O Big Brother Brasil (BBB 26) deste ano reacendeu uma discussão sombria após a participante Rafaella desmaiar durante a dinâmica do Quarto Branco. O que muitos espectadores enxergam apenas como um teste de resistência extremo é, na verdade, uma técnica de privação sensorial com raízes profundas na história da espionagem e da psicologia militar.
Conhecida historicamente como “Tortura Branca” (White Room Torture), essa metodologia foi amplamente utilizada pela CIA e ainda é empregada por regimes autoritários. O objetivo é manter o indivíduo em uma cela totalmente branca, sob luz constante, sem qualquer contato sonoro ou visual, visando desestabilizar completamente a psique humana e levar à perda de identidade.
Essa prática era parte fundamental do projeto MK Ultra, que buscava métodos de controle mental e “reprogramação” do cérebro durante a Guerra Fria. Pesquisadores como Donald Ewen Cameron utilizavam o isolamento extremo e a “direção psíquica” para apagar a mente original das cobaias, muitas vezes deixando os pacientes em estados de quase coma em quartos isolados.

A gravidade dessa técnica é tamanha que a falta de estímulos externos causa alucinações e colapsos mentais em pouco tempo. Isso explica por que participantes de reality shows, ao serem expostos a versões mais leves dessa privação, ainda assim apresentam reações físicas extremas, como desmaios e crises de pânico, evidenciando o perigo da brincadeira.
No cinema, obras como Sob o Domínio do Mal (1962) e Alucinações do Passado exploraram o horror desses experimentos. Enquanto o primeiro foca na lavagem cerebral para criar assassinos programados, o segundo aborda os efeitos devastadores de drogas e testes psicológicos secretos, cristalizando no imaginário popular os abusos cometidos por agências governamentais.

Já no mundo das séries, Stranger Things é a referência contemporânea mais popular, retratando laboratórios que utilizam crianças como cobaias para desenvolver habilidades psíquicas. Outras produções, como Mindhunter e a aclamada minissérie documental Wormwood, mergulham de forma ainda mais factual nas consequências éticas e humanas reais do projeto MK Ultra.
Com a HBO preparando uma nova série documental sobre o tema, o debate sobre o uso dessas técnicas na cultura pop deve ganhar ainda mais força. A linha entre o entretenimento de resistência e a simulação de traumas históricos parece estar cada vez mais tênue, desafiando a percepção do público sobre o que é ético em um programa de televisão em 2026.


