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Crítica – Coisa Mais Linda – 1ª temporada

Uma história sobre coragem, força e união.

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A série conta a história da vida de mulheres que possuem caminhos cruzados durante a criação do Clube de Bossa Nova “Coisa Mais Linda”, mostrando as dificuldades de ser mulher durante a década de 60. A produção original da Netflix, com sete episódios na primeira temporada, tem uma arte visual incrível sem deixar de lado assuntos necessários e personagens incríveis.

A história é desenvolvida pela perspectiva de Maria Luíza ( Maria Casadevall), a protagonista é a grande idealizadora do clube, que, após se mudar para o Rio de Janeiro e seu marido fugir com seu dinheiro, luta para conquistar a liberdade financeira para sair da casa dos pais e levar o filho para vê o mar do carioca que tanto sonha. Após salvar Malu de um possível futuro incêndio, Adélia (Patricia Dejesus) aparece e acaba se tornando uma das sócias do clube Coisa Mais Linda, encaixando na historia de forma bem explicativa como o machismo prejudica de forma diferentes pessoas de cores diferentes e como essa diferenças unem as pessoas.

Thereza (Mel Lisboa) e Lígia (Fernanda Vasconcellos) são duas personagens totalmente diferentes mas tem um papel fundamental que retratam o que é ser mulher em uma sociedade dominada por homens, Thereza trabalha em uma revista para mulheres e é a única mulher na equipe, tendo que lidar com um escritório que nem tem banheiro feminino, enquanto Lígia é impedida de realizar seu sonho de cantar por não possuir a aprovação do marido e lidar com a violência doméstica.

 “Coisa Mais Linda” é uma série que encanta o espectador pelo cuidado com a estética, a influência das cores na fotografia é nítida e utilizada de forma leve para mostrar a beleza tanto nas áreas nobres quanto das favelas cariocas, os cenários oferecem certa nostalgia até para quem não viveu nessa época e o figurino se encaixa na personalidade dos personagens sem forçar. A produção também encaixou momentos históricos para identificar melhor sobre o contexto da serie, como a construção de Brasília e os jogos olímpicos em Roma.

A trilha sonora também é incrivelmente envolvente, por ser uma série que conta bastante sobre o surgimento da bossa nova fez todo o sentido colocar “Garota de Ipanema” na abertura, a segunda música mais tocada no mundo inteiro. Musicas de diversos cantores, como Cazuza e Rita Lee, dá uma diversificada nos ritmos musicais da série e mostra como a música tem o poder tanto de separar as pessoas em classes sociais como uni-las.

Com um final inesperado e trágico, a espera de uma segunda temporada é alta e não são economizados elogios á série nas redes sociais. Uma produção nacional de qualidade, que usa muito o contexto sociocultural da época e que mostra como a sociedade progrediu, mas nos leva a questionar o quanto precisa ainda melhorar.

Coisa Mais Linda” está disponível na Netflix.

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Love, Victor | 1ª temporada é “apaixonante”

Série é derivada do filme ‘Com Amor, Simon’.

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Mudanças nunca são fáceis. Muitas vezes feitas por nossas escolhas e muitas outras por imposição do destino, sempre chega um momento em que temos tomar as rédeas da nossa vida e seguir um caminho que, quase sempre, nunca foi aquele que desejamos mas que se apresenta como o necessário… Até mesmo para que, num futuro, se possa desfrutar do mundo com mais paixão e leveza.

E quando se está no auge da adolescência, onde a pessoa descobre todo um universo fora do âmbito familiar (e com hormônios bombardeando seu corpo e mente), as mudanças se tornam ainda mais intensas e inevitáveis. A confusão de pensamentos e sentimentos nesta fase faz com que o jovem passe por uma jornada quase que épica em busca de autoconhecimento e aceitação, ainda que tenha percalços ao longo do caminho.

E assim pode ser encarada a mais nova série da plataforma Hulu: Love, Victor. Apesar de se passar no mesmo universo do longa Com Amor, Simon – lançado em 2018 – não se trata aqui de uma continuação mas sim de um derivado. A história se concentra em Victor Salazar (Michael Cimino), um jovem de origem latina que se passa a estudar na Creekwood High School, mesma escola do filme original, e que está lutando com sua orientação sexual e se adaptando a uma nova cidade.

Ao longo dos episódios, se descobre que a história de Simon (Nick Robinson, agora um dos produtores e narrador da série) se tornou uma verdadeira lenda na escola, o que estimula ainda mais Victor a se questionar e entrar em contato com ele em algumas ocasiões. Isso rende as participações especiais de alguns personagens vistos no longa, o que alegra os fãs de Simon e seus amigos, mas não tira o foco da trama central, sendo assim um ponto positivo para a produção.

Outro fator que joga a favor da série é que a história não tem a intenção de emular os acontecimentos vistos no filme: ao contrário de Simon, que teve o suporte da família e amigos quase que instantâneo ao se revelar como gay, Victor não tem essa mesma sorte. O personagem vive em uma família tradicional enraizada nas diretrizes dos “padrões” da sociedade. Fora isso, ele precisa se deparar com as brigas constantes de seus pais, que vivem um relacionamento balançado, e as confusões causadas pela sua irmã mais nova, que não aceita a ida da família para uma nova cidade e, assim, ficando longe do namorado. São situações adversas que podem num primeiro momento parecer cair para o clichê dramático de séries desse gênero, mas no fim se apresentam de uma forma equilibrada com as outras temáticas abordadas a um roteiro bem trabalhado.

Somado a isso, o núcleo escolar de Love, Victor também se mostra interessante, mesmo com alguns mais trabalhados que outros. A começar por Felix (Anthony Turpel), o vizinho de Victor e o pária de Creekwood High School. Mesmo sendo o alívio cômico da série, vemos com o passar dos episódios que ele carrega uma mágoa devido o jeito como é encarado pelos outros alunos, entretanto sua jornada mostra a importância de ser quem você realmente é, sem se importar com o que as pessoas falam. Sua amizade com Victor o faz se aproximar de Lake (Bebe Wood), uma das garotas populares e viciada em rede sociais, sempre tentando estar perfeita e com status inabalável.

O convívio com Felix a faz abrir os olhos para o que é realmente importante quando se trata de se apaixonar, uma vez que sua vida amorosa passa por dificuldades nesse campo ao ter uma queda por Andrew (Mason Gooding), membro do time de basquete da escola e que é interessado em sua amiga, a inteligente e descolada Mia (Rachel Hilson). Essa, no entanto, é apaixonada por Victor e inicia um relacionamento com ele. Essa ciranda ganha um tempero a mais quando Victor se vê dividido em seus sentimentos pela garota e por Benji (George Sear), gay assumido e também aluno da Creekwood.

Com elenco competente (com destaque para Cimino, que entrega um protagonista extremamente amável e humano), a série se envereda por temas importantes dentro da sociedade atualmente, principalmente dentro dos núcleos familiares. As mudanças e os questionamentos feitos por Victor e seus amigos são o que muitos jovens passam no seu cotidiano e, assim como o personagem principal, não tem a abertura em casa para se abrirem e o suporte para enfrentar seus dilemas. Muitos irão se identificar com algumas situações apresentadas na trama, fazendo dela uma história que deve ser vista por toda a família (de preferência, todos juntos na sala).

Com somente dez episódios em sua primeira temporada – com cerca de vinte minutos de duração cada – Love, Victor vai muito além de uma série teen com temática LGBTQIA+… Como dito no início, ela se trata de mudanças.

É uma pena que não tenha previsão de lançamento aqui no Brasil (até o momento, o Hulu só está disponível nos EUA e Japão), pois é uma série promissora e com um texto deliciosamente carinhoso, que expõe problemas reais de uma parcela da sociedade que geralmente não se vê representada na cultura de massa. Histórias que nos fazem refletir sobre escolhas, que moldam personalidades e nos ajudam a passar pelos momentos difíceis, merecem todo o apoio e suporte por parte do público. Com amor, assistam.

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Hunters | 1º temporada “Do brilho ao antissemitismo”

A primeira temporada de Hunters está disponível no Amazon Prime Video.

Isabela Gomes

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Por mais difícil que seja abordar o tema da segunda guerra mundial, a Amazon Prime Video trouxe este ano como entretenimento uma nova série, surpreendendo o público com mais uma obra inovadora da plataforma. A série “Hunters” dirigida por Jordan Peele (também diretor e escritor do filme “Corra!”) aborda uma das maiores tragédias desumanas da história, porém a série consegue contrastar o drama do holocausto com uma dose de humor para garantir o alívio cômico.

No seriado, Jonah (Logan Lerman) se depara logo no início com o assassinato de sua Avó, o que leva a conhecer e se aliar a um grupo de caçadores de nazistas liderado por um antigo amigo de sua Vó (Meyer Offerman) que esteve com ela no campo de concentração de Auschwitz, que é interpretado por ninguém mais, ninguém menos que Al Pacino. Logo o grupo descobre a existência de nazistas infiltrados nos Estados Unidos com planos para o Quarto Reich.

Passada nos anos 70, mais de 30 anos pós-guerra, Hurters trás a premissa de que o nazismo está presente mesmo após o fim do conflito, ou seja, até no simples cotidiano dos personagens é mostrado o preconceito ainda sofrido pelos judeus. Os personagens trazem personalidades fortes e distintas, o que trás um contraste grande com o grupo de caçadores que são também muito comparados com super-heróis, trazendo uma forte referência aos quadrinhos, mas ao mesmo tempo não é apresentado claramente os motivos, intenções e a história de cada um e isso pode ser agoniante tendo cada episódio em média uma hora de duração. Os personagens são bem construídos e interessantes, porém a expectativa de conhecê-los não é suprida.

Enquanto Jonah busca justiça pelas próprias mãos, sempre se pega pensando que talvez possa estar se tornando tão ruim quanto os nazistas que fizeram mal à sua Avó, mas por outro lado ele avalia que o próprio governo permitiu que os nazistas retornassem e não fossem punidos corretamente, o que aumenta sua sede de vingança e a linha tênue do limite moral da crueldade.

Hunters não tem cuidado nenhum em mostrar ao telespectador cenas de violência e do próprio holocausto, e também trás essa falta de delicadeza em trocar as cenas entre passado e presente com uma simples troca de tela, foi escolhida essa falta de dinâmica nas trocas de cenas até para apresentar os pequenos clipes irônicos sobre o fascismo no meio dos episódios.

A trama se apresenta como um thriller com o desencadeamento das descobertas e a caçada para impedir maiores danos, acrescentando o fato de que o mostro maior, líder do projeto nazista se encontra nas sombras, enquanto ocorre também uma investigação da detetive Millie (Jerrika Hinton) em busca dos dois lados.

Apesar da inconstância de humor e drama, a série trás à tona a ideia de que não é porque a guerra acabou que a ideologia de Hitler também se foi junto com ela. Por um lado, podemos aprender sobre fatos que realmente aconteceram como, por exemplo, a operação papper clip, ligação do nazista Wernher Von Braun com Walt Disney, mas, por outro lado, a série apresenta acontecimentos modificados de como realmente os fatos aconteceram e também fatos que não há provas de que ocorreram como, por exemplo, o jogo de xadrez humano.

O despertar que a série proporciona sobre a existência do nazismo nos dias atuais, a dor de perder pessoas por conta do fascismo e a dor de ser uma “peça’ em um campo de concentração, o preconceito, dúvida de certo ou errado, justiça com as próprias mãos; tudo isso talvez seja necessário e leve aos telespectadores reflexões sobre pontos não pensados antes. Porém, o seriado pode levar a um certo incômodo por ter diversas abordagens (satírica, violenta, dramática), tendo ainda o humor presente em um tema tão delicado e tão doloroso.

A primeira temporada de Hunters está disponível no Amazon Prime.

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Dark | 3° Temporada “Série termina de maneira brilhante”

Fomos convidados pela Netflix para conferir a última temporada de Dark.

Fernanda Novaes

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Dark é a série alemã original da Netflix sobre viagem no tempo, onde o ponto central do enredo é o desaparecimento inexplicável de dois meninos na pequena cidade de Winden – mas a preocupação real da série é questionar se estamos ou não fadados a repetir os mesmos erros do passado.

Na terceira temporada vamos acompanhar, com ainda mais ênfase, a maior característica que percorre a série: a dualidade. Luz e sombra, passado e futuro, o lado certo e o lado errado. A dualidade do universo corre forte pelas veias de Dark e, ao encerrar sua terceira e última temporada, a obra procura atingir o equilíbrio.

Para quem acompanha a série desde o início já se acostumou com todas aquelas descobertas que giram em torno das principais famílias, descobertas essas que marcaram a primeira temporada e que também prendeu o público por conta do aspecto labiríntico da obra. Então, na terceira temporada algumas descobertas não chegam ao impacto das temporadas anteriores justamente por já estarmos acostumados e até esperarmos que algo ainda mais bizarro aconteça, mas ao mesmo tempo, a série tenta fechar todas essas lacunas de informações e levar suas ideias expansivas a uma conclusão emocional e satisfatória.

A técnica de contar histórias permanece basicamente a mesma, porém com novos personagens que fazem com que o roteiro, sutilmente, seja levado para o final. Esses personagens realmente só existem para fazer com que a série se encerre. Sem eles, suas ideias provindas das suas experiências, que geralmente são dolorosas, os personagens já conhecidos estariam fadados à uma estagnação. Por mais que não consigamos nos conectar com esses novos personagens, talvez por falta de tempo, ou ainda pelo aspecto frio tão característico da série, eles ainda tem um papel importantíssimo a desempenhar que é fazer com que os outros personagens se movam.

Muito do que faz Dark funcionar é justamente o desenvolvimento de seus personagens e seus destinos interligados. Destino é uma das palavras que será extremamente citada nessa temporada, além de várias frases que se repetem ao longo dos episódios, como se o diretor quisesse dar uma dica pra gente, como se ele estivesse conversando com o público.

E com tantas peças em movimento, agora com mais personagens e desdobramentos em um universo que não é mais influenciado apenas pelo tempo mas também pelos mundos e realidades possíveis, é provável que no meio do caminho você pare para absorver tudo que está acontecendo. Em alguns episódios a série não tem a preocupação de mostrar tão explicitamente o tempo e lugar onde os personagens estão, fazendo com que o público fique tão confuso quanto eles.

Mas talvez seja a temporada mais fácil de acompanhar pois finalmente lança o mistério de quem exatamente é um mentiroso e quem está dizendo a verdade, algo que a série lutou muito para permanecer o máximo que conseguisse.

Dark, com sua terceira temporada, continua sendo uma história profundamente intrigante, com ótimos personagens e uma bela direção. O elenco principal, na maioria das vezes, volta tão bom quanto antes. A temporada combina personagens normalmente não vistos juntos, e assim diferentes dinâmicas são criadas e ganhamos maior amplitude sobre, até mesmo, a persona de cada um.

Grande parte da terceira temporada repousa sobre os ombros de Lisa Vicari, atriz que faz Martha, permitindo que ela mostre lados de si mesma e ganhando ainda mais complexidade psicológica. Todo o elenco é usado excepcionalmente bem, e o arco de cada um permite que todos participem desse ciclo final e brilhem à sua própria maneira.

Esses oito episódios são uma conclusão fantástica para Dark, e os co-criadores conseguiram com sucesso fechar brilhantemente seu ciclo de contar histórias de maneira dramática e emocional.

A última temporada de Dark estreia dia 27 de junho (amanhã) na Netflix.

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