Temos um novo capítulo no recente universo cinematográfico da DC Comics, que está sendo comandado por James Gunn e Peter Safran. Nesta nova empreitada, o público é inserido em uma aventura sci-fi com toques de faroeste de vingança (Revenge Western), protagonizada pela personagem que dá título ao filme, a Supergirl – interpretada pela ótima Milly Alcock. A direção fica a cargo de Craig Gillespie (Eu, Tonya) e o roteiro é assinado por Ana Nogueira.
“Supergirl” adapta a aclamada HQ “Supergirl: Mulher do Amanhã” escrito por Tom King, ilustrada pela brasileira Bilquis Evely e pelo colorista Mateus Lopes.

A trama se mantém o mesmo: Iremos acompanhar Kara Zor-El, que, aos 14 anos, sobreviveu à destruição de Krypton. Diferente do seu primo Superman (David Corenswet), ela cresceu marcada pela dor e pela tragédia do seu planeta natal.
Aos 21 anos, conhece Ruthye (Eve Ridley), uma jovem alienígena em busca de vingança contra Krem (Matthias Schoenaerts), assassino de seu pai. As duas partem em uma jornada intergaláctica violenta.
Como dito antes, Supergirl é uma típica aventura com temática de vingança, e o longa executa muito bem sua proposta. Além disso, temos um arco dramático notável para a protagonista, que precisa confrontar seu luto tardio e abraçar seu lado heroico.

É um dilema interessante que Kara precisa enfrentar: a jovem se recusa a encarar o fato de que seu planeta e seus pais se foram, e não consegue aceitar a segunda chance que teve para recomeçar. Seu vício em visitar bares intergalácticos e se afogar no álcool não é à toa — é a maneira que ela encontrou para esconder sua melancolia.
A chegada de Ruthye na vida de Kara (Eve Ridley traz competência ao papel) é uma oportunidade para a personagem encontrar um “sentido” para sua jornada pessoal e impedir que a jovem siga um caminho sombrio em busca de vingança contra Krem.
Já que mencionei o indivíduo, ele e seu grupo de piratas espaciais, os “Bandoleiros”, são vilões horríveis — o que é uma pena, pois a roupagem masoquista que assumem dialogava bem com a proposta estabelecida pelo longa. Por outro lado, Jason Momoa como Lobo é um ótimo alívio cômico e esbanja carisma.

Sem dúvida, o maior trunfo de Supergirl é a construção de um símbolo, e isso é transmitido pela excelente interpretação de Milly Alcock (A Casa do Dragão).
A busca pelo antídoto para salvar Krypto não é apenas para salvar seu animal de estimação, mas sim para resgatar sua única memória viva de seu mundo destruído. Outro aspecto cativante é o seu ritmo direto ao ponto: o longa não perde tempo em apresentar suas propostas ao espectador e segue a trama sem rodeios, o que torna a experiência dinâmica. A isso, podemos somar sua identidade visual, que colabora para esse efeito.
A estética de Supergirl é uma faca de dois gumes, mas em que sentido? A obra assume o visual cyberpunk, e isso é admirável, pois combina perfeitamente com a produção e com a protagonista (já que ela não se importa com rótulos).

O uso do neon, os visuais dos aliens e as cenas no espaço são excelentes. No entanto, a cinematografia peca ao recorrer ao marrom em alguns cenários, e esse problema se estende até o terceiro ato, onde a cor se torna dominante e resulta em um visual pouco atraente.
“Supergirl” é um filme simples e honesto, e cumpre o que se propõe e oferece uma experiência satisfatória. A DC Studios prometeu que suas obras teriam visão artística própria e, até o momento, está sendo cumprido essa promessa.
Que continue assim, porque o gênero de super-heróis precisa de um tempero a mais. A direção de Gillespie é firme e competente, embora pudesse ser um pouco mais inspirada.











