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A Morte Te Dá Parabéns “O show de repetições só piora com os furos de roteiro”

Rodrigo Castilho

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Acorde. Viva seu dia. Morra. Comece tudo de novo. Essa frase presente no pôster do filme “A Morte te dá Parabéns” já me deu calafrios, mas não no bom sentido. Minha memória já estava puxando os momentos de tédio de um roteiro parecido utilizado em um filme nacional que eu havia me prontificado a assistir no cinema. Repetição, repetição e mais repetição. Mas, para a minha sorte, “A Morte te dá Parabéns” teve diferentes abordagens para o mesmo dia.

A personagem principal, Tree (Jessica Rothe) é uma basic bitch clássica: fica com o crush das amigas, maltrata as pessoas, transa com um professor (casado!) e não está nem aí para os outros. Minha primeira frase ao vê-la em cena é um simples “Que estúpida! Tomara que ela morra logo”. Sim, esses são os motivos para a sequência de mortes dela no longa. E não tarda muito ela já começa a morrer.

Se você for ao cinema esperando um filme de terror ou suspense, lamento dizer que você será tapeado. A atmosfera de terror/ suspense logo se perde após a primeira morte, pois você já sabe 85% do roteiro do filme. Após algumas poucas repetições do dia, com poucas alterações, porque a Tree pelo menos não é burra, surge a solução: a jovem precisa descobrir quem está a matando e impedir que o dia volte ao começo.

Faça a sua lista: amiga cujo crush ela pegou, esposa traída do professor, carinha que ela pegou e esnobou… Para fugir do marasmo, o diretor acaba levando o filme para a famigerada comédia enquanto a personagem principal tenta solucionar o crime. Após um momento de reflexão, ela decide ser uma pessoa melhor. Daí você pensa “Viva! O filme vai acabar” pois já está ficando cansado de tanta repetição. Ela começa a ajudar as pessoas, dar conselhos, desculpa-se com as amigas e termina seu caso com o professor. Chegou a hora da morte e… morreu de novo. Ela fica se perguntando “Onde foi que eu errei?” e então click, se dá conta de que um serial killer está internado no hospital da cidade e decide dar um fim a ele.

Tree se apaixona pelo galãzinho do filme que acaba morrendo tentando salvá-la e ela decide cometer suicídio para mudar aquilo. Vem o dia de novo, novo plano para se livrar do serial killer. Sequência de ação com uma Tree muito badass indo encerrar o dia. Alguns tiros, socos, chutes e facadas depois, o homem morre. E Tree também. “Caramba, de novo!?” e mais uma vez começa o dia que ela, finalmente, descubra quem foi o verdadeiro assassino: sua colega de quarto tentara envenená-la com um bolinho. Como Tree não come o bolinho em nenhuma das repetições, a colega monta toda uma situação para culpar o serial killer do hospital e ela mesma mata Tree. Cena de luta entre Tree e a colega. A colega é jogada da janela e morre. A vida de Tree segue. Mas e os furos? Em todas as vezes, o assassino mascarado (a colega de quarto) é alto e tem um porte físico masculino que nada lembra o corpo magro da garota baixinha. E como é que Tree depois de morrer sempre voltava para o início do dia? Maldição? A mãe falecida a protegendo? Fica o questionamento, porque isso não é explicado no filme.

“A Morte te dá Parabéns” não é um filme ruim, mas peca pelos buracos deixados no roteiro. As estratégias adotadas pelo diretor para que o filme não fique tão cansativo são boas, mas mesmo assim uma hora você acaba cansando, fazendo com que ele não seja um filme adequado para se ver ao cinema.

A Morte Te Dá Parabéns esta em exibição nos cinemas.

Rodrigo Castilho
Publicitario-wannabe, tradutor, mestre Pokémon mono-fairy, amante de memes e apreciador de café.
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