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Crítica | Babilônia “A verdadeira Era de Ouro de Hollywood”

O filme indicado 3 vezes ao Oscar foi adicionado recentemente ao catálogo da Paramount+ e vale a pena você assistir.

Maria Fernanda Santana
Estudante de jornalismo e fascinada por cinema
5 Perfeito!
Babilônia

Dirigido por Damien Chazelle (La La Land), Babilônia segue grandes atores do cinema mudo no final da década de 1920, justamente quando o cinema passa a ser falado. Em 1926, o imigrante mexicano Manny, ajuda a transportar um elefante para a festa do executivo da Kinoscope Studios.

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Lá, conhece a atriz Nellie LaRoy e também a atriz Jane Thornton. Durante a festa, Manny passa a ver outros atores em suas versões menos glamorosas. Nellie acaba sendo recrutada para substituir Thornton na Kinoscope e rapidamente começa a ser a nova “it girl” de Hollywood, aparecendo em inúmeros filmes e sendo a mais amada.

Manny também não é esquecido, ele consegue rapidamente ultrapassar atores mais consagrados com a chegada dos filmes falados, já que muitos outros não conseguiram se adaptar à nova mudança. Já Nellie, mesmo sendo uma das atrizes mais famosas de Hollywood, acaba se virando para as drogas com as altas demandas de seus produtores.

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Cena Babilônia

Quando pensamos em cinema, automaticamente pensamos (ou quase) em Hollywood. A capital do cinema é uma imagem quase única da produção audiovisual no mundo, sendo lembrada por ser repleta de estrelas, obras clássicas e muitos sonhos em cada calçada. Sendo um local que atrai turistas e sonhadores que buscam alcançar seus objetivos, a romantização de Hollywood e seu símbolo para a sétima arte começou na famosa “Era de Ouro”, nos anos de 1920 a 1960.

Babilônia é ambientado nos loucos anos 20 e o que se esperava era algo focado na tal “Era de Ouro” tanto de Hollywood quanto do cinema da forma mágica que sempre imaginamos e que sempre foi retratado muitas vezes pelos próprios estúdios. E não foi nada disso.

Realmente teve-se a representação da sétima arte, a transição do cinema mudo para o falado e as chegadas dos musicais, mas recebemos muito mais que isso. Uma sensação de revelação. E é essa a revelação que Chazelle em Babilônia queria retratar: uma Hollywood cruel, cheia de oportunismo, hostilidade, ganância e sonhos frustrados. 

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Cena Babilônia

As loucuras em excesso, a mistura de cenários e quase todos os gêneros do cinema passando na tela pra dar o ar das graças (como ação, comédia, romance e drama). Chazelle retratou a realidade do tempo em que se passa em um ritmo e trilha sonora um pouco mais frenética e contagiante do que vimos em seus outros filmes, com jogos de câmeras estratégicas na finalidade de fazer o público ficar inteiramente concentrado na narrativa em relação aos acontecimentos a fim de tornar todas aquelas cenas um grande objetivo. 

Embora certas marcas registradas da direção de Damien surgissem um momento ou outro, é quase impossível reconhecê-lo. Simplesmente tire a ideia de um Damien Chazelle de Whiplash ou La La Land. (no bom sentido).

Em Babilônia o desenvolvimento dos personagens é algo muito satisfatório de se assistir. Com certeza suas histórias contadas foram um grande sinal de uma perfeita combinação chamada roteiro e atuação. É fácil se apegar e se emocionar com cada um deles, mesmo com seus defeitos muito explícitos e explicados, consegue compreendê-los. A perda de um e de outro era tocante, porque é possível sentir a dor que sentiam, diante de todo aquele cenário de que tanto o cinema quanto seus sonhos e suas conquistas estavam desmanchando para eles. 

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Cena Babilônia

E essa foi outra característica perceptível sobre a indústria cinematográfica: é muito fácil realizar os seus sonhos e torná-los seus próprios pesadelos. São descartados no momento em que não os acompanha nas mudanças do novo mundo audiovisual, como a entrada do cinema falado e a dificuldade de Jack Conrad de manter o seu sucesso e seu destaque. 

Além do galã, temos a aspirante a atriz Nellie LaRoy que mesmo conseguindo seu estrelato, também não conseguiu se adaptar às mudanças tecnológicas, e além disso teve que participar do treinamento moralista em meio ao seu vício com drogas e jogos de azar. Continuando, temos Manny Torres, um mero faz tudo de estúdio para estúdio e que sonha trabalhar com a magia que o cinema é para ele, e quando finalmente alcança seu objetivo, acaba se perdendo por fazer escolhas erradas. 

Por fora desse núcleo, tem-se o trompetista Sidney Palmer e a cantora de cabaré Lady Fay Zhu, que acabam chegando ao seu estrelato também, mas são indiretamente rejeitados pela indústria conservadora e aspirante a moralista por ser um homem negro e uma imigrante chinesa lésbica.

Babilônia

Quanto a mudança de cenários, percebe-se uma mudança drástica com o passar dos anos, em que antes Hollywood não continha censura e tinha seus escândalos e depravação em excesso a mostra, e depois de um tempo toda essa decadência foi deixando de existir ou sendo feita escondida por baixo dos panos da capital do cinema.

Quanto maior o sucesso, maior eram as tentativas de criar uma imagem conservadora e mágica da vida estadunidense, tanto por motivos morais quanto por outros como fome e desemprego na Grande Depressão. Era a fuga da realidade em forma de entretenimento, otimismo e lucro. O chamado “American Way Of Life”.

A fotografia também remete bastante à realidade em Babilônia, com cores quentes em uma visão que costumávamos ver em preto e branco, adicionando-se a uma visão suja, encardida e imunda, retratada no sentido literal de toda a história. 

Claramente Chazelle tem uma nova imagem a mostrar. Não é Whiplash nem La La Land. É Babilônia.

Babilônia
Perfeito! 5
Nota 5