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IT – A Coisa “Uma linda releitura de um clássico do terror”

Cadu Costa
Cadu Costa
Jornalista. Cadu Costa era um camisa 10 campeão do Vasco da Gama nos anos 80 até ser picado por uma aranha radioativa e assumir o manto...

Uma das obras mais conhecidas do escritor e mestre do terror, Stephen King. Um dos personagens mais icônicos do gênero e responsável direto pelo aumento da coulrofobia (o medo de palhaços) nos últimos 30 anos. Um remake do filme de 1990 com mais dinheiro, mais tecnologia e melhor acabamento. Tinha algo pra dar errado? Aparentemente não. Aparentemente…

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Estreia nessa semana, cercado de expectativas, It: A Coisa. Baseado no livro de 1986, de King, grande parte dessa ansiedade sobre o filme cai sobre Bill Skarsgärd, o intérprete do demoníaco palhaço Pennywise. E podemos adiantar o seguinte: o filme tem uma história ótima, a fotografia, a arte, os atores-mirins, tudo é perfeito até sermos apresentado justamente a Pennywise. Não é que o novo ator faça um Pennywise ruim, longe disso. O problema está na própria concepção do personagem. Em nada lembra o fantástico Pennywise de Tim Curry no filme original ou o poderoso personagem do livro. E não se trata de uma simples releitura. É totalmente fora do contexto original. O Pennywise de Skarsgärd não é engraçado, não é chamativo pra crianças, não é performático, não tem uma roupa legal. É somente mau. E isso é muito pouco para quem é um dos maiores símbolos dos medos infantis.

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Lembremos a história: de 27 em 27 anos, a cidade de Derry, no Maine (EUA) sofre com o desaparecimento de crianças ao longo dos séculos. E tudo parece estar ligado à figura malvada do palhaço Pennywise, um ser violento e assustador. Em 1989, um grupo de crianças resolve enfrentá-lo e pôr fim ao reinado de terror.

O longa tem uma vibe muito gostosa de ‘filme dos anos 80’, aquele terror com aventura tão clássico da época. Desde a trilha sonora com The Cure a New Kids on the Block, Batman e Máquina Mortífera 2 sendo exibidos no cinema, o primeiro Street Fighter fazendo sucesso no fliperama de Derry, e piadinhas com Molly Ringwald, o filme se mostra muito mais que um simples filme de terror. Inevitável a comparação com maravilhas como ‘Conta Comigo’ (1986), ‘Os Goonies’ (1985), ‘Garotos Perdidos’ (1987) e até o seriado Netflix ‘Stranger Things’ (2016). Aliás, falando nisso, Finn Wolfhard, de Stranger Things é uma estrela à parte. O seu Richie é divertido, engraçado, inteligente. Mas, em geral, todos os atores são ótimos. Mérito da direção do argentino Andrés Muschietti (‘Mama’).

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O problema é mesmo Pennywise. Enquanto Tim Curry entregou um palhaço assustador por sua própria atuação, Bill Skarsgäd fez medo apenas por CGI. Tudo bem, ele é bom ator, teve umas entregas boas, mas Pennywise não é assim. O visual renascentista, os dentes de coelho, os contornos, aquilo não é bem o palhaço que esperávamos. Pegue o Pennywise de Tim Curry e adicione neste filme e teremos a melhor adaptação de King já vista. Essa é a verdade.

Muita gente vai gostar, óbvio. Eu também gostei. ‘IT’ é um ótimo filme. Mas, é importante ressaltar não se tratar de um filme de terror. É um drama que utiliza uma figura sinistra como metáfora sobre a passagem da infância para a vida adulta e a maldade no ser humano, algo comum nos livros de Stephen King. Agora é esperar pelo capítulo II onde iremos ver os personagens adultos lutando novamente contra Pennywise. Por hoje, fico com esse.

IT – A Coisa estreia amanhã nos cinemas.