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Crítica | ‘Wicked: Parte 2’ supera as fofocas de bastidores e entrega magia pura

Apesar das polêmicas e do CGI, Wicked: Parte 2 emociona com atuações perfeitas de Ariana Grande e Cynthia Erivo. Confira nossa crítica.

Maria Laura
5 Min Ler
8 Muito Bom
Wicked: Parte 2

Um ano atrás, eu escrevia minha crítica da primeira parte de Wicked com um conhecimento modesto sobre o musical, o elenco e a obra em si. Um ano depois, apesar de não ter me tornado uma acadêmica da obra original, sinto que tenho um olhar mais amplo. Isso me permitiu ter uma experiência muito mais aprofundada desta sequência tão aguardada, Wicked: Parte 2.

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Antes de falar do filme, vamos tirar a “bolha rosa flutuante” da sala: sim, estou com um certo “bode” de Ariana Grande após o fiasco de sua ausência na pré-estreia em São Paulo. Às vezes, me dá uma agonia extrema observar a forma como as atrizes principais se comportam nas entrevistas, a ponto de eu me perguntar se o encosto da maldição do set original de O Mágico de Oz está assombrando a produção.

Wicked: Parte 2

O “extra campo” desses filmes é fascinante por si só, com polêmicas de bastidores, rumores de traições e até brigas envolvendo edições de fãs no pôster oficial. Contudo, entretanto e todavia, é impossível não tirar o chapéu para a dupla de protagonistas quando as luzes se apagam e o filme começa.

Dá para ver que existe uma conexão quase espiritual das atrizes com as personagens; chega a ser algo místico. O carinho, o afinco e a profunda entrega — que chega a ser uma rendição — de Ariana e Cynthia Erivo para Glinda e Elphaba transbordam da tela. Não deve ser nada fácil cantar todas as canções que exigem técnica e potência vocal absurdas, ainda mais combinando isso com coreografias complexas. A dupla sustenta tudo no gogó.

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E que gogó! O esforço torna-se ainda mais admirável quando lembramos que a produção fez questão de captar o áudio cantado ao vivo, dentro dos sets de filmagens, sem depender de playback estéril. O tom cômico do musical da Broadway acompanha a narrativa, que, mesmo sendo considerada por alguns como mais “bobinha”, consegue passar um recado afiado sobre propaganda política e sistemas de poder.

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A forma como o preconceito e a construção de narrativas foram escritos e executados realmente me surpreendeu. É uma abordagem simples e direta, porém abusa da plasticidade, da teatralidade e do simbolismo inerentes ao gênero para ditar um tom de urgência. O filme convida o espectador a mergulhar mais na fossa de uma sociedade perdida em suas próprias mentiras.

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Visualmente, no entanto, Wicked: Parte 2 me trouxe um pouco mais de fadiga visual do que seu antecessor. Em vários momentos, me peguei pensando tal qual o “tio do pavê”: “isso aí é computador, é tudo computador”. Algumas cenas passaram aquela sensação de artificialidade, como um sorvete de sabor “unicórnio” ou um doce azul radioativo. Foi o fantástico virando… plástico.

Fora esse pequeno incômodo particular, que com certeza não deve afetar a experiência do grande público, não tenho mais nenhuma consideração criteriosa ou “alfinetada“. Wicked: Parte 2 é uma obra completa. As atuações estão perfeitas e os figurinos são deslumbrantes. Você ri quando tem que rir, chora quando tem que chorar, sente raiva de quem merece e ama muito quem precisa ser amado.

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A sensação de sair da sessão foi de plenitude, de que “não tem o que falar”. A adaptação de Wicked para o cinema é uma epopeia, uma ode à magia e o superlativo de tudo o que é bom. O filme reúne todos os elementos que fazem da sétima arte a força transformadora que ela é. Com um final arrebatador, é impossível que até os corações mais gelados não se derretam com a potência visual e sonora apresentada.

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Mesmo eu não tendo uma relação pessoal tão profunda com a obra original, foi lindo ver grande parte da minha sessão emocionada, se debulhando em lágrimas, completamente movida com aquilo que estava em tela.

Apesar de ter alguns deslizes aqui e ali, Wicked vai entrar para a história das adaptações e dos musicais, consagrando-se, antes de tudo, como uma obra que veio do amor. A transformação do teatro para o cinema pode não ter sido tecnicamente perfeita, mas foi “para o bem e para sempre”.

Wicked: Parte 2 está em exibição nos cinemas.

Wicked: Parte 2
Muito Bom 8
Nota 8
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