Após meses de expectativa, Luísa Sonza finalmente lançou seu quarto álbum de estúdio. Com 23 faixas, incluindo interlúdios, a produção mergulha em uma estética tropical que mistura pop, funk, bossa nova e rock.
O projeto conta com colaborações de peso, como MC Morena, MC Meno K, MC Paiva ZS, Young Miko e Sebastián Yatra (Confira a crítica completa ao longo da matéria).
O projeto é descrito pela própria artista como um “pós-apocalipse” de seu trabalho anterior, Escândalo Íntimo (2023). Enquanto o disco de 2023 focava em um mergulho profundo na vulnerabilidade e no subconsciente, o novo álbum apresenta uma Luísa mais cética, resiliente e protegida.

O título sintetiza a dualidade de uma realidade que, embora bela como um “paraíso”, revela-se “brutal” em sua crueza e nas desilusões amorosas.
Musicalmente, o álbum une Pop, R&B, Funk e Bossa Nova a elementos de Rock e ritmos urbanos. O disco também carrega influências do projeto paralelo Bossa Sempre Nova, lançado meses antes, trazendo uma sofisticação melódica que dialoga com a MPB clássica sob uma lente contemporânea.
Como mencionado, Brutal Paraíso é um “prato cheio”. Nele, Luísa explora o caos do pós-escândalo, consolidando um novo momento em sua carreira. Contudo, ao tentar abraçar tantas referências simultaneamente, a produção parece se perder em alguns momentos, tentando expressar excessivamente ao longo das 23 faixas.
O início do álbum propõe uma narrativa interessante, mas que não ressoa tão bem quanto as faixas que realmente fazem o disco brilhar. Além disso, a tentativa de misturar gêneros dentro de uma mesma canção nem sempre funciona, transmitindo a sensação de que apenas parte do repertório compõe a mensagem central da obra. Faixas como “Fruto do Tempo”, “Amor, que pena!”, “Diferentemente”, “Sempre Você” e “Tropical Paradise” reforçam esses pontos e acabam por brilhar menos.
Em contrapartida, canções como “E agora?”, “Loira Gelada”, “Santa Maculada”, “Safada”, “Sonhei Contigo”, “French Kiss”, “Tu Gata”, “Doce Mentira”, “Que o Amor Morra”, “O Som da Despedida”, “Depois do Fim”, “No Es Lo Mío”, “Quando” e “A Vida Como Ela É” são os grandes destaques. É nelas que se estabelece uma conexão profunda e divertida com o projeto e com a artista.
Duas músicas transitam entre os pontos positivos e negativos: “Telefone” e a faixa-título, “Brutal Paraíso”. A primeira é uma composição comercial, claramente moldada para o engajamento em redes sociais, mas peca pela brevidade — tem apenas um minuto e meio. Embora essa duração seja uma tendência de mercado, soa contraditória em um álbum vendido como uma produção profunda e extensa. Ainda assim, a faixa deixa um “gosto de quero mais”.

Já em “Brutal Paraíso”, a artista peca pelo excesso em uma canção que carece de progressão. Durante cerca de oito minutos, a música não apresenta um crescimento melódico ou emocional, encerrando o álbum sem a intensidade esperada, apesar do evidente cuidado técnico na produção.
Com altos e baixos na tracklist, Luísa Sonza acerta em cheio na estética visual. Como em seus trabalhos anteriores, ela demonstra domínio na criação de uma identidade única para cada era. A transição visual dos tons frios do início para os tons quentes ao final reforça o simbolismo pós-apocalíptico e consolida Luísa como uma das artistas mais visuais do pop atual.











