em pauta relacionamentos, indústria da música, empoderamento feminino, política e muito mais (confira a crítica completa ao longo da matéria).
Ajulia Costa tem crescido na indústria nos últimos anos, se consolidando na música e principalmente no rap, e o novo álbum mostra isso de forma marcante. Durante o lançamento do projeto, a rapper destacou a proposta construída nas 11 músicas que compõem o disco: “Mesmo com essas reflexões, ainda acho que o disco não responde essas perguntas. O Novo Testamento (2025) é um marco para mim. Foi um processo no qual eu me conectei muito comigo mesma. A criação do álbum tem tudo a ver com a minha vida”.
Toda a proposta escolhida pela artista funciona muito bem, suas visões são colocadas em jogo com rimas que constroem a narrativa do álbum de forma clara. O Novo Testamento (2025) tem todos os elementos de um projeto que realmente entrará para a história – não é simplesmente um álbum de rap, é a história da música brasileira sendo feita. No cenário atual, uma grande porcentagem de artistas produz apenas músicas comerciais que viralizam nas redes sociais, mas, na realidade, não são essas canções que se tornam atemporais – os artistas de TikTok dificilmente criam uma marca que atravesse gerações, e esse é um dos pontos colocados em cheque por Ajulia Costa.
A intro e o interlúdio são ligados diretamente a tudo nesse álbum, produzidos com maestria – ao escutar as faixas em sequência, você não percebe quando uma começa e a outra termina. Mesmo com batidas diferentes, ainda proporcionam a sensação de estar diante de uma história completa.
No verso “Eu mudo a energia, boto fogo nessa porra. Mudo o jogo, muda tudo se eu abro minha boca. Baby, eu gero debate, isso que é fazer rap” (“Toc Toc Toc”) e “Afinal de contas, o que é arte? Forma de expressar minha experiência mundana. Vejo eles fazendo o que parece até bacana, mas no final de tudo é só um vazio enorme”, ela faz um paralelo à cena do rap. Principalmente quando falamos de artistas masculinos, é possível observar uma certa dificuldade desses artistas em relação à diversidade na construção: produzir músicas somente sobre drogas, sexo e relacionamentos não é mais suficiente. Esse questionamento, inclusive, se estende a outros gêneros da música brasileira
Já em “O que a Julia vai ser?”, Ajulia Costa reflete: “Tempo pra pensar no que AJULIACOSTA quer. Ter notoriedade em cima de uma atrocidade. Ganha grana fácil, mas esqueci, eu não sou branca, muda, talvez seja melhor eu tentar outro caminho. Fazer um som meia-boca e depois divulgar tigrinho. Parece normal, mas eu tenho uma coisa: consciência social”.
Em “Pense como uma diva” e “Sob a luz do seu olhar”, Ajulia Costa mostra sua força e transmite sua visão sobre personalidade e relacionamentos, reforçando a importância de saber o próprio valor e não romantizar relações tóxicas. As canções funcionam como um mantra diário, um lembrete de que é preciso dominar o cenário.
Além dessas, as faixas “Intro”, “Quero saber”, “Dharma”, “Liberdade”, “Interlúdio [Mini Saia]” e “Fiel a mim” contribuem para que o projeto se torne um sucesso. A estética dessa fase de Ajulia Costa consegue transmitir perfeitamente a energia das músicas para o público. O disco conta com a produção de nomes notáveis como Maffalda, Nave Beatz, Greezy e Mau Mau. Uma das faixas, “Sob a Luz do Seu Olhar”, traz a colaboração especial de DJ KL Jay e Alt Niss.
Em resumo, Ajulia Costa compartilha de maneira épica sua trajetória e crescimento na indústria da música e na cena do rap. O Novo Testamento (2025) é o melhor álbum do ano, se destacando pela profundidade, composição, estética e autenticidade. A artista soube usar as referências do rap para trazer ainda mais personalidade, solidificando seu lugar no cenário musical brasileiro.




