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Bolsa de pele de T-Rex pode ser comprada 66 milhões de anos após sua extinção

Uma bolsa de "couro" de T-Rex vai a leilão por £ 500 mil. Conheça a tecnologia de laboratório e as críticas dos paleontólogos.

Ed Rezende
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Ed Rezende
Produtor, escritor nas horas vagas, administrador, editor e fundador do site CDL.

Parece que alguns cientistas não assistiram a Jurassic Park com atenção suficiente ou, pelo menos, decidiram que o risco valia a pena para entrar no mercado de luxo com um T-Rex.

Em um projeto que une biotecnologia e alta costura, foi revelada a primeira bolsa do mundo feita de “couro” de Tiranossauro Rex, cultivada inteiramente em laboratório.

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A peça, uma bolsa de mão em tom esverdeado, é fruto de uma colaboração entre a startup Lab-Grown Leather Ltd. e a marca Enfin Levé. O material, batizado comercialmente de T-Rex Leather™, foi desenvolvido a partir de fragmentos de colágeno recuperados de fósseis de 68 milhões de anos, que foram inseridos em células animais para “cultivar” o couro sem a necessidade de abater qualquer criatura viva atual.

O item de luxo está em exibição no museu Art Zoo, em Amsterdã, e deve ser leiloado em breve. O lance inicial esperado é de £ 500.000 (cerca de R$ 3,4 milhões na cotação atual de 2026). As empresas envolvidas defendem que o projeto é uma vitrine para o futuro dos materiais sustentáveis e “livres de crueldade”, mostrando que a biologia do passado pode ditar a moda do futuro.

T-Rex
Bolsa de materiais do T-Rex.

No entanto, nem todos na comunidade científica estão comprando essa “grife pré-histórica”. O renomado paleontólogo Thomas Holtz Jr., da Universidade de Maryland, foi direto ao classificar a iniciativa como “pura fantasia”. Segundo ele, o colágeno encontrado em fósseis é extremamente fragmentado e provém dos ossos, não da pele, o que tornaria impossível replicar a estrutura complexa do couro de um dinossauro real.

A crítica é reforçada por outros especialistas que apontam que, embora a engenharia de tecidos tenha avançado, o material resultante é provavelmente uma mistura de colágeno moderno com sequências parciais de proteínas antigas, servindo mais como uma estratégia de marketing extravagante do que uma ressurreição biológica fiel.

Mesmo sob o olhar cético da ciência, o projeto cumpre seu papel de gerar debate sobre o potencial das células cultivadas. Se a bolsa é realmente um pedaço do período Cretáceo ou apenas um acessório de luxo com um DNA muito bem promovido, o resultado do leilão dirá o quanto os colecionadores estão dispostos a pagar por esse “fragmento” de história.

O T-Rex viveu durante o período Cretáceo Superior e, apesar da fama de predador implacável, estudos recentes sugerem que ele poderia ter tido penas em algumas partes do corpo, o que tornaria uma bolsa de “couro liso” ainda mais questionável do ponto de vista histórico.

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