Uma nova geração de ferramentas de inteligência artificial tem sacudido as estruturas da indústria criativa. Com uma fidelidade visual impressionante, a tecnologia foi capaz de criar uma cena de luta realista protagonizada por versões digitais de Tom Cruise e Brad Pitt, reacendendo o debate sobre o futuro do cinema.
Apesar de alguns detalhes digitais ainda serem perceptíveis para olhos mais atentos, a qualidade da cena chocou grande parte do público. No entanto, para muitos profissionais do setor, esse avanço técnico não é motivo de celebração, mas um sinal alarmante, muitas vezes descrito como o prenúncio da “morte da arte” conforme a conhecemos.
Reid Southen, ilustrador conceitual renomado com créditos em grandes produções como Alien: Earth, Matrix e franquias da Marvel e DC, foi categórico em sua análise crítica. Para o artista, a IA deve ser encarada como um produto de consumo passivo, e não como uma verdadeira ferramenta criativa.
Southen argumenta que o ato de digitar comandos e aguardar um resultado remove a agência do artista. Ele compara a exibição dessas obras a contar um sonho confuso, afirmando que ninguém se importa realmente com o resultado, exceto a própria pessoa que digitou o comando, pois falta a conexão humana e o esforço intrínseco à arte.
A visão pessimista é compartilhada por Scott Jeschke. O diretor e roteirista alerta que o colapso de Hollywood levaria junto todos os criadores de conteúdo de IA. Ele projeta um futuro onde plataformas de streaming se tornariam meros geradores de conteúdo sob demanda de baixa qualidade.

Jeschke ilustra um cenário hipotético no Disney+, onde usuários pediriam filmes personalizados, como “Tom Cruise interpretando o Homem de Ferro”. O resultado seria o fim da cultura compartilhada, sem estreias ou debates, já que cada pessoa estaria isolada assistindo às suas próprias produções artificiais.



