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Rodrigo Roddick

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Imagine um carrossel girando em um parque de diversões. Imaginou? Agora imagine que ao brincar nele, você começa a enxergar além da realidade e coisas impossíveis passam a ser reais e assustadoras… É essa vertigem que o livro provoca no leitor. Aqui há o choque do real com o surreal, mas o tempero — provocado pela palavra do autor — é o que deixa a brincadeira saborosa.

“Os livros têm paciência com os alunos lentos. O resto do mundo não”

Joe Hill já escreveu romances, mas Carrossel Sombrio é um livro de contos. Inclusive, é o nome de um dos treze contos que compõem a obra. O exemplar faz parte do clube de assinatura da TAG Experiências Literárias. Ele chegou em julho trazendo as histórias do King filho que ainda não haviam sido publicadas no Brasil.

Para entender um pouco da construção dos contos, é importante conhecer o seio familiar dos King.

Filho de peixe, peixinho é?

Na casa de Stephen King esse ditado é mais que verdadeiro, é praticado. Lá, sua esposa Tabitha King e seus filhos, Owen King, Kelly Braffet e Joe Hill são escritores. Apenas Naomi King seguiu um caminho diferente como líder religiosa. Ter um pai famoso como King, que é mundialmente conhecido como o escritor mais adaptado pro cinema, pode abrir muitas portas para seus filhos, mas não foi assim que Joseph Hillström King enxergou.

“Quando comecei, fiquei com medo de que as pessoas soubessem que eu era filho de Stephen King, então coloquei uma máscara e fingi ser outra pessoa. Só que as histórias contam a verdade, a verdade verdadeira. Acho que as boas histórias sempre fazem isso”

Já pelo seu nome de autor, Joe Hill provoca indagações nos leitores por querer desassociar seu perfil profissional do pai. Qualquer um que quisesse seguir os mesmos caminhos do pai, iria aproveitar as portas que o nome dele abre. Joe Hill, no entanto, percebeu que se ele colocasse suas obras imaturas – na época – à prova das editoras com o sobrenome King, fatalmente seria publicado, mesmo se os textos não estivessem à altura. Porém, se elas não soubessem que ele era filho do Mestre do Terror, então a aprovação ou negação de seu trabalho seria imparcial.

Joe Hill, Tabitha King, Kelly Braffet, Owen King, Stephen King e Naomi King | Foto: Barbel Schmidt pra o The New York Times

Joe Hill, antes de se lançar ao mundo da literatura, tinha muita preocupação com a qualidade do seu material e, por isso, desvinculou-se do nome da família. Mas isso foi apenas no início. Depois que descobriu ser bom na arte que seu pai é mestre, ele até escreveu contos com ele.

Carrossel Sombrio e outras histórias traz dois contos escritos em conjunto de Stephen King, mas os outros onze são de autoria individual de Hill.

Joseph e seu estilo literário

Os contos de Joe Hill são longos, de vinte a quarenta páginas em média, e isso pode desestimular o leitor a encarar as histórias, a princípio. Porém, o autor tem um jeito contemporâneo de escrever que acaba envolvendo já nas primeiras palavras. Você vai ficar rendido por Hill, pois ele sabe fazer quem está lendo esquecer que está lendo. Você mergulha na história e a vive por trinta páginas.

Além dessa magia que o autor consegue conjurar, Joe Hill ainda te provoca com situações inusitadas, apresentando-as de maneira singela, mas superpoderosa. Ele não está preocupado em surpreender – no geral – o leitor ao final da leitura, mas sim ir colocando pequenas surpresas ao longo da narrativa.

O estilo literário de Joe Hill surgiu da tentativa dele em escrever romances, por isso seus contos são longos. Ele tinha dificuldade em escrever uma história que fosse o livro inteiro, pois as que escrevia terminavam muito antes, transformando-se em contos.

Após desenvolver seu texto, ele conseguiu escrever romance (Mestre das Chamas é uma prova disso), mas mesmo assim não abandonou as histórias curtas. Então vamos a elas.

Estação Wolverton

O primeiro conto que chama atenção é o terceiro. Estação Wolverton é contado pelo protagonista Saunders, um rico empresário de um café chamado Jimi Coffe (como o Starbucks). Ele se hospeda em um hotel que está sofrendo uma manifestação justamente contra a empresa que ele trabalha e, logo neste comecinho, o leitor pode ver o caráter elitista e inescrupuloso dele. Após uma viagem de trem, em que ele a divide com lobos (isso mesmo, lobos!) vestidos como humanos, ele começa a se sentir desconfortável na presença dos predadores.

O conto brinca com a questão de caça e predador no mundo urbano, colocando a classe proletária como refém dos empresários que fazem o que querem no mundo. Joe Hill condensou na imagem do empresário a figura do homem contemporâneo urbano, que está apenas preocupado com os balanços trimestrais financeiros e pouco se importa se outras pessoas ou a natureza vão sofrer por isso. O importante é que eles continuem por cima.

Não é à toa que o autor coloca lobos, animais, como os predadores de Saunders, porque se as pessoas vivessem em um mundo onde “os mais fortes vencem”, os empresários seriam os primeiros a entrarem nas barrigas dos lobos.

“Por favor, desculpe meu linguajar. O problema da civilidade é que é difícil mantê-la quando se está ganindo de fome”

Ao mesmo tempo, uma cidade povoada por lobos ser propositalmente o pesadelo de Saunders revela o maior medo do empresário: o poder verdadeiro estar nas mãos do povo. Pois, se fosse o caso, ele e pessoais iguais a ele seriam devorados. Uma clara crítica à meritocracia disfuncional do capitalismo.

Fauno

Mais uma vez falando de caça e caçador, porém nesse caso literalmente. Aqui, o leitor vai poder observar o que aconteceria se um adulto oportunista encontrasse um portal para um mundo mágico. Vemos muitas crianças se deslumbrar nas histórias, mas os adultos teriam a mesma reação?

A resposta prova que, diante de um universo diferente do qual está habituado, o ser humano tende a se aproveitar dele para enriquecer, ao mesmo tempo que o destrói. Temos vários exemplos disso na história natural, um deles é o genocídio indígena que ocorreu nas Américas.

Um dos melhores contos do livro.

Tudo que me importa é você

A amizade de homem-máquina já foi explorada em outras histórias, mas aqui Joe Hill aprofunda o tema e, dessa vez, não coloca as máquinas como aniquilador do homem. Logo no início da leitura é possível perceber o que o autor pensa sobre a tecnologia: ele vê que a criação e o uso descontrolado do ser humano vão jogá-lo num mar de superficialidade, que é o verdadeiro apocalipse da humanidade.

“Não é esse o objetivo dos aniversários? Lembrar você de que o medidor está correndo?”

O homem não vai ser destruído por situações cataclísmicas, tampouco vai ser extinto, mas sim vai aniquilar a própria humanidade que os definem quanto indivíduos.

“Talvez não exista palavras para a tristeza”

Isso fica bem retratado na devoção comprada que o pequeno robô tem pela protagonista e na conduta traiçoeira e aproveitadora dela.

Devoluções Atrasadas

O título pode parecer banal, mas a história é bem profunda. Sendo um dos melhores contos que há no livro, Devoluções Atrasadas se foca na maior máquina de viajar no tempo que já existe em nossas mãos: o livro.

Dirigindo um ônibus-biblioteca, o protagonista recebe clientes de outras épocas que esqueceram de devolver os livros quais pegaram emprestados – daí vem o título. Apesar de se assustar com isso, ele identifica uma oportunidade: e se ele desse um livro atual para uma pessoa que jamais teria como lê-lo na sua época de origem?

Brincando com isso, o protagonista vê que as histórias podem transformar o mundo e descobre o verdadeiro poder que está em suas mãos.

Joe Hill provou que é um mestre de histórias como o pai ao desenvolver esse conto. Pois ele conseguiu desfilar no enredo o verdadeiro poder que um livro tem: transformar pessoas.

Outras histórias

Os contos Alta Velocidade e Campo do Medo foram escritos em parceria com Stephen King. O primeiro tem bastante adrenalina e o leitor vai ficar eletrizado ao lê-lo, mas o segundo já explora um pouco mais o medo que o ser humano tem de se perder – e Joe e Stephen exploram todos os meandros que “se perder” significa. Campo do Medo chegou a ser adaptado para uma série da Netflix, mas nunca foi publicado em forma de texto no Brasil até agora.

Além desses dois, um merecido destaque vai para Você está liberado. Ainda mais eletrizante que Alta Velocidade, o conto explora as reações particulares dos passageiros de um avião que vai parar em um espaço aéreo de guerra. O modo como Joe Hill narra esse conto faz o leitor achar que ele está lá sentado em uma das poltronas.

Assinatura TAG

Carrossel Sombrio e outras histórias foi totalmente editado pela TAG Experiências Literárias em parceria com a editora Haper Collins Brasil. Ele faz parte do plano TAG Inéditos que tem o objetivo de trazer para o assinante as histórias que ainda não foram publicadas no Brasil.

Assim como este livro, o assinante vai conhecer em primeira mão as palavras dos autores contemporâneos e navegar por suas histórias antes de todo mundo.

O primeiro detalhe impressionante da TAG é a edição magistral do livro. Carrossel Sombrio veio com uma excelente capa e uma diagramação completamente cuidadosa, que explorou as particularidades de cada conto. Impecável!

O livro vem em uma caixinha decorada que ainda traz um marcador personalizado, uma revista com informações extras sobre o autor e a obra (neste caso contou sobre a família King e o processo literário de Joe Hill), um box protetor do livro (para ele ficar na sua estante protegido da poeira) e um brinde especial, que neste mês foi uma case temática.

É um trabalho encantador que faz o leitor se apaixonar ainda mais por esse universo que é a leitura.

Para conhecer mais sobre os planos da TAG, acesse o site do clube.

Não deixe de ler a introdução e o posfácio escritos por Joe Hill, o autor nos diverte até nesses textos.

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Resenha

Árvore dos Desejos

Fábula narra sobre a amizade ser o maior desejo da vida humana; desejo que nem sempre é compreendido e muito menos revelado.

Rodrigo Roddick

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O que é desejo? O desejo é o assunto que dá título à narrativa, mas ele muitas vezes fica subliminar quando a protagonista, que é uma árvore, está contando sua história. Árvore dos Desejos nos lembra que a vida está presente em vários elementos da natureza, não apenas em nós humanos.

“É uma tremenda dádiva amar ser quem você é”

Árvore dos Desejos é uma fábula romanceada escrita por Katherine Applegate e publicada no Brasil pela editora Intrínseca. Ela compôs a caixa comemorativa de 2 anos do Clube Intrínsecos e vai ser publicada oficialmente em 27 de outubro deste ano. Não é à toa que a edição está muito bem feita; com capa dura de efeito brilhante e excelente diagramação com ilustrações.

Apesar do foco ser nos desejos, o livro fala sobre amizade. Red, um carvalho centenário, é a Árvore dos Desejos amiga de uma corvo chamada Bongô. Sua amiga é fiel a ela e fica o tempo inteiro tentando ajudar Red em suas peripécias. Red é alvo de uma tradição dos humanos, que atam fitinhas e papéis com pedidos aos seus galhos na esperança que eles se realizem.

Red escuta pacientemente os pedidos dos seres humanos durante seus mais de duzentos anos de vida sem se intrometer nas deles, mas um dos desejos a faz violar uma das regras mais importantes e sagradas das árvores: nunca fale com um ser humano.

A fábula é narrada em primeira pessoa por Red, conferindo ao interlocutor outra visão sobre o que é ser uma árvore: ter muito tempo de vida, mas estar sujeita às ações animais. Esta escolha da autora é primordial para que o leitor se sinta na pele dela e compreenda como a humanidade é agressiva com a natureza, principalmente com as árvores.

Red, no entanto, não demonstra raiva nem rancor para com a humanidade. Ela é sábia, vive em harmonia, mas também tem traços ingênuos em alguns momentos. Por isso que a amizade com Bongô, a corvo, é muito bom pra ela, uma vez que a ave é bastante esperta e livra a amiga de apuros.

A árvore diz o tempo inteiro que não é boa piadista, mas que sabe contar boas histórias, porém é impossível não perceber a maior piada que a história dela nos revela. Red é uma árvore; árvore tem vida, e o leitor está lendo um livro em papel, que é feito do cadáver de uma árvore. Inclusive, tem uma passagem que ela chega a mencionar isso.

“Na verdade, eu poderia até ser um livro”

Não é uma piada para rir, porém. É bem triste. Mas a sutileza de Katherine é tamanha que, mesmo envergonhados em lermos sobre um cadáver da árvore, conseguimos avançar na leitura.

O bom humor de Red ajuda o leitor a desenvolver empatia pela árvore. Mesmo ela não contando boas piadas, ela acaba dizendo algumas coisas engraçadas, se não fossem tristes.

A fábula se foca principalmente no desejo e na amizade porque este é o maior desejo de Red: ser amiga da humanidade, devolvê-la à comunhão natural. Esse desejo não é revelado, mas dá pra perceber no modo como ela encara a vida ao seu redor.

“Ah, quanta coisa eu queria poder dizer àqueles dois. Queria dizer que a amizade não tem que ser complicada. Que às vezes nós é que permitimos que o mundo a transforme em uma coisa difícil”

Além dessa perspectiva, Árvore dos Desejos também funciona como uma metáfora do planeta Terra. Red comenta sobre os moradores de seus ocos; os gambás, as corujas, o corvo, os guaxinins e outro animais; quando ela é ameaçada em ser cortada, eles se unem para protegê-la.

O ser humano mora em uma árvore. Uma árvore gigantesca chamada Terra. Ela está sendo cortada a cada dia que passa. Nós vamos protegê-la? Ou a deixaremos morrer?

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Resenha

João e Maria

Livro: o prestigiado Neil Gaiman e o incrível Lorenzo Mattotti se encontram para recontar um clássico.

Mylla Martins de Lima

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João e Maria é uma adaptação de um dos contos dos Irmãos Grimm feita por Neil Gaiman e ilustrada por Lorenzo Mattotti. O livro foi trazido para o Brasil através da editora Intrínseca em 2015.

Embora todos conheçam a história, revisitá-la vale muito a pena, pois um olhar menos infantil acaba tornando tudo mais chocante. As ilustrações de Lorenzo fazem com que essa experiência seja ainda mais tensa, enquanto a escrita de Gaiman apresenta toques pessoais muito sutis.

Não houve mudanças extremas durante a narrativa e o clássico só ganhou olhares mais maduros, sem interferir na personalidade dos personagens. O foco é na crueldade dos pais e da ”bruxa”, que sofre uma repaginada e é apresentada em uma versão mais realista, sem muita fantasia e misticismo, como uma senhora canibal e exploradora. Reler desse ponto de vista é realmente perturbador.

“As crianças dormiam em montes de feno. Os pais, em uma cama antiga que pertencera à avó do lenhador. João acordou no meio da noite com uma dor aguda e vazia na barriga, mas não disse nada, porque sabia que tinha pouca coisa para comer. Ele manteve os olhos fechados e tentou voltar a dormir. Quando dormia, não sentia fome”

Um lenhador e sua esposa com dois filhos vivem em uma cabana muito próxima à floresta. Apesar do estilo de vida humilde, sem qualquer tipo de luxo e muito trabalho braçal do homem, a comida nunca faltou. Foi quando a guerra se instaurou no local que veio a escassez, e com ela, a fome.

João foi quem ouviu os planos da mãe de ”esquecê-los” na floresta, pois seria mais fácil sobreviver dois que quatro. Essa é uma das cenas enfatizadas por Gaiman. Apesar de contestar de primeira, o pai logo se cala, mostrando-se submisso à loucura da mulher, levando seus filhos para um ”passeio” assim que acordaram.

”Somos quatro — disse a mãe. — Quatro bocas para alimentar. Se continuarmos assim, vamos todos morrer. Sem as bocas a mais, eu e você teremos chance.

[…] — Se você não comer —  respondeu a mulher — , não vai conseguir brandir o machado. E, se não conseguir cortar uma árvore ou levar lenha para a cidade, todos morreremos de fome. É melhor morrerem dois do que quatro. É só questão de matemática, uma questão de lógica”

O final desse conto todos já devem saber, mas o desenrolar dela pelas palavras de Gaiman é realmente impressionante, destacando as horas de medo e descrença, como é o caso da argumentação tão fria da mãe que convence seu marido a sacrificar seus filhos em troca de sua própria sobrevivência.

Nas últimas páginas do livro, uma contextualização do conto ao longo do tempo é feita. É muito interessante a causa de sua transformação! A crueldade não se restringe à ficção, já que no medievo, durante a Grande Fome, famílias simples como a do livro, costumavam abandonar seus filhos ou pior, alimentarem-se da carne deles. A prática de canibalismo era muito comum nesse período.

Essa edição é muito bonita e sua ilustração a torna ainda mais incrível, dando um clima medonho ao que já faz parte de um cenário de horror, mas que a mente inocente infantil não entendia.

Um presente aos fãs de Gaiman e um convite para aqueles que não conhecem o autor.

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HQs

Resenha | Aprendendo a cair

Uma belíssima grafic novel comovente e com diálogos sem filtro.

Mylla Martins de Lima

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A editora Nemo acaba de lançar mais uma HQ emocionante contada do ponto de vista de um jovem com necessidades especiais. Escrita pelo alemão Mikael Ross, esse quadrinho é tão profundo quanto a história por trás dele.

Aprendendo a cair tem sua origem no aniversário de 150 anos da Fundação Evangélica Neuerkerode, que gere uma cidade pequena composta por cidadãos que, em sua maioria, sofrem de algum tipo de transtorno mental. O mais interessante em meio a toda essa novidade é que essas pessoas, mesmo com suas peculiaridades, possuem uma vida como de qualquer outra, com seus empregos, lazeres e afazeres.

O quadrinho foi encomendado para Mikael em comemoração a essa data tão especial, e o mesmo levou muito a sério, morando durante um certo período no local para entender a vida dessas pessoas e o cotidiano de cerca de 800 habitantes. Feita sua pesquisa de campo, a história levou mais dois anos e meio para ser finalizada e terminar nessa edição incrível, com uma história tão cativante, que deixa o leitor morrendo de vontade de viajar para conhecer as personalidades tão fofas e engraçadas mencionadas na narrativa.

A grafic novel foi lançada na Alemanha em 2018, e um ano após sua publicação, a mesma foi a vencedora do maior prêmio de quadrinhos local, o Maz und Moritz, entregue durante a Mostra Internacional de Quadrinhos de Erlangen, feita a cada dois anos.

A história de Aprendendo a cair é contada pela perspectiva de Noel, um menino que ama AC/DC e sonha em tocar guitarra. Com a morte repentina de sua mãe, e sem seus familiares por perto, sua vida sofre uma grande mudança e ele acaba tendo de ir para longe de Berlim, morar em Neuerkerode.

Nesse centro de cuidados, o menino conhece outras pessoas como ele e, mesmo sendo a primeira vez que Noel fica longe de sua mãe, ele se diverte, faz amizade e até se apaixona… por ser tudo muito novo, cada dia da vida do menino é muito intensa! As suas descobertas são contadas em poucas páginas, fazendo os capítulos ficarem bem curtos e facilitando a degustação do público.

A arte dessa obra é apaixonante! A edição é toda colorida, feita com muito carinho e capricho, como tudo da editora. As ilustrações têm traços muito particulares, usando marcadores e lápis de cor para dar textura na finalização. Não poderia ter ficado melhor ou combinado mais com os personagens e o tom como o autor quis narrar a trama.

Aprendendo a cair é uma história de superação, que diverte, encanta com personalidades inesquecíveis e humor bem leve e aquece o coração de quem lê. A HQ arranca sorrisos de forma bem natural e por quadros bem simples.

Os diálogos engraçados de Noel e seus amigos juntos à arte maravilhosa tornam essa HQ incrível. Ela merece um espacinho na estante de cada um.

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