O filme do Michael acabou de estrear nos cinemas, e parece consenso que o artista Michael Jackson é ao mesmo tempo um dos mais odiados e mais admirados pelo público. Mas por que isso acontece?
As danças e o legado do artista sempre serão lembrados pelos fãs, mas algo que a imprensa nunca pode esquecer são as acusações contra o dançarino, músico, cantor e outros papéis que ele desempenhou, relacionadas a abuso sexual de menores.
Ao longo dos anos, surgiram dezenas de denúncias contra o artista, todas baseadas em alegações de crianças anônimas com quem Michael conviveu. Nenhuma criança famosa na época ou depois, como no caso de Macaulay Culkin, confirmou as acusações contra o astro pop.

Todas elas são baseadas em depoimentos de crianças que não se tornaram artistas ou parte do show business e, mais recentemente, no documentário Deixando Neverland, da HBO, no qual foram entrevistados diversos adultos que, na época em que eram crianças, afirmaram ter sido abusados pela estrela.
O documentário acabou sendo criticado por alguns dos entrevistados, muitos afirmando que não sabiam do que tratavam as gravações e sentindo que suas falas e depoimentos foram manipulados.
O grande problema de todas as alegações é que, vivo ou morto, nenhum tribunal aceitou as denúncias contra Michael Jackson, sendo ele declarado inocente de todas as acusações apresentadas, com uma nova surgindo inclusive hoje, no dia da estreia do filme.
O grande problema da narrativa da mídia é que somos levados a acreditar que todos os denunciantes estão certos, ou a maioria deles, mesmo quando a justiça, em diferentes momentos da história e com juízes distintos (como no caso mostrado em Deixando a Terra do Nunca 2: Sobrevivendo a Michael Jackson, em que perderam seus processos em 2021), não conseguiu dar ganho de causa a nenhum deles.

Então, por que devemos assumir que todos estavam certos e que a justiça e o público estão errados? Conglomerados de mídia obedecem ao que seu proprietário manda, como podemos ver na briga entre o Estadão e o Metrópoles, onde o segundo foi acusado pelo primeiro de receber 27 milhões provenientes do banco Master, enquanto o segundo acusa o primeiro de receber patrocínio de bancos em valores muito menores.
O segundo está ativamente tentando acusar o primeiro por ordem direta da direção do site, em matérias que nenhum jornalista assina.
Neste sentido, não existe imprensa livre em grandes conglomerados, e talvez um Michael Jackson livre, tentando levar sua arte para o mundo inteiro, despertasse não apenas raiva, mas também inveja.
No Brasil, todo mundo é inocente até que se prove o contrário. Nos Estados Unidos também, mas, pelo jeito, os acusadores de Michael não precisam provar nada, basta falar e está tudo certo.
Como na justiça é preciso provar as denúncias, elas não resultaram em qualquer condenação ao artista. Se acusações fossem suficientes para acabar com alguém, talvez o que tenha irritado a imprensa seja justamente o fato de que isso não marcou o seu fim, mas, na verdade, consolidou seu legado como um artista negro e independente, que superou fronteiras, venceu a imprensa e se tornou o maior astro de todos os tempos.









