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Crítica 2 | O Morro dos Ventos Uivantes é um filme feito sem tesão

O Morro dos Ventos Uivantes é uma obra que não acrescenta em nada o trabalho já feito nos cinemas e na literatura sobre a obra.

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O Morro dos Ventos Uivantes

O romance O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë é um dos maiores clássicos da literatura e mantém sua imortalidade há séculos. Mais do que uma simples história de amor, é uma tragédia impregnada de ódio e vingança.

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A obra, que já inspirou inúmeras adaptações em diversas mídias, teve sua primeira versão para o cinema em 1920, dirigida pelo britânico A.V. Bramble, que infelizmente é considerado um filme perdido. Anos depois, em 1939, chegou a versão consagrada do cineasta William Wyler ( Ben-Hur), estrelada por Laurence Olivier (Hamlet) e Merle Oberon (Expresso para Berlim), que permanece bastante apreciada pelo público.

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Nas décadas seguintes, novas adaptações dessa obra atemporal continuaram a surgir. Em 2026, temos mais uma produção, que promete trazer uma abordagem diferente. Sob a direção de Emerald Fennell (Saltburn), que traz sua versão de “O Morro dos Ventos Uivantes” explorando temáticas de erotismo e sadomasoquismo. No entanto, essa visão parece abdicar de vários elementos cruciais da obra original.

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A premissa básica de “O Morro dos Ventos Uivantes permanece“: A tragédia se desenrola quando Heathcliff (Jacob Elordi) se apaixona por Catherine Earnshaw (Margot Robbie), uma mulher de família rica na Inglaterra do século XVIII. No entanto, desde seu anúncio, o longa coleciona controvérsias: a abordagem erótica, a escolha do elenco e, sobretudo, o branqueamento do personagem Heathcliff – aspecto mais polêmico da adaptação. Sua pele parda, origem cigana e a vingança contra seus agressores são apagadas, transformando-o em um jovem rancoroso e patético, e acaba se tornando “o coitadinho” que é facilmente manipulável pelas personagens femininas.

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Não há problema em autores revisitarem obras aclamadas com uma nova visão. É corajoso? Sem dúvida. Mas a adaptação de Fennell toma decisões que a tornam desinteressante e monótona. Como já mencionado, a realizadora explora o erotismo e a satisfação derivada da dor – tema estabelecido já na abertura, quando os personagens demonstram prazer diante de uma execução em praça pública, e a influência da estética BDSM se faz presente em cenários (com simbolismos bastante óbvios), figurinos e nas interações entre os personagens. Contudo, o erotismo não consegue ir além de uma provocação ordinária e tendo a dramaticidade oca.

A relação entre Heathcliff e Catherine é construída sobre uma dinâmica de submissão que remonta à infância. Apesar da afeição genuína de Cathy, ela o trata como um “bicho de estimação”, e Heathcliff aceita essa dominação por amor, forjando uma conexão doentia e codependente. Não espere complexidade, pois a cineasta não extrai nada desse romance barato, além de fetiches vazios (tantas cenas provocantes sem nenhum peso). O filme tenta retratá-la como profundo, entretanto o resultado é superficial e acaba caindo no clichê da garota rica e do garoto pobre.

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Cathy e Nelly Dean (Hong Chau) são representas como personagens manipuladoras e até cruéis. Essa caracterização soa estranha e misógina, vinda de uma cineasta que dirigiu “Bela Vingança”.

O Morro dos Ventos Uivantes

Fennell não consegue criar um vínculo entre o público e seus personagens, pois quase todos são insuportáveis – com a notável exceção de Isabella Linton (Alison Oliver), que é extremamente divertida e carismática.

“O Morro dos Ventos Uivantes” falha em vários aspectos. No entanto, a cinematografia de Linus Sandgren (Babilônia) se destaca, com suas cores vibrantes que lembram uma pintura( é um deleite visualmente), assim como a poderosa trilha sonora composta por Charli XCX e John Cale (Psicopata Americano). É uma pena que a reimaginação de Fennell acabe sendo um amálgama de ideias interessantes com uma execução vergonhosa.

O Morro Dos Ventos Uivantes estreia nos cinemas no dia 12 de fevereiro.

O Morro dos Ventos Uivantes
Muito Ruim 4
Nota 4