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Ano Um do O Justiceiro – Lições aprendidas

Roberto Borba Júnior

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Há quadrinhos que servem como mero entretenimento de algumas horas. Nada fora do comum e não há nenhum problema nisso. Nenhum quadrinho precisa ser um Watchmen da vida. Entretanto, há histórias em que você sente algo diferente quando termina a última página. Essas são as mais impressionantes porque você começa a leitura como uma pessoa, mas termina transformado em outra coisa.

Justiceiro – Ano Um não é apenas a melhor história do personagem, na minha modesta opinião, mas também é uma história que me impactou profundamente quando a li, pois ela me produziu um efeito que eu não esperava no modo de enxergar a vida. Muito abstrato ou profundo? Eu explico.

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A história de Ano Um começa exatamente após o assassinato da família Castle e mostra como Frank tentou, pelos meios legais, fazer com que os mafiosos da família Costa pagassem pelo crime que cometeram. Como todos sabem, isso não ocorre e, depois de algumas reviravoltas, surge a figura do Justiceiro. Até aí, a trama pode parecer algo bem simples para uma história de origem – algo que existe aos montes na indústria. Mas é aí que vem o X da questão:

Por ser a origem do Justiceiro, podemos ver o nascimento de alguns elementos que fazem parte da mitologia do personagem: A caveira, a primeira “anotação” do Diário de Guerra, o pensamento estratégico de Frank e etc. Mas um lema persiste durante a última edição da história:

Sic Vis Pacem, Para Bellum.

É provável que você já tenha escutado isso no filme O Justiceiro, de 2004. Aliás, boa parte do que ocorre no final do filme é baseada na edição nº 4 de Justiceiro – Ano Um.

Ocorre que a interpretação que retirei dessa história e, principalmente, dessa frase, foi extremamente positiva e não chega perto de algo violento, necessariamente. É engraçado como é possível encontrar lições positivas em histórias cuja premissa seja cruel, triste e violenta.

Esse lema martelou na minha mente como uma ferramenta para encarar as “guerras” que eu presenciava todos os dias. E quando digo “guerra” me refiro aos conflitos internos e externos que existem. Tristezas, desilusões, eventuais brigas e obstáculos que surgiram na minha trajetória e que podem surgir também na trajetória de todos.

É óbvio que não estou me referindo a meios agressivos. A interpretação que tirei foi o conceito de que boa parte dos seus problemas terão que ser encarados de frente e apenas por você, pois nem sempre outros poderão ou terão disposição para ajudar, assim como ocorreu com Castle – guardadas as devidas proporções.

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Compreendi que diante dessa “guerra”, que é essa luta diária que vivemos ao sair de casa para trabalhar, estudar e nos relacionar, cabe a cada um de nós encarar e nos armar com a nossa inteligência e coragem, sempre buscando o melhor de nós em cada tarefa feita. Esse mundo é munido de uma potência impressionante para nos entristecer.

Desse modo, precisamos criar uma potência contrária e maior para superá-lo.

Portanto, considerem o lema: Sic Vis Pacem, Para Belum. Se você quer paz, prepare-se para a guerra.

Roberto Borba Júnior
Advogado, Neurocientista, fotógrafo e baixista
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