Connect with us

Fandom

As curtas histórias tocantes de Otsuichi com a arte impecável de “Another”

Mai Inoue

Published

on

Uma oportunidade perfeita para explorar contos com temas sobrenaturais são as obras adaptadas de Otsuichi pelo artista de “Another”, Hiro Kiyohara, que marcou ao ilustrar a obra de Yukito Ayatsuji na revista japonesa Young Ace que deu a base para o lançamento do anime em 2012.

Kiyohara e Oitsuichi se mantém em uma incrível sincronia nos dois dramas Só você pode ouvir (Kimi ni shika kikoenai) e Feridas (Kizu). Apesar de serem contos do início da carreira de escritor de Otsuichi, conseguem realmente conquistar e comover com sua arte expressiva e detalhada.

Em Só você pode ouvir, acompanhamos a vida bem monótoma de Ryo Aihara, uma das, se não a única de sua escola que não possúi um telefone celular. Tímida e sem amigos, ela quase não é notada pelas colegas, já que não tem um meio de se comunicar e interagir com outros estudantes e não leva jeito pessoalmente.

Ryo passa a imaginar como seria ter seu próprio celular e o mantém em sua mente sempre, até que um dia ela recebe uma chamada misteriosa em seu celular imaginário, conhecendo uma jovem adulta e um rapaz de sua idade chamado Shinya com o mesmo telefone imaginário, podendo se comunicar com eles, se desenrolando em uma bela amizade. Segundo o autor, ele mesmo tem um pouco de vergonha dessa história por ser uma das primeiras que escreveu, porém a arte de Hiro Kiyohara o deixou apaixonado pelos próprios personagens. Mudando um pouco de realidade, em Feridas conhecemos o problemático Keigo, que devido a brigas com outras crianças que zombam de suas cicatrizes, acaba parando na turma de alunos especiais, onde se reúnem crianças de diversas idades com problemas semelhantes de socalização e/ou aprendizado.

Quando ele se familiariza com a classe e se mostra um menino cuidadoso com os menores, um novo aluno chamado Asato é apresentado a turma. Apesar de ser um garoto bonito, Asato era estranhamente mais quieto que os outros e, vendo que isso estava começando a incomodar os adultos, Keigo simpatiza com o novato. No final de uma aula, Keigo acaba se machucando na presença apenas de Asato, que se aproxima pela primeira vez de alguém, tocando o braço ferido de Keigo, passando a ter uma ferida menor, porém com Asato desenvolvendo o mesmo machucado. Logo, ele nota o porque de Asato ser um garoto especial: ele pode tomar para si, a ferida de outras pessoas com apenas contato físico.

Os dois passam a ser mais próximos e ajudar os colegas menores com pequenos machucados, enquanto ainda lidam com seus respectivos lares abusivos, a evolução do poder de Asato e como ele passa a usá-lo mantendo segredo de Keigo. Otsuichi comenta que a ideia surgiu ao ler sem compromisso um livro de uma psicóloga infantil americana e se apaixonar com a forma que ela tratava e contava a história de crianças especiais e devorar todos os livros da autora.

Não são as únicas obras adaptadas de Otsuichi, que inclusive, foram publicadas no Brasil pela JBC dando a oportunidade de adicioná-las a sua estante com 4 páginas iniciais coloridas.

Hiro Kiyohara é uma grande inspiração pra mim e foi ótimo escrever um pouco dessas obras pra vocês.

Editora da Cabana do Leitor, Ilustradora e designer gráfico, desde o nascimento apegada a games, mangá, animes e cultura oriental. Palavras-chave: mangá, terror, Pokémon, gatos, steam, games, retrô, neutron blast attack.

Advertisement
Comments

Fandom

As nuances dos relacionamentos abusivos em The Umbrella Academy

Umbrella Academy nos traz uma outra perspectiva sobre abuso.

Michele Alves

Published

on

Em um fenômeno extraordinário, 43 crianças nascem, ao mesmo tempo, ao redor do
mundo, de mulheres que não estavam grávidas no começo do dia. Ao tomar conhecimento,
Sir Reginald Hargreeves localiza e adota sete delas, para lutarem contra o crime e serem
uma família, a Umbrella Academy.

Reginald assume a figura de pai, cria e treina essas crianças (Luther, Diego, Ben, Alison, Número 5 e Klaus) para que seus superpoderes sejam usados para combater o crime. Com pouquíssima idade eles já estão atuando contra ladrões e assassinos enquanto sua infância é colocada de lado, pela responsabilidade que, segundo seu pai, essas crianças devem ter.

Umbrella Academy então, nos traz uma outra perspectiva e um ângulo diferente sobre
abuso, cada um dos filhos de Reginald, traz uma faceta sobre os danos de uma infância
inexistente, pais ausentes ou pais que simplesmente não gostam de seus filhos ou sequer
os encara como filhos.

Em alguns flashbacks, é possível ver a dinâmica da família disfuncional. Cada personagem
demonstra um lado dos efeitos de uma criação tóxica e a solidão que a falta de uma família
de fato acaba por trazer à medida que eles crescem.

Aqui, assuntos como relacionamentos abusivos aparecem de diversas formas, é possível
notar nas relações dos personagens, os traumas da infância. Luther, ou Número 1, por
exemplo, é fiel ao pai, defende sua memória mesmo diante das evidências dos erros
contínuos de criação com ele e com seus irmãos.

É ele quem fica ao lado do pai mais tempo, é ele também que julga os irmãos por terem partido. Talvez por ter enxergado uma outra faceta de Reginald à medida que apenas os outros iam embora. Talvez pelo fato de se recusar a aceitar que Reginald não era um bom pai. Em uma das cenas, as crianças, reunidas, vão até o escritório pai para dizer boa noite e ele sequer torna os olhos para eles ou responde. Além disso, Reginald não os chama pelo nome, apenas por seus números e essa ausência quase que de humanização, é perceptível no comportamento de cada personagem. Diego ainda tenta lutar contra o crime, mas sozinho.

Alison parece desesperada por atenção e perde a família quando usa seu poder de
persuasão na filha. Klaus é viciado em drogas e faz de tudo para não se manter sóbrio e
inibir seu poder de conversar com os mortos. Ben está morto e Número 5 está perdido no
futuro, depois de tentar viajar no tempo, contra as ordens de Reginald.

Cada personagem parece ter crescido e se desenvolvido sobre uma base sólida de abusos
e medos, Vanya por exemplo, ouviu durante toda a infância que não era especial, por não
ter superpoderes e a única coisa que ela tem, é o violino e, mesmo assim, ela se frustra e
se culpa por não ser tão boa quanto seus colegas.

Quando se tem pais ausentes, ou abusivos, é possível fazer de tudo para agradá-los ou
afastá-los. Em Umbrella Academy, cada irmão cria algum mecanismo para suportar a ideia
da ausência de um pai e, na verdade, de uma família. Eles não são próximos e talvez o
motivo seja pelo tamanho de questões que cada um precisou lidar. Quando sentimos dores
que não são físicas, podemos nos sentir solitários porque certas coisas são muito difíceis de
partilhar.

Ainda sim, Umbrella Academy nos mostra que, apesar de sermos vítimas, também
podemos ter comportamentos abusivos para com os outros. Diego faz questão de maltratar
Vanya toda vez que se encontram porque ela publicou um livro sobre a família. Alison usa
seu poder na filha e a série dá a entender que ela, com o seu poder, obriga a filha a amá-la.
Klaus segue se destruindo com o abuso de drogas e é incapaz de lidar com a realidade.
Número 5 não consegue dialogar porque viveu uma vida inteira solitário no futuro e não
consegue conceber que seus irmãos poderiam ajudá-lo a parar o apocalipse. Quando
Luther descobre que Vanya tenta matar Alison, sua solução é a mesma do pai, trancá-la em
uma caixa, a fim de impedir que ela causa mais danos e Vanya, quando consegue se
libertar, destrói tudo no seu caminho porque aqueles traumas da infância retornam de uma
só vez.

É na incapacidade emocional de lidar com esse trauma, que os erros dos personagens se
repetem, a falta de comunicação, a hostilidade uns com os outros, a incapacidade de
autocrítica. A série mostra que crianças quebradas se tornam adultos com vários problemas
que não desaparecem, é preciso lidar e dificilmente lidamos com nossos traumas sozinhos.
Uma das cenas mais icônicas de Umbrella Academy é a cena da dança. Cada personagem
está em um cômodo da casa e dança ao som de I Think We’re Alone Now, separadamente.

No plano final, é possível ver cada personagem em sua caixa, seu cômodo, dançando de
forma catártica, sozinhos, cada um em seu universo, com dores e culpas impossíveis de
compartilhar. Apesar de dançar ao mesmo momento, eles não estão juntos, e a dança não
é sobre se libertar porque eles ainda têm tanto pela frente, mas sobre todos esses traumas
e problemas que eles serão obrigados a lidar, porque apesar da morte de Reginald, muito
permanece.

Continue Reading

Analises

Pequenos Incêndios por Toda Parte “Tensões raciais por toda a parte”

Pequenos Incêndios por Toda Parte | Uma das séries mais relevantes em anos.

Michele Alves

Published

on

Eu vim para encontrar o estrago / e os tesouros que perduram”* Os versos do poema de Adrianne Rich aparecem no primeiro episódio de Pequenos Incêndios por Toda Parte bordados na camiseta da jovem Pearl Warren e ilustram a primeira cena da série, quando vemos a casa dos Richardsons em chamas e o olhar devastado de Elena Richardson. O espectador logo é convidado a se perguntar: “Quem colocou fogo na casa?”, “O que explodiu nessa história para que tudo chegasse a esse ponto?”

Baseada no romance de Celeste Ng, publicado em 2017, Pequenos Incêndios por Toda Parte é uma minissérie de drama, de 8 episódios, protagonizada por Kerry Washington e Reese Witherspoon. Distribuída pelo Hulu em Março de 2020, chegou ao Brasil pelo Amazon Prime Video e dá sequência ao projeto de Reese Witherspoon de produzir séries protagonizadas por mulheres, depois dos sucessos de Big Little Lies e The Morning Show.

A trama tem como narrativa central o conflito entre Mia Warren (Kerry Washington) e Elena Richardson (Reese Witherspoon), duas mulheres, duas mães, cujas histórias se chocam e trazem à superfície os segredos, traumas e os sacrifícios que cada uma fez para seguirem suas vidas.

Ambientada no final dos anos 90, Pequenos Incêndios por Toda Parte se passa na comunidade de Shaker Heights, Ohio. A comunidade planejada foi uma das primeiras cidades dos Estados Unidos a integrar brancos e negros. Coisa que alguns personagens não deixam de mencionar, quando confrontados com o racismo velado que permeia nas relações entre os personagens. A medida que a história se desenvolve, percebemos que a integração da comunidade é superficial e quando nos aprofundamos na vida de cada personagem, percebemos que é apenas um mito.

A tensão racial é um dos assuntos que aparecem logo no primeiro episódio. Elena (Reese Witherspoon) é uma mulher branca, rica, mãe de quatro filhos cujo altruísmo é motivado pelo desejo de se sentir bem consigo mesma. Com uma interpretação incrível de Reese Witherspoon, Elena demonstra em vários momentos o que é a culpa branca, a condescendência da personagem ao se notar superior àqueles considerados por ela, menos favorecidos. O racismo da personagem se mostra em pequenos momentos, por exemplo, quando ela menciona que sua mãe marchou com Martin Luther King toda vez que o namorado da filha Lexie (Jade Pettyjohn), Brian ( SteVonté Hart), vai jantar em sua casa.

Mia (Kerry Washington) é uma artista que não tem endereço fixo, viaja de cidade em cidade com a filha, Pearl (Lexi Underwood), usando cada lugar por onde passam, como um objeto a ser explorado por sua arte. Mia é uma personagem misteriosa, guarda muito para si. Kerry Washington está brilhante e se destaca ao viver essa personagem que carrega segredos e dores, muitas vezes traduzidas no silêncio, nos olhares carregados de trauma, medo, raiva e sua postura crítica em relação a nova cidade e seus moradores. 

A série também conta com um elenco adolescente muito bem escalado, além de Lexi Underwood, Megan Stott também se destaca como a jovem Izzy. Dentre os assuntos abordados, também estão presentes o machismo, LGBTfobia, bullying, relações interraciais e a aceitação que cada adolescente busca de seus pais, de seus amigos e de sua comunidade. Esses adolescentes rapidamente se percebem presos no conflito das duas mães, sentem as consequências da tensão crescente de tudo que uma desistiu e do que a outra se negou a abandonar. 

A trilha sonora é recheada de músicas que marcaram a década, e vão moldando a sensação de tensão que temos ao assistir a história. Um destaque da trilha sonora são os covers gravados para a trilha sonora original, contando com uma versão lindíssima de Uninvited, música de Alanis Morissette, cantada por BELLSAINT. 

Pequenos Incêndios por Toda Parte é uma série extremamente relevante em 2020. Aborda a questão da  maternidade de forma crua, questiona sobre o que é ser mãe: desistir de tudo ou se recusar a desistir de qualquer coisa? Quais sacrifícios uma mãe precisa fazer? Quando não resolvemos o passado, ele eventualmente nos alcança, afetando a todos a nossa volta. 

A história também fala sobre como mulheres nem sempre são iguais perante à sociedade, a vida das personagens é definida por suas raças e classes. Essas diferenças sociais são exploradas pouco a pouco. Todas as mulheres na série sofrem com machismo, mas nenhuma delas vivenciam situações iguais, o contexto de suas vidas, a classe, a cor da pele têm um peso fundamental ao influenciarem as escolhas de vida de cada uma delas. As dificuldades de uma, difere da outra e o privilégio e a desigualdade nunca deixa de permear as relações entre a família dos Richardsons e Warrens, além dos personagens secundários. A série acerta ao retratar mulheres complexas, multidimensionais que carregam consigo o peso de uma vida cheia de escolhas difíceis.

Cada explosão evidencia as violências sofridas pelas personagens, todo segredo é uma faísca ao ponto de cada narrativa ser um combustível a mais para a tensão que se alastra como fogo e explode na vida dos personagens. Pequenos Incêndios por Toda Parte é uma história sobre os desastres inevitáveis e o que resiste em meio aos destroços.

Pequenos Incêndios por Toda Parte esta disponível no Amazon Prime.

Continue Reading

cinema

Liga da Justiça | Versão do Snyder NÃO É PRA SALVAR VERSÃO DO CINEMA

Esta versão nunca se tratou de salvar um filme fracassado nos cinemas.

Avatar

Published

on

By

Parece óbvio falar isso e parece que muitos gostam de ignorar, mas a versão de Zack Snyder nunca se tratou de salvar o filme da Liga da Justiça que foi para os cinemas.

O movimento #ReleaseTheSnyderCut nunca se tratou de SALVAR uma versão do filme, fracassada, liderada por Joss Wheldon, mas sim (como praticamente todos os fãs já sabem) saciar o desejo de muitos fãs de verem qual era a proposta de Snyder.

Alguns jornalistas porém insistem em sentenciar a liberação do filme como mero objeto de fãs birrentos que não aceitam a versão que foi para o cinema, quando ninguém, absolutamente ninguém que participou do movimento se baseou nisso.

David Ayer, diretor de Esquadrão Suicida, admitiu que a Warner mexeu sim na montagem do filme original. Rumores também aconteceram sobre o filme Mulher-Maravilha: segundo disseram alguns insiders, o estúdio queria remover a cena Terra de Ninguém, porém a diretora Patty Jenkins conseguiu mudar a visão do estúdio sobre o conceito. Ou seja, intervenções absurdas mas que aparentemente jornalistas e alguns fãs inconformados com a alegria de outras pessoas (milhares) se sentem no direito de legitimar.

A versão do Snyder da Liga da Justiça, como dito à exaustão em um artigo que escrevi no ano passado, não se trata apenas de um mero capricho – TRATA-SE da liberdade artística, a mesma liberdade que críticos de cinema, jornalistas, influencers e etc… adoram desfrutar, mas entendem que nem todos deveriam ter.

Uma vez uma jornalista de um grande veículo de comunicação, em uma crítica em vídeo do filme Dunkirk, disse o seguinte: “Se você achou este filme uma obra de arte, então você não sabe o que é uma obra de arte…”. Com todo o respeito e carinho, foi dito a ela que uma obra de arte não é o que ela define. Conceitos artísticos mudam a todo o momento, muitos artistas foram só reconhecidos décadas após a sua morte, no cinema o próprio Laranja Mecânica foi banido no Reino Unido para depois se tornar uma das obras mais aclamadas do cinema. Conceitos artísticos mudam conforme o tempo, mas se vamos dizer que conceitos artísticos mudam conforme vão ficando envelhecidos, não devemos aplicar este conceito apenas a coisas que gostamos ou artísticas que valorizamos, o conceito de arte é amplo e vai além da sua análise.

Zack Snyder (você querendo ou não, e pode espernear a vontade) é um artista e deve ser valorizado como qualquer outro, a mesma valorização que que damos aos diretores da Marvel e qualquer outro no meio do entretenimento deve ser dada ao cineasta. Partindo disso, porque faria sentido jornalistas que analisam arte e vivem muitas vezes dela, fariam artigos deslegitimando um movimento que chegou a ajudar uma campanha de prevenção ao suicídio, sem qualquer motivo aparente?

Pior… Sentenciando um trabalho que nem foi finalizado? Ou você é jornalista ou fez aula de adivinhação com a professora Sibila Trelawney?

Quando pessoas enchem o peito para falar que devemos valorizar a nossa cultura (brasileira) alguns destes gostariam de silenciar artistas… Disse um amigo meu: “isso não é censura”. Não chega a ser censura, mas deslegitimar qualquer tipo de arte é uma especie de ‘censura’, até mesmo aquela arte que você desconsidera.

A Snyder Cut da Liga da Justiça na HBO Max chega em 2021 para sentenciar dois pontos que incomodam demais certas pessoas: Primeiro, o de valorizar os fãs e, segundo, porque valoriza o artista Zack Snyder e isso pode ser uma mudança de paradigma no cinema.

Muitos disseram que isso era uma jogada da Warner para ganhar mais dinheiro dos fãs. Mesmo se for, qual seria o problema ? A Disney ganha milhões colocando Baby Yoda em série de Star Wars e não lembro de apenas ela está autorizada a fazer isso.

No final das contas, podemos escrever uma tese de doutorado sobre a Snyder Cut (não duvido que tem gente que vai fazer) que algumas pessoas não vão querer entender.

A verdade é que os fãs ganharam, a Warner e Zack Snyder também e os perdedores nesta história são apenas os que querem se sentir assim.

Continue Reading

Parceiros Editorias