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Crítica | A Noiva “Punk-rock feminista”

O filme A Noiva, de Maggie Gyllenhaal, é um romance caótico e bastante inusitado.

8.5 Muito Bom
A Noiva

É uma grata surpresa ter um filme como “A Noiva!” sendo lançado por um grande estúdio e recebendo reconhecimento. Mas por que a estranheza? O longa esbanja criatividade e autoralidade, além de possuir uma energia caótica. Nos tempos atuais, seria difícil uma produção tão ousada chegar aos cinemas.

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Em “A Noiva!”, ambientado na Chicago da década de 1930, a pioneira cientista Dra. Euphronious (Annette Bening) traz uma jovem assassinada (Jessie Buckley) de volta à vida para ser uma companheira para o monstro de Frankenstein (Christian Bale). O que acontece em seguida está além do que qualquer um deles poderia imaginar. E, realmente, o público não está preparado para a experiência que o aguarda.

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É o segundo longa-metragem dirigido por Maggie Gyllenhaal (de Donnie Darko e do competente drama A Filha Perdida), e agora a cineasta apresenta uma releitura ousada de uma das personagens mais marcantes do terror. É impressionante a quantidade de ideias, temas e referências que o longa propõe desenvolver e, felizmente, consegue executá-las de forma satisfatória e bastante eufórica.

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“A Noiva!” traz uma visão punk-rock para a obra de Mary Shelley, especialmente para sua personagem central (é importante destacar que a Noiva de Frankenstein é uma criação original do filme de 1935). Dessa forma, a realizadora convida o espectador a mergulhar nesse mundo cartunesco e gótico.

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Feminismo, corrupção política e misoginia são alguns dos temas que “A Noiva!” aborda em sua narrativa estilizada (presente tanto na estética quanto na cinematografia), sem medo de enfrentá-los. A produção funciona como um manifesto pessoal de Gyllenhaal contra um mundo tomado pela extrema-direita e pelo ódio irracional às mulheres. Desde o início, a produção demonstra como as personagens femininas são tratadas com desprezo pela sociedade patriarcal. O mafioso Lupino (Zlatko Burić) é a representação desse patriarcado que pune a mulher e lhe rouba a voz (não é à toa que ele coleciona as línguas das mulheres que assassinou) por não desempenharem o papel que lhes foi designado.

Nossa protagonista é vítima de uma violência cruel simplesmente por ousar expressar suas convicções. Ressuscitada contra sua vontade, ela agora habita uma existência cujo propósito se revela profundamente incerto. Afinal, qual o sentido de ter uma vida quando seus próprios pensamentos e gostos são decididos por outras pessoas? É esse o questionamento central que a Noiva precisa enfrentar.

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Sem memórias de sua vida anterior, ela embarca em uma jornada para buscar sua identidade, enquanto (sem querer) se transforma em um símbolo de revolução entre as mulheres. A personagem é conduzida por um turbilhão de emoções, que são transmitidas com maestria através da performance fabulosa de Buckley.

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O Monstro de Frankenstein (Bale está excelente no papel) não quer uma companheira para o prazer carnal, mas sim para preencher sua solidão e viver seu próprio romance hollywoodiano. É uma criatura melancólica que buscou refúgio na arte, especialmente em sua paixão por filmes musicais.

É nesse ponto que surge o aspecto teatral de “A Noiva!”, onde o personagem (e a Noiva também) se expressa por meio da dança e da música. Os momentos musicais são breves, mas bastante inventivos e não hesitam em exagerar em seus conceitos. Frank e a Noiva são duas pessoas completamente diferentes; entretanto, ambos se apaixonam e encontram esse amor maluco entre eles.

 “A Noiva!” perca um pouco em seus excessos e perde ritmo no núcleo que envolve os detetives (por sorte a Penélope Cruz é carismática suficiente para salvar essa parte), porém seu último ato o longa ganha muita força e demonstra sua ousadia em desenvolver sua visão. A direção de Maggie Gyllenhaal está inspiradíssima e sua carreira como cineasta é empolgante.

A Noiva está em exibição nos cinemas.

A Noiva
Muito Bom 8.5
Nota 8.5