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Cone Crew, a prisão do Cert e a semelhança com o Planet Hemp

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“Ai Olívia Cone Crew é música de maconheiro blablabla”

Não. Moçx você é muito errado e preconceituoso além de tudo. Como todos sabemos, a Cone Crew é um grupo de rap brasileiro natural do Rio de Janeiro, aonde sigla C.O.N.E tem o significado interno vindo da abreviação “Com Os Neurônios Evaporando (ou evoluindo)”.

Com o lançamento do seu primeiro disco, “Com os neurônios evoluindo”, o fenômeno Cone explodiu em todo o brasil, todo mundo quis virar MC, Rapper, beatmaker. E assim vieram as comparações com o Planet Hemp, que nos anos 90 teve o mesmo destaque na mídia por causa do mesmo motivo: apologia as drogas.

https://www.youtube.com/watch?v=yn8O5HfZg2U

 

 

“Ai Olívia o Planet Hemp é bom e a Cone é um lixo”

Caro amigo, vamos lá. A diferença entre a Cone e o Planet Hemp é que, com o Planet Hemp você pegou o bonde andando, ou melhor, quando já tinha parado. Enquanto a Cone você pegou a explosão. Qual você achou que foi a reação dos seus pais sobre? Pois zé, possivelmente igual a sua. Seja ela boa ou ruim.

d2 e cone

 

“Mas o Cert não foi preso por apologia e sim por tráfico”

Vamos lá, mais uma vez. O “arsenal” do Cert contava com 4 pés cultivados em sua casa, na região serrana do RJ. Por falta de profissionais, a perícia foi realizada na capital, o que já começa errado, na minha opinião. No final do dia, o músico foi enquadrado e detido por “cultivo para outros fins que não o consumo pessoal”, sendo assim tráfico de drogas. Segundo o laudo, havia 1,6kg de substância entorpecente, e segundo as fotos da perícia, o material provavelmente foi pesado com folhas, caule, raízes, terra e vaso para alcançar esse número, afinal sabemos bem o “modus operanti” da polícia carioca. Colhidos prematuramente dificilmente renderia mais de 50g de erva seca, sendo apenas a erva seca a substância entorpecente.

cert mudas

A prisão foi realizada sem mandado ou investigação, foi baseada apenas por uma denúncia de um desafeto do cantor – no caso a sogra de Cert.

Segundo Matias Maxx, do site da revista Vice, podemos ver claramente o erro da PM: “Ele foi preso não só por causa da droga encontrada na casa dele, não: ele foi preso porque a sogra dele chegou aqui com a denúncia de que ele tinha agredido a filha dela. Policiais militares foram até a casa dele e, chegando lá, ele desacatou os PMs. Ele estava muito alterado. Então, a sogra dele apresentou aqui na delegacia uma foto de sua plantação de maconha; aí eu fui lá, entrei na casa e dei voz de prisão pra ele.”

E mais, o jornalista termina com “Perguntei se ele havia sido autuado pela agressão, e o policial me respondeu que ele foi autuado por desacato: a esposa não quis representar contra ele. E, antes que eu pudesse questionar o porquê de ele ter sido enquadrado no artigo 33 com apenas quatro plantas, o policial disse que tinha de atender uma ocorrência, desligou na minha cara e a linha ficou ocupada.”

 

 

Após isso, as redes sociais da Cone Crew soltaram um comunicado bem claro:

“Cone Crew Diretoria nunca escondeu seu posicionamento sobre a política de combate ao uso de drogas, sempre se colocando a favor da legalização do uso da maconha assim como outras pessoas importantes da nossa sociedade também já o fizeram, dentre elas o ex-presidente FHC.

Nós repudiamos o tráfico de drogas, a ineficiente política de tratamento aos viciados e principalmente a prisão de usuários.

Hoje fomos vítima dessa lei antiga, estúpida e ineficaz, igual a quase todas as demais existentes no Brasil, onde ladrões, corruptos, traficantes e foras-da-lei de todas as espécies estão agora na praia e um dos nossos detido acusado de cultivar maconha para uso pessoal.

O Cantor não é traficante e nem precisa disso pra viver, é um trabalhador como vários outros pais de família que levam a vida de forma honesta e são apenas usuários.

Cadeia nele vai resolver os problemas na nação?

Nós vamos lutar até o fim para tirar o Cert dessa situação.

Cone Crew Diretoria

Esse é o Movimento!

#LiberdadeCert”

 

 

“Mas Olívia, a lei anti-drogas é clara… foi pego com quantidade X, é usuário. Quantidade Y é traficante.”

Não. Nossa lei anti-droga é cheia de nuances. Dr. Emílio Figueredo, da Comissão Jurídica do Growroom “No artigo 28, está escrito que ‘Quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto’; e, no artigo 33, quem ‘semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas’. Ou seja, a diferença está nos termos “consumo pessoal” e “pequena quantidade”, que são entendidos pelo delegado na hora do enquadramento, pelo promotor na hora da denúncia e pelo juiz na hora do julgamento. Sobre o consumo pessoal, na lei está escrito que ‘para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente’, o que dá uma grande margem de interpretação e aplicação da lei como forma de controle social de camadas desprivilegiadas da sociedade. E pequena quantidade é uma expressão infeliz para determinar se o sujeito será solto ou preso, pois não há nada na literatura jurídica ou científica que determine o que é pequena quantidade. A pequena quantidade de plantas para uma autoridade na maioria das vezes não é o suficiente para suprir a necessidade de uso cotidiano do cultivador. “

Assim, fica obviamente claro que a polícia carioca resolveu “castigar” o rapper e agiu de má fé. Afinal, o fato de terem colocado uma arma de air soft na mesa de apreensão, escondendo sua ponta laranja, transparece tamanha má fé.

cert arsenal

 

 

Ah, mas e a mulher do Cert? Afinal, ela foi agredida? Ela vai se pronunciar sobre?

Então, até agora a Babi não se pronunciou sobre o assunto e declarou que só se pronunciará em juízo, mas soltou uma nota no Facebook/Instagram, a qual primeiramente foi privada, mas depois a tal a configurou para modo público:

mulher cert

 

Até o fechamento desta matéria, a justiça decidiu pela manutenção da prisão de Cert por tráfico de drogas.  Mais uma vergonha declarada da PM brasileira. Inúmeros fãs estão se manifestando na internet e já tem até manifestação a favor da liberdade do músico sendo marcada no RJ. Vários músicos como MarceloD2, Dinho Ouro Preto, Raimundos e Tico Santa Cruz já se manifestaram sobre. O deputado Jean Willys também já se manifestou sobre e defende a mudança na política anti-drogas brasileira. E até o senador Cristovam Buarque. Todas as manifestações podem ser vistas na página oficial da Cone no Facebook.

Cert, eu estou com você. #LiberdadeCert

Fotógrafa, produtora de moda, jornalista , cinéfala, vlogueira e bem resolvida (menos quanto a cor de cabelo).

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Crítica | Os 7 de Chicago “falha em transportar o roteiro para a tela”

O recorte de Sorkin soa muito mais como um apelo por empatia sem justificativa e nem razão narrativa para existir.

Davi Alencar

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O ano é 1968 e os Estados Unidos fervilham com o ritmo da sangrenta Guerra do Vietnã. Em meio a esse ambiente, movimentações estudantis começam a agir contra o recrutamento de jovens para o campo de batalha. Os 7 de Chicago, novo lançamento de Aaron Sorkin pela Netflix, conta a história de sete réus acusados de conspiração, formação de quadrilha e incitação de revolta pelo governo estadunidense ao organizar uma manifestação que não acabou nada bem.

O filme marca a segunda tentativa de Sorkin na direção e visivelmente pega emprestado muito da estrutura de A Rede Social (David Fincher, 2010), filme no qual ele é roteirista. A tática de se apoiar em um julgamento para desenrolar fatos passados é interessante, mas ele não consegue obter o mesmo êxito de Fincher e falha em trazer para a tela a complexidade e o ritmo que seu roteiro inspira.

Infelizmente, essa parece ser a sina do diretor. Enquanto sua habilidade de escrita é impecável, principalmente o modo que ele usa os diálogos para arquitetar o desenrolar de uma cena, sua proficiência em coordenar a estética e a linguagem do filme são bem rasas. Seu trunfo é sempre a fala e a impressão que fica é de que suas histórias só funcionam efetivamente como cinema quando tem alguém para “controlá-lo”. Em suma, sua dificuldade é transformar o roteiro em fotografia.

Essa conclusão é bem frustrante já que tanto o cenário quanto a história que escolheu contar são fascinantes. O Vietnã foi um período muito marcante dentro do imaginário popular dos EUA e usar isso para evidenciar como a força policial pode ser ainda mais nociva quando defende os interesses do estado tem um significado bem rico. O filme não passa nenhum sinal dessa opressão a não ser quando efetivamente cumpre o clichê.

Inserir algumas imagens reais dos protestos de 68 é o máximo de personalidade que aspira ter. Spike Lee faz algo bem parecido em Destacamento Blood (2020) e, enquanto a sua versão é uma pausa no filme para honrar a imagem e os nomes de negros que morreram em decorrência dessa guerra sangrenta, o recorte de Sorkin soa muito mais como um apelo por empatia sem justificativa e nem razão narrativa para existir.

O final é tão clássico quanto pode. Uma cena com um teor altamente inspirador encerra a obra com uma série de letreiros para indicar o que aconteceu depois. Uma mesma versão disso ocorre no começo, quando cada personagem recebe uma breve descrição em tela com seu nome e função. Isso é uma prova de que nem o roteiro é tão irretocável e, mesmo com sua verborragia, não consegue desenvolver o básico desses seres sem apelar para um recurso gráfico.

Pode-se dizer que um dos seus pouco acertos é na figura do antagonista. O juíz Julius Hoffman é tão odioso quanto alguém que personifica os interesses do estado deve ser. Ele é uma peça chave onde o filme funciona melhor e sabe criar no tribunal esse senso de causa perdida. De uma maneira muito superficial dá para lembrar de Filadélfia (Jonathan Demme, 1993) no embate entre duas forças tão diametralmente opostas.

Os 7 de Chicago é uma grande isca pro Oscar e marca a tentativa da Netflix em vencer mais prêmios. Infelizmente, por mais que a história seja boa, ele não sabe utilizar a cinematografia para criar um resultado favorável e acaba atingindo uma superficialidade decepcionante. Em um paralelo com outro grande lançamento da plataforma, Estou Pensando Em Acabar Com Tudo (Charlie Kaufman, 2020), falta transformar esse amontoado de ideias legais em um filme propriamente dito.

Os 7 de Chicago esta disponível na Netflix.

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Michael B. Jordan será produtor do novo filme do Super Choque

Nesta sexta-feira (16) a Warner Bros anunciou que a grande estrela Michael B. Jordan será produtor do longa através de sua produtora Outlier Society.

Davi Alencar

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A produção do novo filme de Super Choque começa a ganhar forma. Nesta sexta-feira (16) a Warner Bros anunciou que a grande estrela Michael B. Jordan será produtor do longa através de sua produtora Outlier Society.

O longa anunciado no DC Fandome também terá Reginald Hudlin ao lado de Jordan.

“Estou orgulhoso de ser parte desse novo universo centrado em super heróis negros. A nossa comunidade merece isso.” Disse o ator em uma entrevista para o The Hollywood Reporter. “A Outlier Society se compromete em trazer conteúdos com diversidade dos quadrinhos para todas as demais plataformas e estamos animados pela união com Reggie e a Warnes Bros para esse primeiro passo.”

Super Choque conta a história de Virgil Hawkins, um menino negro que ganha poderes eletromagnéticos depois de ser exposto a um gás desconhecido. Ele tem que experienciar as problemáticas disso se relacionando diretamente com o ambiente urbano que habita.

Fora os dois produtores, inclusive Hudlin está responsável pela próxima série de quadrinhos do heróis, ainda não foi revelado nada da produção. Ao que tudo indica, esse pode ser o início de um novo selo de filmes de herói a Warner, mas ainda é muito cedo para afirmar qualquer coisa.

Mesmo assim, os fãs não deixam de especular e os mais cotados para o papel de Virgil são Jaden Smith (À Procura da Felicidade) e Caleb McLaughlin (Stranger Things).

Por enquanto ainda não há uma data de estreia para as eletrizantes aventuras de Super Choque nas telonas do cinema.

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A Voz Suprema do Blues | Último filme de Chadwick Boseman ganha posters

Nesta última quinta-feira (15) a Netflix liberou uma série de posters individuais das personagens de seu novo filme, A Voz Suprema do Blues.

Davi Alencar

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Nesta última quinta-feira (15) a Netflix liberou uma série de posters individuais das personagens de seu novo filme, A Voz Suprema do Blues.

Confira a sinopse: Chicago, década de 1920. A tensão só aumenta entre os músicos que aguardam em uma claustrofóbica sala de ensaio a lendária e revolucionária “Mãe do Blues”, Ma Rainey. Atrasada para a sessão de gravação, Ma trava uma batalha com seu produtor e empresário branco em defesa do controle sobre sua música. Enquanto a banda espera, o ambicioso trompetista Levee – interessado na namorada de Ma e determinado a trilhar seu próprio caminho na indústria da música – faz o clima esquentar entre os músicos com uma profusão de verdades e mentiras que mudarão para sempre o rumo da vida de todos.

Com direção de George C. Wolfe e roteiro de Ruben Santiago-Hudson, o filme ainda conta com a produção de Denzel Washington e Todd Black e a trilha do ganhador do Grammy, Branford Marsalis. O elenco é de peso com nomes como Chadwick Boseman, Viola Davis, Colman Domingo, Glynn Turman, Michael Potts, Taylour Paige e Dusan Brown.

O filme foi o último de Boseman antes de partir precocemente por um câncer de cólon. A cereja do bolo de uma carreira irretocável que deixou muitas saudades.

A Voz Suprema do Blues chega na Netflix 18 de dezembro.

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