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Resenha | A Forma da Água de Guillermo Del Toro e Daniel Kraus

Bárbara Allen
Bárbara Allen
Apaixonada por histórias de época e com o sonho de viver em cada página que lê. Uma jornalista fascinada no mundo da literatura.

A Forma da Água é uma história que te leva aos dois extremos da personalidade do ser humano. O ruim, que faz a maldade por puro prazer, e a inocência e a pureza que talvez poucas pessoas tenha e entenda. Guillermo Del Toro e Daniel Kraus apresentam um livro que não foge muito do filme, mas que traz características próprias da história nas páginas de um livro.

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Para quem ainda não ouviu falar nada sobre, A Forma da Água é uma história que mistura conto de fadas, narrativa poética, lendas, romance, muito drama e até mesmo um conteúdo erótico. Tudo acontece depois que um oficial do governo americano, Richard Strickland, é enviado para Amazônia para capturar um ser místico conhecido como deus Brânquia, ou um homem-peixe. Depois de retornar aos Estados Unidos para uma base de pesquisa, uma das faxineiras das instalações, Elisa Esposito, descobre o grande segredo que o governo americano vem guardando. Mas tudo poderia ser diferente se Elisa não fosse muda.

O livro tem todo um desenrolar bem semelhante ao do filme, porém o que é acrescentado deixa tudo muito legal e faz uma diferença enorme se pensarmos na época em que a história se passa, em 1960 o auge da Guerra Fria. Então encontramos de forma um pouco mais profunda toda essa rincha do Estados Unidos e Russia.

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Um ponto muito positivo é o fato de narrarem como foi feita a captura do deus Brânquia. Toda a jornada de Strickland na Amazônia para capturar o ser místico. Porém, o ponto interessante aqui é o fato deles explorarem as lendas folclóricas da região, como por exemplo a lenda do boto cor de rosa. Quem nunca ouviu falar? E eles tiveram todo o cuidado de explicar e acrescentar essa lenda na história.

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Tudo é muito bem narrado, com todos os detalhes, os autores conseguem sem diálogo e sem primeira pessoa transmitir o sentimento dos personagens, mas isso tem um ponto negativo. Algumas vezes essa forma de narrativa acaba sendo muito carregada e arrastada, principalmente se o narrador tem uma pegada poética e em alguns momentos acaba extrapolando nos detalhes e floreando demais a história.

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O que talvez ajude na leitura é o fato do livro ser dividido em 3 partes, com capítulos bem curtos e que intercalam com os personagens. Cada hora o narrador fala de um personagem especifico e não deixa o leitor restrito na ideia de apenas um personagem, deixando assim a história mais confortável e variada, sempre andando pela cidade. Uma das partes mais complicadas talvez seja a da Elisa, pois pelo fato dela não falar o leitor deve prestar muita atenção aos detalhes que está sendo narrado, porque é isso que fará a diferença na hora de entender a personagem.

No geral A Formada da Água é um livro um pouco complicado de ler, não é qualquer momento que deve ser feita a leitura. Tudo acontece com muito sentimento, personalidades fortes, sem o mínimo respeito com a vida do próximo. Não é uma leitura fácil, porém quando chega no final tudo o “sofrimento” para ler irá valer a pena.