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Rodrigo Roddick

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O que é desejo? O desejo é o assunto que dá título à narrativa, mas ele muitas vezes fica subliminar quando a protagonista, que é uma árvore, está contando sua história. Árvore dos Desejos nos lembra que a vida está presente em vários elementos da natureza, não apenas em nós humanos.

“É uma tremenda dádiva amar ser quem você é”

Árvore dos Desejos é uma fábula romanceada escrita por Katherine Applegate e publicada no Brasil pela editora Intrínseca. Ela compôs a caixa comemorativa de 2 anos do Clube Intrínsecos e vai ser publicada oficialmente em 27 de outubro deste ano. Não é à toa que a edição está muito bem feita; com capa dura de efeito brilhante e excelente diagramação com ilustrações.

Apesar do foco ser nos desejos, o livro fala sobre amizade. Red, um carvalho centenário, é a Árvore dos Desejos amiga de uma corvo chamada Bongô. Sua amiga é fiel a ela e fica o tempo inteiro tentando ajudar Red em suas peripécias. Red é alvo de uma tradição dos humanos, que atam fitinhas e papéis com pedidos aos seus galhos na esperança que eles se realizem.

Red escuta pacientemente os pedidos dos seres humanos durante seus mais de duzentos anos de vida sem se intrometer nas deles, mas um dos desejos a faz violar uma das regras mais importantes e sagradas das árvores: nunca fale com um ser humano.

A fábula é narrada em primeira pessoa por Red, conferindo ao interlocutor outra visão sobre o que é ser uma árvore: ter muito tempo de vida, mas estar sujeita às ações animais. Esta escolha da autora é primordial para que o leitor se sinta na pele dela e compreenda como a humanidade é agressiva com a natureza, principalmente com as árvores.

Red, no entanto, não demonstra raiva nem rancor para com a humanidade. Ela é sábia, vive em harmonia, mas também tem traços ingênuos em alguns momentos. Por isso que a amizade com Bongô, a corvo, é muito bom pra ela, uma vez que a ave é bastante esperta e livra a amiga de apuros.

A árvore diz o tempo inteiro que não é boa piadista, mas que sabe contar boas histórias, porém é impossível não perceber a maior piada que a história dela nos revela. Red é uma árvore; árvore tem vida, e o leitor está lendo um livro em papel, que é feito do cadáver de uma árvore. Inclusive, tem uma passagem que ela chega a mencionar isso.

“Na verdade, eu poderia até ser um livro”

Não é uma piada para rir, porém. É bem triste. Mas a sutileza de Katherine é tamanha que, mesmo envergonhados em lermos sobre um cadáver da árvore, conseguimos avançar na leitura.

O bom humor de Red ajuda o leitor a desenvolver empatia pela árvore. Mesmo ela não contando boas piadas, ela acaba dizendo algumas coisas engraçadas, se não fossem tristes.

A fábula se foca principalmente no desejo e na amizade porque este é o maior desejo de Red: ser amiga da humanidade, devolvê-la à comunhão natural. Esse desejo não é revelado, mas dá pra perceber no modo como ela encara a vida ao seu redor.

“Ah, quanta coisa eu queria poder dizer àqueles dois. Queria dizer que a amizade não tem que ser complicada. Que às vezes nós é que permitimos que o mundo a transforme em uma coisa difícil”

Além dessa perspectiva, Árvore dos Desejos também funciona como uma metáfora do planeta Terra. Red comenta sobre os moradores de seus ocos; os gambás, as corujas, o corvo, os guaxinins e outro animais; quando ela é ameaçada em ser cortada, eles se unem para protegê-la.

O ser humano mora em uma árvore. Uma árvore gigantesca chamada Terra. Ela está sendo cortada a cada dia que passa. Nós vamos protegê-la? Ou a deixaremos morrer?

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HQs

Resenha | Nimona

O verdadeiro significado do ditado: “As aparências enganam”.

Mylla Martins de Lima

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A HQ Nimona foi lançada em 2016 pela editora Intrínseca e tem como autora Noelle Stevenson, uma ilustradora e quadrinista incrível!

Nimona é uma menina, as vezes raposa, tubarão, gato e até dragão em alguma parte do seu tempo. Na verdade Nimona é uma metamorfa muito enérgica, que consegue o tão sonhado cargo de comparsa do pior vilão que já existiu no mundo, o Ballister Coração-Negro.

O inesperado começa quando a garota, em sua primeira missão, descobre que seu chefe e ídolo não é tão malvado assim. Enquanto ela sugere acabar com o arqui-inimigo e ex-amigo do vilão, Sir Ambrosius Ouropelvis, matando ele e a quem estiver tentando protegê-lo, Ballister prefere a tradicional luta de espadas, sem sangue e sem morte.

A história começa quando a dupla descobre que a Instituição de Heroísmo & Manutenção da Ordem, empresa que em tese serviria para controlar o caos, planeja prejudicar a população e incriminá-los. Como será a reação do povo quando Coração-Negro levar essa informação à mídia?

Trata-se de uma publicação divertidíssima, ambientada na idade média mas utilizando de elementos futurísticos, mais presente na tecnologia. Os personagens carregam muitas histórias passadas e são muito bem trabalhados, do visual à personalidade. Várias páginas arrancam sorrisos e até mesmo gargalhadas, principalmente quando os quadros pertencem à menina e Ballister.

A trama é cheia de dramas também, e que não passam despercebidos nem com as cenas de humor ácido da personagem principal. O ritmo da narrativa é bem rápido, mas muito fluido e, mesmo com suas 275 páginas, Nimona é uma leitura simples, fácil e que pode ser lida em um único dia. E é impossível não ler!

Noelle sabe prender o seu leitor e isso não é nenhuma surpresa. Esta HQ lhe rendeu o Eisner Awards e a levou para a final do National Book Award. Além disso, a quadrinista garantiu o Slate Cartoonist Studio Prize de Melhor Web Comic e foi indicada ao Harvey Award. Que currículo!

Nimona é uma ótima leitura pós ressaca literária, é a melhor opção para quem ama fantasia e quer fugir dos clicês de heróis. É um misto de fofura, ação, risadas e lágrimas.

A história de uma menina, um vilão que não é vilão e um herói que não é herói.

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Livros

Ordem Vermelha: Filhos da Degradação

Um livro sobre luta pela liberdade de uma sociedade oprimida.

Gustavo Carvalho Cardoso

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Ordem Vermelha foi publicado em 7 de dezembro de 2017 pela editora Intrínseca. O livro foi escrito por Felipe Castilho, autor de Serpentário, O Legado Folclórico e também indicado ao Prêmio Jabuti pelo quadrinho Savana de Pedra. Esse é o início de um universo compartilhado do Omelete, que irá contar com HQs, livros e animações.

O livro conta a história de quatro heróis que lutam pela liberdade de uma sociedade cercada de corrupção, presa eternamente pelos grilhões de uma deusa corrompida pelo poder e tomada pela ira daqueles que pecaram milênios atrás. Ligados pelo destino e pelo sentimento de inconformidade da normalidade com que seus povos aceitaram servir calados, como escravos, eles unirão forças para colocar em prática um plano ousado que mudará o mundo.

” As seis faces da deusa Una observam você aonde quer que vá. ”

Esse volume é recheado de momentos épicos, com passagens que nos fazem repensar sobre a vida real. É um universo totalmente novo, com suas próprias peculiaridades, referências, sistema econômico, religião e costumes. Repleto de raças, algumas já vistas em outros lugares da literatura porém, retratados de forma diferente aqui.

A história aborda a degradação social comandada autoritariamente por uma deusa corrompida pelo erro de seu povo no passado. Com um apelo religioso muito forte, o livro coloca em jogo nossa ideia de fé e o quanto ela pode ser deturpada pelo poder daqueles que usam-na como forma de escravidão global.

Utilizando-se de temas pesados como racismo, prostituição e abuso, o livro mostra até que ponto as pessoas podem chegar quando são escravizadas e tratadas como gado para abate, além de como essa mesma sociedade com um mínimo de poder pode ser adulterada, ficando pior do que aqueles que a explorou.

A luta pela independência é muito bem retratada e contextualizada, claramente apresentada pela personagem Yanisha e sua esposa Raazi, que batalham para serem livres desse trabalho escravo e servidão contínua. Sua raça consegue mudar a cor de seus corpos como um camaleão, e as mulheres de seu povo são usadas como mercadoria para os prazeres carnais daqueles que pagarem mais. A perseverança das duas não está ligada apenas a elas, mas sim à emancipação de todas as mulheres que dão suas vidas e corpos para adquirirem uma semiliberdade, e por todos que morrem em busca desse sonho tão distante.

Ordem Vermelha é o inicio de um universo com potencial expansivo imenso, cheio de laços e caminhos para serem abordados, com mitologias e histórias cativantes. É um ótimo livro nacional, e para aqueles que buscam uma história diferente e bastante complexa, é uma ótima pedida.

É uma leitura bem rápida com uma escrita que prende facilmente, e a cada página queremos saber mais sobre o destino de cada personagem além de torcermos pelo sucesso de sua luta.

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Resenha

Siga em frente

Livro apresenta dez argumentos para expandir a criatividade no cotidiano.

Rodrigo Roddick

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Artistas precisam estar o tempo todo criando. A criação demanda muito esforço e atenção para encontrar o novo dentro de um universo cultural saturado. A proposta de Siga em frente é ajuda-los nessa batalha.

Siga em frente foi escrito por Austin Cleon — o mesmo autor de Roube como um artista — e publicado pela editora Rocco. O autor produziu este livro porque enfrentava os mesmos desafios que outros criadores. Como suas ferramentas funcionaram, ele decidiu compartilhá-las com seus amigos artistas.

O livro é voltado para artistas, sendo eles escritores ou ilustradores, mas qualquer pessoa que trabalha em profissões que exijam criatividade vai encontrar nesta autoajuda um parceiro.

Uma das argumentações apresentadas no livro fala sobre criar uma rotina criativa. Em boa parte, isso significa organizar o dia para que ele seja produtivo tanto nos momentos de inspiração quanto nos dias mais complicados.

Segundo Cleon, se você já determinou o que vai produzir naquele dia, mesmo que uma nova ideia não surja, ainda assim vai acabar avançando em seu trabalho. Isso para um escritor é bastante válido. Assim que eles criam toda a história, o segundo passo é escrevê-la, e isso demanda muita disciplina diária — um trabalho de grão em grão — para que todo o texto seja finalizado. Uma rotina que forneça um tempo dedicado somente a escrever é super bem-vinda.

Da mesma forma, o autor indica fazer listas. A maioria dos artistas — senão das pessoas — sofrem com ansiedade, querem chegar logo ao fim do trabalho. Para combater esse fantasma, Austin Cleon começou a listar o que precisava fazer. Dessa forma, ele percebeu o que precisava terminar e ia riscando o que já tinha produzido. E por conseguinte ficou menos ansioso.

Nas dez dicas que o autor oferece, ele destrincha e argumenta como proceder. É interessante analisar este livro como uma conversa tranquila entre amigos profissionais.

Modelos e fórmulas não funcionam para todas as pessoas, porém sempre há o que se aproveitar. O mais importante é seguir em frente.

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