Quentin Tarantino, amplamente reconhecido como um dos maiores diretores e roteiristas da história do cinema, levantou uma discussão controversa sobre uma das franquias mais populares do século. O cineasta afirma categoricamente que a saga Jogos Vorazes, escrita por Suzanne Collins, é o resultado de um plágio direto da obra Battle Royale. A acusação traz à tona comparações entre o sucesso de Hollywood e o clássico cult japonês que definiu o gênero de sobrevivência distópica anos antes de Katniss Everdeen surgir nas livrarias.
O diretor de sucessos como Bastardos Inglórios e Pulp Fiction argumenta que a premissa de Collins é uma cópia injustificada do romance Battle Royale, publicado originalmente por Koushun Takami em 1999. A obra japonesa foi adaptada para os cinemas em 2000 pelo diretor Kinji Fukasaku, tornando-se um marco na cultura pop asiática. Em ambas as histórias, o público é apresentado a uma competição brutal onde jovens são forçados por um governo totalitário a lutar até a morte em um ambiente confinado, restando apenas um sobrevivente.
A indignação do cineasta foi registrada durante sua participação no podcast de Bret Easton Ellis. Tarantino não poupou palavras ao expressar sua incredulidade sobre a falta de repercussão legal contra a autora americana.
Ele declarou que Battle Royale serviu de base óbvia para a criação de Collins e questionou como o escritor japonês não processou a autora por cada elemento similar presente na obra. Para o diretor, a franquia americana simplesmente “arrancou” o conteúdo do livro original, replicando a estrutura narrativa sem dar o devido crédito ao material fonte que revolucionou o gênero.

Por outro lado, Suzanne Collins mantém sua defesa sobre a originalidade de sua criação. Quando questionada pelo The New York Times em 2011, a autora afirmou desconhecer a existência do livro ou do filme japonês até finalizar o primeiro manuscrito de Jogos Vorazes. Segundo Collins, quando a semelhança foi apontada, seu editor a aconselhou a não consumir a obra japonesa para evitar que aquele mundo interferisse em seu processo criativo, sugerindo que ela continuasse desenvolvendo sua própria narrativa sem influências externas.
Tarantino, no entanto, acredita que a crítica literária ocidental falhou em notar as semelhanças gritantes simplesmente por ignorância cinematográfica. Ele argumenta que os críticos de livros, em sua maioria, não assistem a filmes japoneses de nicho como Battle Royale, e por isso, aclamaram a obra de Collins como algo inédito e original. Essa falta de referência cultural por parte dos avaliadores teria permitido que Jogos Vorazes fosse celebrado como uma ideia inovadora, quando, na visão do diretor, era uma reciclagem de um conceito já existente.
O livro Battle Royale citado por Tarantino foi criticado no Japão
Vale ressaltar que Battle Royale causou um enorme impacto cultural e social no Japão após seu lançamento. A obra foi alvo de críticas severas por parte da sociedade civil e de políticos devido à sua representação gráfica de violência entre estudantes uniformizados.
O filme chegou a receber classificação indicativa para maiores de 15 anos e gerou debates acalorados no parlamento japonês, provando que, muito antes de Panem, a distopia de jovens lutando pela vida já havia chocado e fascinado o mundo.




