Uma troca de e-mails revelada neste fim de semana reacendeu uma controvérsia envolvendo Harry Potter e a Criança Amaldiçoada e o nome de Jeffrey Epstein. A narrativa inicial sugeria que o abusador teria sido convidado para um evento ligado à produção na Broadway, mas novas informações indicam que a situação foi diferente do que se especulou.
Segundo apuração do Deadline, Epstein demonstrou interesse em comparecer a um evento da produção teatral em 2018 e chegou, de fato, a receber dois convites. No entanto, ele não conseguiu acessar o local e acabou sendo barrado já na entrada, sem participar da celebração.
A confusão teve início a partir de e-mails enviados por Peggy Siegal, uma publicitária americana do showbiz e associada de longa data de Epstein. Em uma das mensagens, ela procurou o chefe da Playground Entertainment, Colin Callender, mencionando que um “amigo muito importante” gostaria de assistir ao espetáculo, sem citar nomes naquele primeiro contato.

Após a resposta inicial, Siegal passou a se comunicar com um membro da equipe da produção e, nesse momento, mencionou explicitamente o nome de Epstein, pedindo que o contato fosse feito com o assistente do financiador. Callender afirmou ao Deadline que nunca foi informado sobre a identidade de Epstein como convidado pretendido e ressaltou que ele não constava na lista oficial de cerca de 1.600 convidados do evento.
Mesmo com ingressos enviados, os próprios e-mails indicam que a tentativa de entrada fracassou. Em mensagem enviada a Siegal no dia seguinte, Epstein afirmou que seu nome não estava na lista da porta e que, por isso, não conseguiu entrar. Ele classificou o episódio como um contratempo, sem maiores consequências.
A reação de Siegal, no entanto, foi de indignação. Ela enviou um e-mail à equipe da Playground descrevendo o ocorrido como “terrivelmente perturbador” e dizendo estar “extremamente envergonhada”, além de exigir um pedido formal de desculpas. Segundo Callender, nenhum pedido de desculpas foi feito pela produção.

Diante da repercussão, J.K. Rowling se manifestou em uma publicação no X/Twitter. Respondendo a um usuário que a acusava de ter convidado Epstein anos após sua condenação, a autora foi categórica ao negar qualquer envolvimento ou contato com o criminoso, afirmando que nem ela nem sua equipe jamais o conheceram, se comunicaram ou o convidaram para qualquer evento.
Atualmente, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada segue em cartaz normalmente no Lyric Theatre, em Nova York, enquanto o caso reforça o debate sobre associações indiretas, responsabilidade institucional e a rápida disseminação de interpretações imprecisas nas redes sociais.


