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Crítica | Cruella “Um Joker, mas PG livre”

Thalita Heiderich
Thalita Heiderich
Carioca viciada em séries, filmes do drama ao terror gore. Rabiscadora de livros, nerd, míope e ouvinte de podcast com a cabeça na janela do ônibus....

Dirigido por Craig Gillespie (Eu, Tonya) e com roteiro de um monte de gente, chega aos cinemas o crossover entre “O Diabo Veste Prada” e a franquia dos X homens e mulheres e um segredo.

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Cruella é o mais novo filme da Disney baseado em animações antigas e clássicas. Não vou chamar de live action, pois não temos aqui a mesma história, mas sim um prequel, o surgimento de Cruella e uma nova roupagem para uma das vilãs mais cruéis (Cruella cruel, Cruella cruel) da Disney.

Emma Stone traz seus olhões e muitas expressões para o papel de Estella (Cruella), órfã de cabelo branco e preto que se culpa pela morte da mãe e conhece 2 meninos nas ruas, vivendo com eles até ficarem adultos e sobrevivendo dos roubos e esquemas planejados pelos três. Tem uns cachorrinhos engraçados no meio também.

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Os 101 Dálmatas é um dos filmes da Disney mais próximos à realidade (sem magia e sobrenatural), mas Cruella precisa ser visto com olhos de que “tudo é possível” para ser bem apreciado. Tem que usar muito de “suspensão de descrença” pra relevar os golpes do grupo e todos os aparecimentos repentinos da protagonista.

Começamos a história com a jovem Estella e seus primeiros anos com a mãe. Estella é arteira, com temperamento forte e muito criativa com desenhos e moda. 

A dificuldade financeira da família leva a trágica morte de sua mãe e isso tudo toma 20 minutos do filme, mas é transmitido tão rápido na tela que parece que deixaram o filme em 1.5x na velocidade e esqueceram de acertar no final.

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Essa velocidade acontece em vários outros momentos do filme e, se levarmos em consideração que ele tem 2h14min, poderia ter sido ainda maior. Praticamente não há respiro. A todo momento temos um roubo ou cena digna de 11 homens e um segredo.

O figurino desse filme é magnífico. Não faço ideia de como Cruella consegue fazer os looks tão rápido e nem de onde consegue dinheiro para tal, mas tenho que agradecer a Jenny Beavan (maravilhosa, sensacional, mais Oscar pra ela) pelo deleite de ver tantas roupas lindas em tela. 

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Outro ponto positivo é o humor do filme. É ridículo e cringe, mas tem muita referência a animação e até dá novo significado a reputação de Cruella. Os nomes dos cachorros me fizeram rir também.

Até agora eu não falei de nenhum personagem que não seja a protagonista, e a razão para isso é que… não tem mais ninguém. Mentira, tem sim, mas nenhum outro personagem tem desenvolvimento considerativo.

Temos a Baronesa (Emma Thompson), que tem papel de concorrente, mas nessa briga de Emma, ninguém é heroína.

Todos os outros personagens não possuem desenvolvimento. E esse filme tem diversidade. Tem gordo, magro, preto, preta, velho, novo e até gay… e todos eles só estão ali pra servir de capangas pra fama da Cruella crescer. Tô vendo isso, eihn Disney. Num é isso que a gente chama de inclusão não…

Também quero ressaltar o diagnóstico de psicopatia. Psicopatia não é genético e nem se encaixa no comportamento da personagem. Usar esse diagnóstico dá mau exemplo sobre o transtorno de personalidade e propaga a desinformação.

Com um roteiro fraco, cores vibrantes, figurinos lindos, diversidade velada, CG de Dálmata horrorosos e mais atos do que o necessário pra contar a história… ainda assim Cruella vai agradar a muitas pessoas. Não é história de redenção pra criança, na verdade esse filme é pra adulto simpatizar com vilão. Tipo Joker, mas PG livre.

Ah! já ia esquecendo da trilha sonora. É um shuffle de melhores dos anos 70-80 sensacional. E ela encaixa bem em vários momentos do filme, quase como personagem. Só esqueceram de mixar e os volumes estão desregulados ou termina do nada.

Em tempos de filmes horrorosos, esse ao menos é uma boa pegada no cinema. Só não espere sair transformado. Aproveite a superficialidade e proclame seu amor por mais uma vilã.

Cruella estreia hoje (27) nos cinemas e no dia 28 no Premier Access do Disney+.