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cinema

Bohemian Rhapsody “Uma ode a Freddie Mercury”

Guilherme Niero

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Há bandas de rock boas o suficiente para renderem vários filmes. As histórias em geral são parecidas: brigas, uso de drogas e atitudes que reafirmam aquela forma de protestar – fazer música pode ser considerado um tipo de protesto. Agora, ícones tão simbólicos quanto o vocalista do Queen, Freddie Mercury, são personagens difíceis de se retratar. Fora alguns mistérios que permeiam a figura dele, Mercury foi embora muito cedo aos 45 anos.

Bohemian Rhapsody (Bryan Singer) é uma ode a Mercury, interpretado com maestria por Rami Malek que faz o ótimo Elliot em Mr. Robot. É, também, uma homenagem a um dos principais performistas e intérpretes que já pisaram no palco.

O filme nos leva ao início dos anos 70, quando o jovem ainda desconhecido Farrokh (nome verdadeiro de Mercury) ia aos shows da banda de rock britânica Smile, o embrião do que viria a ser o Queen. Quando o guitarrista Brian May (Gwilym Lee), o baterista Roger Taylor (Ben Hardy) e o baixista John Deacon (Joseph Mazzello) se veem sem uma voz pra guiar a banda eles descobrem no jovem Mercury uma esperança.

Não demora muito para que o verdadeiro rei da festa mostre a que chegou. Criado numa família tradicional e linha dura, desde cedo Mercury tem uma desenvoltura e um jeito que o faz se destacar entre os demais. Mas, repreendido principalmente pelo pai, ele mostra dificuldades pra assumir seu verdadeiro eu.

A história mostra os altos e baixos do líder do Queen desde o momento em que ele sai brigado da banda pra seguir carreira solo, até a volta triunfal depois de descobrir que estava doente. Passando também pelo temperamento conturbado e mandão de Mercury que dificultava o relacionamento entre os integrantes da banda.

O filme traz algumas curiosidades sobre o processo criativo de músicas famosas do grupo, como a ideia para Will We Rock You – uma tentativa de interação maior com a plateia, marca registrada da banda. E mostra a dificuldade que foi emplacar a música tema do filme, Bohemian Rhapsody, considerada longa demais para ser tocada nas rádios

Momentos que fizeram a banda entrar para o hall da fama do rock and roll também são retratados com fidelidade. Eu não era nascido quando o Queen fez o épico show no Rock and Rio em 1985, mas me senti parte do espetáculo mais de 30 anos depois. Aqui, o episódio é retratado como um divisor de águas para a banda, que nunca imaginaria um país de língua não inglesa cantando Love of My Life na mais perfeita sintonia.

Aliás, são vários os momento em que o filme tenta emular shows que entraram para a história, como o festival Live Aid, também em 85, que foi assistido por quase dois bilhões de fãs. Por isso, para ter a melhor experiência de som e imagem este é um filme que vale muito a pena ser visto em salas IMAX ou XD. Vale cada centavo a mais para ver o espetáculo completo.

A carga emocional que Rami Malek entrega interpretando Freddie Mercury é o ponto alto do filme. O ator tem o timing certo e os trejeitos que eram tão característicos do cantor. Não são poucos os momentos em que sua interpretação emociona os expectadores. O mais marcante talvez seja quando ele descobre que contraiu o vírus da AIDS e conta apenas para os membros da banda, que são seus verdadeiros e únicos amigos.

Bohemian Rhapsody tem alguns problemas na montagem final – um reflexo do que aconteceu nos bastidores da produção, com a saída do diretor Bryan Singer, mas nada que tire qualidade do filme. Além do visual épico e da interpretação fiel de Freddie Mercury, o longa mostra a importância do showman que viveu sem medo e por isso vive pra sempre no coração dos fãs.

Bohemian Rhapsody estreia dia primeiro de novembro nos cinemas de todo Brasil.

Bohemian Rhapsody

8.3

Roteiro

8.0/10

Direção

8.0/10

Fotografia

9.0/10

Formando em Jornalismo, cinéfilo fanático pelas franquias Star Wars e Batman. Eclético e buscando atualizar o gosto pelo cinema constantemente. Na TV, fã das séries The Walking Dead, Mr Robot, Westworld Rick and Morty.

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