Pense numa sequência muito bem-feita, com muitos momentos muito acertados, sem parecer vazia e gratuita e com uma final girl que se consagram uma das mais carismáticas do terror recente? Casamento Sangrento: A Viúva é exatamente isso.
Se o primeiro filme trouxe um slasher com uma premissa interessantíssima, bem executado e bem amarrado, a sequência dobra a aposta: duas finais girls, mais uns jogos vorazes do satanás e uma construção de mundo e exemplar.
A ideia de que alegria de pobre coitada dura pouco e de que tudo que estar ruim sempre pode piorar é exercida com maestria por Grace (Samara Weaving), a recém viúva que está a um passo de pedir música no fantástico após 2 casamento em sequência com famílias que tem pacto com a mochila de criança.

Grace marca seu nome nos anais das finais girls, é incrivelmente carismática, engraçada, doida na medida certa. A atuação de Samara é um deleite de assistir, sem cair em caricaturas ou overacting, traz a audiência pra muito perto da sua luta pela vida. É sempre revigorante ver uma atriz deslumbrante de linda que não tem medo de parecer horrenda em tela.
Depois de passar a noite de núpcias em claro pelo motivo errado – jogando um jogo valendo sua vida – Grace descobre que ainda vai ter disputa de pênaltis valendo a vida também.
O roteiro de que após derrotar a família da seita satânica agora é preciso derrotar a Champions League das famílias satânicas poderia ter caido facilmente na armadilha do “mais e maior” que muitas sequências enfrentam, de dobrar a aposta apenas pelo choque e inflar uma ameaça que muitas vezes fica descabida. Porém, os realizadores do projeto conseguiram expandir o mundo dessa história com maestria, inclusive na hora da dobradinha literal.

O aprofundamento da lore em nenhum momento fica forçado, ou emburrecido. Em momento nenhum o filme substima a inteligência do espectador e segue um ritmo acelerado de quem realmente mal teve tempo de respirar e já vai pra bacia das almas de novo. Os diálogos expositivos não são massantes, as ideias são claras e bem elaboradas. O roteiro segue simples e bem amarrado, o que fortalece ainda mais todas as outras decisões acertadas da sequência.
Somos apresentados a segunda parte da dupla dinâmica de Grace, sua irmã Faith (Kathryn Newton), que vivia em exílio até receber uma ligação do hospital.
Foi uma delícia ver Kathryn em tela nesse papel, completamente a vontade e lembrando muito seu papel em Supernatural. Inclusive, os fãs da série que torciam para que o spin off “Wayward Sisters” tivesse acontecido, esse filme com certeza dá um gostinho do que teria sido.

A relação turbulenta entre as irmãs também é tratada de forma divertida e inteligente, dada a conta gotas e sem nenhuma pretensão de fazer um dramalhão além da conta. O resto do elenco é de tirar o chapéu, especialmente Elijah Wood metido com anel de novo.
A narrativa toda passa o desespero de que se correr o bicho pega e se ficar o bicho come, sendo a única resposta ser mais louca que o próprio bicho. As interações entre as personagens, piadas, humor, referências são tão boas e tão bem encaixadas que parece quase herético descrevê-las aqui e deixar você sem a oportunidade de vivê-las numa sala de cinema.
Casamento Sangrento: A Viúva é uma sequência inspirada, cheia de acertos que dá gosto de ver. Um projeto bem acertado, bem encaixado e espirituoso o que com certeza tem tudo para virar um clássico do gênero. E é aquilo né: se você não sabe brincar, não desça pro play.





