The Boys foi uma ideia que acertou no timing ao revitalizar um gênero já desgastado, apresentando-o sob uma ótica mais cínica e gore, além de equilibrar habilmente o tom entre comédia e sátira política. O mesmo não pode ser dito da segunda temporada de Gen V, que parece perder o foco e não ter muito mais a acrescentar ao debate — apoiando-se em plot twists previsíveis, cenas de ação pouco inspiradas e cameos que remetem aos piores excessos da Marvel (estou falando de você, Doutor Estranho 2).
Frases marcantes e bem escritas como “As pessoas gostam do que eu tenho a dizer. Elas acreditam nisso. Elas simplesmente não gostam da palavra nazista, é só isso.”, dita por Tempesta no final da segunda temporada da série mãe, mostravam que a adaptação dos quadrinhos ia além da violência gratuita, criticando diretamente o absurdo das ideologias da extrema direita americana.

Gen V parecia seguir um caminho semelhante, tratando dos mesmos debates sob o olhar do público jovem e mostrando as consequências que esse mundo quase distópico trazia para a vida dos seus personagens. Infelizmente, “consequência” é uma palavra que só existe nesta crítica — e nos primeiros dez minutos da segunda temporada.
Grande parte dos problemas deixados no final do primeiro ano é convenientemente resolvida logo de cara, lembrando aquelas séries dos anos 2000 que encerravam temporadas com ganchos enormes apenas para, na sequência, voltarem ao status quo com medo de perder o público. Mas não estamos mais nos anos 2000 — e hoje esse tipo de artifício salta ainda mais aos olhos, expondo a falta de criatividade na hora de desenvolver uma nova temporada.

Embora o início seja fraco narrativamente, aos poucos Gen V parecia prestes a explorar bem as consequências da reta final de The Boys e a tomar decisões realmente relevantes para seus personagens — permitindo que cresçam e sofram o peso dos próprios atos. Mas isso nunca acontece. A série novamente escolhe o caminho mais previsível e genérico com um final que tenta se aproximar de um prólogo da temporada final da série original
Há ainda a tentativa de inserir um mistério envolvendo o antagonista — que, no começo, até desperta curiosidade — mas logo é resolvido de forma óbvia, gerando aquela sensação frustrante de “como esses personagens não perceberam isso?”.

O ponto positivo fica por conta do elenco, especialmente pela adição do carismático Hamish Linklater, que transita com facilidade entre o tom ameaçador e o cômico. O grupo original mantém a boa química estabelecida na primeira temporada, mesmo que o texto oferecido pra eles não seja dos melhores.
Infelizmente, Gen V recua na hora de amadurecer sua narrativa e seus personagens, restando recorrer a cameos da série principal para dar algum tipo de validade para os eventos arrastados dos 8 episódios. Com boas atuações que tentam salvar uma produção com pouca substância, a sensação que fica é que essa reunião poderia ter sido um e-mail.




