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cinema

Crítica: Capitã Marvel

Wendy Stefani

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Hoje, o desenvolvimento de uma das indústrias mais poderosas do mundo contemporâneo, está tendo um elevado crescimento no número de protagonistas femininas. O desequilíbrio existente está caminhando para uma estética cinematográfica mais atenta às questões femininas e se tornando cada vez mais promissor. Todavia, estudos realizados em 2017, mostram que as protagonistas mulheres são mais comuns em filmes independentes (65%) do que nos produzidos por grandes estúdios (35%). Ou seja, ainda temos muito o que avançar.

Capitã Marvel, com certeza é um dos filmes de Super heróis mais esperado no início desse ano. Criada nos quadrinhos por Roy Thomas e Gene Colan no fim dos anos sessenta (1968), e editado por Stan Lee, Carol Danvers, traz uma história rica de mais de 50 anos de performance. Se tornando um atual ícone feminista e a primeira protagonista cinematográfica do universo Marvel. Sem dúvida, não é por acaso que sua aparição nos cinemas está sendo celebrada como o começo de uma nova era para a franquia da editora. Já destacando que esse é um dos filmes mais diferenciados do universo e que muitos, principalmente o público masculino, pode ter uma opinião negativa do enredo.

Iniciando o ano da melhor forma, a atriz Brie Larson (“O Castelo de Vidro”) é quem está interpretando à tão esperada Carol Danvers. Uma humana, líder do departamento de segurança de uma base de mísseis das Forças Aéreas e que após uma explosão, acaba sendo transportada para o planeta Kree. Com sua estrutura genética alterada devido à explosão, Carol absorve poderes inimagináveis e inicia uma nova trajetória com a raça Kree, tornando-se um membro híbrido da raça. Sua história se passa na década de 90, onde está ocorrendo uma guerra galáctica entre duas raças alienígenas. Danvers, terá que tomar decisões e cumprir missões, enquanto tenta decifrar sua história e vai se transformando na mulher mais poderosa do universo.

O filme dirigido por Anna Boden e Ryan Fleck, tem início com uma pequena amostra da vivência e adaptação de Vers (Carol), como um membro da raça Kree. Além de mostrar os confrontos existentes entre eles e os Krulls, uma raça alienígena apresentada como uma possível inimiga. Mas logo aparece um segundo ato com a vinda de Carol para terra e as primeiras aparições do pessoal de operações especiais, os agentes da S.H.I.E.L.D.

Esses primeiros vinte minutos de cena podem ser maçantes e passar a sensação de que você entrou em uma realidade paralela do universo Power Ranger. É necessário paciência para vencer esses minutos. Porém, mais adiante, já temos uma melhora com a vinda de Carol para a terra e uma infiltração dos Krulls no planeta, além de muita ação, referências e homenagens!

As homenagens e referências que serão vistas no decorrer do filme, envolvem Stan Lee e Super Man! O cineasta conseguiu fazer com que as homenagens feitas à Stan Lee, fossem curtas e marcantes ao mesmo tempo, dá pra ficar um pouco emotivo, sim. Agora, as referências à Super Man estão em diversos momentos do filme e todo bom fã vai reconhece-las no ato, fiquem atentos!

O cinema de ação tem o poder de fazer com que você sequer respire nas cenas mais absurdas. A cena do trem, em que Carol acaba lançando um soco violento em uma idosa, é uma dessas! Mesmo tendo sido adiantada em pequenos fragmentos no trailer, não fica aquele sentimento de déjà vu. Além disso, tem homenagem à Stan Lee e adrenalina. Quanto aos efeitos especiais, a cena da Danvers recebendo os poderes merece atenção devido ao minimo cuidado desde o grão de terra as folhas das arvores.

Sobre o encontro dos personagens da S.H.I.E.L.D, o enredo não deixou os espectadores esperando por muito tempo. A junção desses personagens é espetacular e pode acabar trazendo mais expectativas a trajetória de Danvers, além de permitir que todos presenciem os agentes Coulson (Clark Gregg, de “A Lei da noite”) e Nick Fury (Samuel L. Jackson, que protagonista o Senhor de Vidro no filme “Corpo fechado”) em uma fase mais juvenil de suas carreiras na agência.

A trajetória da vida do agente Fury, um dos personagens mais enigmáticos do universo Marvel terá muito foco nas cenas. Mostrando suas reações com a descoberta da existência de alienígenas, e sua liderança com todas essas novas informações. Além desse feito, o momento que todo fã esperava, FINALMENTE vai acontecer, a revelação de como Fury perdeu seu tão precioso olho! Muitas versões já haviam sido apresentadas e, em Soldado Invernal, ele comenta que perdeu seu olho da última vez que confiou em alguém. Agora todos vão saber o que realmente aconteceu e o surgimento dos Vingadores!!

O enredo se mostrou eficiente com o mistério da vida de Darvens e sua trajetória em descobrir tudo. São lançados pequenos fragmentos onde o espectador vai tentando juntar as peças, e mesmo pra quem já sabe da história pelos quadrinhos, consegue apreciar como o diretor aperfeiçoa as cenas e reviravoltas não parecendo algo repetitivo e maçante.
As exibições de lutas estão muito bem elaboradas. Podemos ver que Brie trabalhou muito bem! A fisionomia da atriz está no ponto certo e torna as cenas bem realistas e digna de sua personagem.

Agora, atenção para um dos pontos fortes do filme: a trajetória de Carol. Embora se tenha uma noção da sua história, o cineasta foi espetacular em transformar um contexto que poderia ser mostrado de forma irrelevante, em um poderoso enaltecedor de mulheres fortes e únicas. Sua história é mostrada, a princípio, destacando várias barreiras em seu caminho, o contexto social machista da época e as dificuldades que todas as mulheres sofriam (e sofrem) para alcançar determinadas posições que antes eram só habitados pelo sexo masculino (fica fácil a identificação do publico feminino com a personagem aqui).

O filme coloca a personagem como uma mulher forte e decidida, algo importante para a época, e que apesar das palavras contrárias, mostra-se firme e persistente naquilo que acredita. Sua caminhada é cheia de lições valiosas e objetivos alcançados! O momento em que Carol se desfaz de todos os sentimentos de inferioridades e reconhece finalmente quem é e seu poder, é um daqueles momentos marcantes, que muitos podem acabar se identificando, em particular o público feminino.

Além disso, temos uma trilha sonora que reverencia essa caminhada com um bom Rock and Roll, digno de uma Super mulher. Com toda essa nostalgia e cenas únicas, as chances de que o filme conquiste o público feminino, sinceramente, é bem alta! A descrição do enredo em enquadrar o empoderamento feminino, e querer mostrar muito mais do que uma super heroína, com lutas diárias das mulheres e nenhuma objetificação do seu corpo, foi uma tacada de mestre!

Outro ponto forte no filme: A Gata Goose. Nos quadrinhos, seu nome verdadeiro é Chewie, em homenagem a wookiee de Star Wars. O cineasta acabou alterando o nome com a perspectiva de trazer uma outra relevância nas lembranças de Carol. No filme a gata se destaca ganhando um lugar de prestígio nas cenas. A princípio passando-se por uma inofensiva gata fofinha, mas depois surpreendendo com o destaque de seus poderes e o fato de ser uma Flerken, um animal extraterrestre. Os Flerken são capazes de se teletransportar, e guarda dimensões de bolso dentro de si, onde podem armazenar todo tipo de coisa, e tudo isso será mostrado nas cenas, além de sua relevância no desenvolvimento do filme. Muitas das cenas consideradas engraçadas do filme têm sua presença e o diretor acertou no equilíbrio da comédia e quebra da tensão.

O filme foi longe e mesmo assim ainda tinha muito que você sente que poderia ter recebido maior destaque. Quando Danvers finalmente descobre sua história, temos um pequeno ressalto da sua melhor amiga. Uma mulher que fez parte das lutas e caminhada de Carol. Uma mulher independente, mãe solteira, forte e com o mesmo nível de heroísmo da Capitã. Não mostra uma humana frágil, sem poderes e que tem dependência da amiga Super heroína, pelo contrário, quando ela comanda a espaço nave frente – a – frente com vilões, você tem aquela sensação de que pra ela, só faltou o uniforme.

Por ser um dos filmes mais diferenciados do universo da Marvel, esse pode ser um daqueles filmes com potencialidade de atrair muitos outros públicos e desagradar muitos outros. E mesmo com tantos comentários e reações, não deixe de assistir e tirar sua própria conclusão. É um filme recomendado para todos e que tem muito o que dizer em especial para as mulheres. Para os fãs da Marvel é bom lembrar que o longa conta com 2 cenas pós-credito e que valem a pena.

Capitã Marvel estreia 7 de março no cinemas.