A franquia iniciada em Pânico nunca foi apenas sobre um assassino mascarado. Sempre foi sobre comentar o próprio terror, desconstruir regras e rir da indústria enquanto a faca atravessava o peito de alguém. Em Pânico 7, o jogo muda: o comentário metalinguístico dá lugar a um drama mais pessoal — e é justamente aí que o filme acerta e tropeça.
O retorno de Neve Campbell não é apenas nostalgia; é estrutura dramática. Sidney não é mais apenas sobrevivente — é mãe. A ameaça agora não mira apenas seu passado, mas seu legado. Essa mudança dá ao filme uma camada emocional que a franquia não explorava com tanta maturidade desde o original.

A relação mãe-filha funciona. Há peso. Há trauma geracional. Há algo real em jogo. E quando o roteiro permite que a tensão respire, o filme encontra momentos genuinamente fortes no conflito geracional e o tema do trauma herdado.
O elenco coadjuvante cumpre bem seu papel. Alguns personagens têm momentos intensos nas cenas de perseguição, especialmente porque o filme opta por mostrar vítimas que reagem e lutam mais pela sobrevivência — o que prolonga o clímax e aumenta a tensão. No entanto, nem todos recebem desenvolvimento suficiente para gerar impacto emocional duradouro. Porém Isso não é suficiente para sustentar duas horas de filme.
O problema da repetição disfarçada de homenagem aonde há uma diferença entre reverência e dependência.

Callbacks, diálogos que ecoam frases clássicas, situações que espelham eventos do primeiro filme — tudo isso pode funcionar como fechamento de ciclo. Mas aqui, muitas vezes, soa como checklist. A sensação de déjà vu não vem como homenagem elegante; vem como reciclagem segura.
E isso é especialmente problemático numa franquia que sempre se orgulhou de ser autorreferente e crítica do próprio gênero. Se o primeiro filme desmontava as regras do slasher, o sétimo parece confortável demais em repeti-las.
Visualmente, o filme é elegante. A fotografia aposta em contrastes fortes, ambientes escuros e iluminação pontual que favorece a tensão. Há um cuidado estético que remete às origens da franquia, mas com acabamento moderno.

A ambientação funciona especialmente nas cenas internas — corredores, casas e espaços confinados continuam sendo o território onde Pânico respira melhor. A direção de Kevin Williamson traz estabilidade. Há domínio do ritmo e compreensão do DNA da franquia, ainda que por vezes recorra demais ao jump scare previsível.
Mas o filme raramente arrisca. O retorno de personagens clássicos tem peso dramático real, quanto ao roteiro também brinca com clichês e subverte alguns deles — como a clássica regra de “atire na cabeça para garantir que o assassino esteja morto”. Essa autoconsciência é um dos elementos que ainda diferenciam a franquia dentro do gênero.
Depois de uma construção de suspense eficiente, a revelação final não atinge o impacto esperado. A motivação do vilão soa fraca e pouco conectada ao forte apelo emocional e nostálgico que o filme vinha cultivando. Falta complexidade psicológica e, principalmente, falta surpresa.

A motivação não traz a mesma complexidade de Billy Loomis ou mesmo da ambição distorcida vista em Pânico 4. A violência é eficaz, mas não memorável. Não há uma cena que imediatamente se inscreva no imaginário coletivo como a abertura do original.
É impossível ignorar o contexto. As saídas de Melissa Barrera e Jenna Ortega criaram uma divisão no fandom antes mesmo da estreia. O filme tenta se reestruturar emocionalmente em torno de Sidney — e consegue parcialmente — mas também revela a dificuldade de reposicionar uma franquia que estava em transição geracional.






