altered carbon

Crítica | Altered Carbon (primeira temporada)

Kdoo Spiller
4 Min Ler

A única certeza absoluta que todos temos na vida é que, em algum momento, nós iremos morrer. Pode ser cruel, mas é um fato… e irreversível. Mas, imagine se houvesse uma tecnologia que pudesse fazer com você pudesse se transferir para um novo corpo. Como você se comportaria? Como isso influenciaria em uma sociedade?

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Essas questões são levantadas em Altered Carbon, primeira grande aposta da Netflix para 2018. A série se baseia no livro Carbono Alterado, do escritor Richard K. Morgan, e foi liberado no início de fevereiro para os assinantes da plataforma. Sua história gira em torno da investigação do assassinato do magnata Laurens Bancroft (James Purefoy), após este ter voltado à vida em um novo corpo e sem a memória de quem foi o responsável por sua morte.

A premissa é simples, carregada com toques noir que possibilitam o espectador passear por aquele universo cyberpunk, 250 anos no futuro. A busca pela solução do crime faz com que conhecemos uma sociedade onde o corpo é uma mera casca, onde o virtual e o real se complementam quase de forma homogênea. Possivelmente seja este o ponto alto do roteiro: exibir o quão grande é o impacto da tecnologia nessa sociedade.

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Claro que isso é diluído na série por boas cenas de ação, uma narrativa dinâmica e “plot twists” que acabam prendendo o público. Diversos clichês como o da desigualdade social, o eterno conflito entre dominados e dominadores, são inevitavelmente inseridos na série. Mas convenhamos: não seria mesmo esse futuro que teríamos, tendo esses recursos? Conhecendo a evolução do homem, existe outro contexto?

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Em relação ao elenco, se não há um grande destaque, ninguém compromete o produto final. Kovacs nas mãos de Joel Kinnaman oscila entre momentos interessantes e total desapreço. Sua relação com Reileen (Dichen Lachman) segue numa mescla de obsessão e irmandade que pode causar uma certa estranheza, principalmente nos episódios finais. Se fosse para destacar alguém, seria a inteligência artificial Poe (Chris Conner), que passa de uma simples referência ao escritor Edgar Allan Poe para alguém indispensável ao protagonista.

A direção de arte desfruta do grande orçamento disponibilizado e se apresenta como uma das mais bonitas já feitas pela Netflix. A comparação com Blade Runner é inevitável: a aura de melancolia, ambientes sob chuvas constantes, construções decadentes e ruas escuras iluminadas por imensos letreiros neon. Tudo traz um cenário de opressão, fazendo um paradoxo com os grandes salões da elite desse universo.

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Pra resumir, nada em Altered Carbon é 100% original. Já vimos todos estes temas em outras obras do gênero. No entanto é sempre bem-vindo ver uma produção levantar tais questionamentos, mesmo que seja como base para uma trama de ação. Seu cenário é tão rico e fascinante que é difícil não querer maratonar todos os episódios de uma vez. Uma obra que, mesmo deixando ganchos para uma irremediável segunda temporada, nasce completa e plenamente satisfatória.

A primeira temporada de Altered Carbon já está disponível na Netflix.

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