Connect with us

cinema

Crítica – Diminuta “Um drama diferenciado sobre buscas e recomeços”

O filme apresenta um excelente figurino, trilha sonora e montagem. Um enredo simples e uma trilha sonora que te faz querer investigar o filme

Avatar

Published

on

Uma combinação perfeita, que une Brasil e Itália no cinema, e também na música, “Diminuta”, é um drama diferenciado que fala de solidão, buscas, recomeços, e apresenta a história de um corretor de seguros de vida e saxofonista, que cresceu em uma pequena cidade da Itália, mas vai morar no Brasil, após a morte do avô.

O filme que participou da mostra de cinema china brasil, no espaço itaú, lançado quarta-feira (25). O longa exibe a história de Cristiano, neto de Marco Aurélio Aquino (Giancarlo giannini), um músico que vive em uma pequena cidade da região de Vêneto, na Itália. Devido a morte do seu avô, que sempre influenciou no contato com a música, Cristiano vai morar com seu tio, no sul do Brasil. A música, o saxofone e a Itália ficam para trás. Passado o tempo, o personagem casado com Júlia, se vê com alguns questionamentos e frustações, ao lidar com a depressão da amada e o trabalho como corretor de seguros. Cristiano repensa o tipo de vida que gostaria de ter ao conhecer Mark Anderson, um professor de música que resgata a sua história de vida com o saxofone. Desde então, se inicia a saga do personagem para enfrentar o seu medo de viver do que ama, a música, e redescobrir na sua cidade de origem o que um dia deixou para trás.

Os atores veteranos Debora Evelyn e Reynaldo Gianecchini, que interpretam o casal Júlia e Cristiano, revelam a natural realidade da vida a dois, de marido e mulher nos dias atuais, as inúmeras divergências e impasses, mas com uma questão um pouco delicada entre superar a perda de um filho(vítima de um câncer), e seguir adiante, o remorso de não viver o luto e não prosseguir com as suas experiências de vida.

Bruno Saglia, veterano na direção, foi contemplado com o prêmio do 9º Festival de Cinema Italiano no Brasil, com o mesmo longa, traz um drama com inúmeras doses de conflitos, a começar pelas específicas discussões de casal, umas que não são tão importantes e outras que observam o assunto sério em conjunto “com o desgaste de uma relação”. Carlos Vereza (que interpreta o músico Mark Anderson), não deixa a desejar e rege muito bem o seu papel de forma autêntica.Vale ressaltar que, em quase todos os momentos, sua conexão com a música é percebida no personagem.Vereza para quem não sabe, fora das telas, toca flauta e muito bem.

Existem algumas surpresas na história que atraem o telespectador, como atuação de Rachel Jesuton, a cantora inglesa, que ficou conhecida por se apresentar nas ruas do Rio de Janeiro, na pele de Charlote.Ela vive uma jovem cantora inglesa de jazz que mora na Itália, com alguns conflitos internos em relação a bebida e drogas, em vários momentos empresta sua potente voz às cenas, o que enriquece a atuação.

Em momento algum não podemos esquecer de dar destaque a Daniela Escobar, que interpreta Anne, uma médica, que dá um sentido especial as cenas, e que infelizmente teve poucas aparições, ao mostrar o lado afetuoso de quem lida com um momento tão delicado, a perda de uma criança vítima de câncer.

Não podemos deixar de mencionar também, atuação de Janine Salles, que vive uma cantora proprietária de um pub, e faz jus ao papel escalado, que muitas vezes parece realmente estar soltando a voz.

A bela atuação e a sintonia dos veteranos que vivem os personagens principais devem ser comentados. O casal, que vive inúmeros conflitos no longa, não deixa desejar e prendem a atenção. Giachinni que aprendeu a tocar o instrumento para fazer o personagem, parece realmente estar a vontade em cena e se destaca como um musicista de primeira. Evelyn que dá vida uma mulher e mãe que ainda não se recuperou da perda, brilha em cena.

O filme apresenta um excelente figurino, trilha sonora e montagem. Um enredo simples e uma trilha sonora que te faz querer investigar a história ao ser mostrada pelo diretor. O longa foge do drama pesado e busca um narrativa mais leve, com a proposta principal de mostrar o lado dos encontros e recomeços, após a perda, através da música, e como a arte se torna a mola propulsora para cicatrizar feridas.Em diversas cenas corriqueiras do filme é perceptível a busca pelo encontro do que se perdeu.

Diminuta não teve lançamento ainda para o publico nos cinemas.

[rwp-review id=”0″]

Jônatas Rocha, 24 anos,Estudante de Jornalismo (Facha) como paixão, respira marketing profissionalemente e cinema é sua sina .Canhoto,curioso, comunicador e metido a aventura aos finais de semana.Escreve para Renovar a alma todos os dias.

Advertisement
Comments

cinema

Infiltrado na Klan e a responsabilidade branca a respeito do racismo

Descubra as metáforas da realidade trazidas no filme de Spike Lee.

Fernanda Fernandes

Published

on

É notável como o filme de Spike Lee retrata através de uma história real, os
diversos comportamentos das pessoas perante o racismo e a diversidade. Por conta
disso, neste texto – assim como feito ao usar um personagem de “Uma Mulher
Fantástica”
para identificar o meu lugar de fala dentro de uma realidade que não vivo –
acho válido ressaltar que é uma análise a partir do ponto de vista de uma mulher branca,
que se ofende com todos os ideais de supremacia pregados pela Ku Klux Klan, mas não
conhece na vivência as situações principais abordadas pelo longa-metragem.

Em “Infiltrado na Klan”, baseado no livro de mesmo nome e escrito pelo próprio
Ron Stallworth, mergulhamos na história do policial, vivido por John David
Washington, que, além de ter sido o primeiro policial negro da polícia de Colorado
Springs, se infiltrou na organização supremacista branca KKK no final dos anos 70. É
essencial perceber como o filme retrata a dualidade de Ron, não só como negro e
americano, mas como negro e policial e as situações de racismo velado vividas por ele.

Stallworth é movido de departamento em departamento, sabendo que o que ele
realmente queria era ser um detetive infiltrado, o que consegue ao ser escolhido para
cobrir um evento da União Estudantil Negra. Mais tarde, ao ser realocado para o
departamento de inteligência, Ron liga para um telefone de um anúncio da KKK e se
passa por uma pessoa branca com um discurso racista. Ao lado de Flip Zimmerman
(Adam Driver), que é judeu, se infiltra na Klan em busca de saber qual era o nível de
ameaça da organização. No final, Ron chega a ‘fazer amizade’ com David Duke
(Topher Grace), líder da KKK na época e descobre até mesmo soldados do exército dos
Estados Unidos que faziam parte da organização.

Um dos personagens mais incômodos é o Chefe Bridges (Robert John Burke)
justamente por como ele reproduz o racismo velado em alguns momentos, podemos
reparar que em aspectos mais explícitos e cruéis o personagem já carrega uma
desconstrução. No entanto, em momentos como quando ele critica Ron por não
conseguir se controlar perto de um policial extremamente racista e ao mandar Stallworth para ser o guarda-costas de David Duke, arriscando a operação dele e de Flip como
policiais infiltrados, Bridges mostra que todos somos racistas e, mesmo repudiando os
atos mais explícitos e as falas mais ofensivas, temos muito para aprender.

Agora, falando de Patrice (Laura Harrier), a presidente da União Estudantil
Negra, e Ron, os dois personagens trazem duas formas bastante válidas de ativismo e
luta pela igualdade. Patrice, através das manifestações, da união e do conhecimento e
Ron, por meio da quebra de barreiras e da ação. Uma lição a ser ouvida, a partir da
relação destes personagens, e que serve para todos os movimentos que lutam por
igualdade, é que ambos os tipos de ativismo precisam estar unidos e fazer a diferença
juntos.

“Power to all the people” é com toda certeza o lema deste filme e da nossa realidade para combater a brutalidade policial e o genocídio negro que é retratado diversas vezes no filme, trazido na figura do policial Landers (Frederick Weller), ao assediar Patrice enquanto levava Kwame Ture (Corey Hawkins), que tinha sido convidado para falar com a União Estudantil Negra, para o hotel.

Flip Zimmerman é a representação de uma pessoa oprimida tomando consciência da opressão e se sentindo perdido sobre como entender esta lógica e lutar contra isso. Para ele, assim como para Ron, com toda a certeza verbalizar e escutar todo o preconceito reproduzido pela KKK foi doloroso. Então, após um tempo infiltrado na KKK, Flip começa a pensar sobre ser judeu e como as pessoas que participam daquela organização querem machucar pessoas como ele. Este ponto leva Zimmerman a entender que o perigo está mais perto do que ele imaginava e, pior, essas pessoas se julgam pessoas boas, pacíficas e completamente normais.

Definitivamente o momento mais interessante do filme é a sequência de cenas em que vemos a cerimônia de iniciação da Klan protagonizada por David Duke na qual todos assistem o filme Birth of a Nation que faz uma apologia clara ao racismo, e uma palestra de Jerome Turner (Harry Belafonte) contando sobre o momento em que viu um colega ser injustamente condenado por um estupro e torturado pela população de maneiras inimagináveis. Mostrando duas narrativas completamente diferentes uma da outra, havendo ‘duas’ verdades como se pedisse para o espectador escolher um lado. Acontece que, a narrativa da Klan é visivelmente fundada em ideias rasas e um completo discurso de ódio. Enquanto, a narrativa de Turner pede justiça.

Uma coisa que a sociedade precisa engolir é que o racismo é um problema de total responsabilidade dos brancos, e já está na hora de pessoas brancas tomarem seus devidos lugares de fala e de escuta para fazer a sua parte na resolução e reparação histórica do preconceito. Qualquer movimento que pede justiça, seja lá de que forma peça, como os movimentos negros, movimentos feministas, movimentos contra a homofobia, não devem ser colocados na mesma balança que movimentos como a KKK.

Esta verdade nos leva a falar sobre David Duke e a tentativa de legitimar a supremacia da KKK a partir da tentativa de desvencilhar a organização daquelas pessoas que são ignorantes a ponto de não serem mais aceitas na sociedade. Isto é uma tentativa de reviver os ideais Klan e conseguir que a organização chegue a política. Obviamente, com um discurso supremacista mais leve Duke alcança mais pessoas, como aconteceu em 2017 com as marchas na Virginia e o lema “White Lives Matter” para rebater o movimento Black Lives Matter.

Foi justamente este discurso mais leve que colocou pessoas como Donald Trump e Jair Bolsonaro na liderança de um país, afinal, quando o culpado da sua situação é um alvo claro e você quer destruí-lo ao invés de resolver o seu problema individual, o ódio se torna a resposta. É inacreditável como muitas pessoas brancas ainda sentem a necessidade de preservar a herança delas, que nunca foi destruída, e reafirmar privilégios que sempre tiveram. Acredito que já fizemos isso por tempo demais. Chega.

Infiltrado na Klan esta disponível no Telecine.

Continue Reading

cinema

Diretor de The Batman vai desenvolver série sobre Gotham na HBO Max

Matt Reeves desenvolverá série de Gotham na HBO Max.

Avatar

Published

on

By

Parece que o filme de Robert Pattinson terá mais conteúdo na HBO Max.

O diretor do filme Matt Reeves assinou com o serviço da WarnerMedia de streaming para desenvolver uma série policial que terá lugar no mesmo universo do seu filme The Batman.

A série ainda não tem um título, embora alguns o tenham chamado de Gotham Central, remetendo aos quadrinhos de procedimentos policiais dos escritores Ed Brubaker e Greg Rucka, e GCPD. De qualquer maneira, lidaria com detetives da polícia trabalhando na sombra de um vigilante muito parecido com um morcego.

A série também terá Jeffrey Wright no papel do detetive ou comissário de polícia James Gordon.

A HBO Max diz que a série será “ambientada no mundo que Reeves está criando para o longa-metragem do Batman e se baseará no exame da anatomia da corrupção em Gotham City, lançando finalmente um novo universo do Batman em várias plataformas. A série fornece uma oportunidade sem precedentes de ampliar o mundo estabelecido no filme e explorar ainda mais a miríade de personagens atraentes e complexos de Gotham”.

Porém não está claro se Pattison vai aparecer na série como Batman.

Continue Reading

cinema

#AnneFrank – Vidas Paralelas | “Um documentário extremamente necessário”

O documentário está disponível na Netflix.

Isabela Gomes

Published

on

Mais uma vez a Netflix, famoso serviço de streaming, trás um documentário valioso com uma enorme qualidade em fotografia, fatos, vídeos e narrativa. A obra dirigida por Sabina Fedeli e Anna Migotto estreada no dia primeiro deste mês aborda a terrível tragédia do holocausto com base no diário de Anne Frank que foi e é até hoje uma grande porta voz da Segunda Guerra Mundial e se tornou um exemplo de coragem e força para diversas pessoas, além também de ser entrelaçada com as histórias de cinco outras sobreviventes do regime nazista (Helga, Andra, Tatiana, Sarah e Arianna).

No documentário de importância histórica e sociocultural, Helen Mirren (vencedora do Oscar) não possui um papel como uma atriz, mas sim tem a função de narradora do diário de Anne que também se tornou um livro, ela se encontra no antigo quarto da jovem onde lê e demonstra maravilhosamente as emoções que a vítima poderia estar sentindo ao escrever.

O foco no filme inteiro que possui a duração de 1h e 34 min não possui a objetividade de traduzir o contexto da Segunda Guerra Mundial em viés militar do conflito, a alma do projeto é encima do material, marcas humanas de 5 idosas sobreviventes compartilhado suas experiências junto com a narrativa de Mirren. Ao contrário de outros filmes documentados existentes, #AnneFrank – Vidas Paralelas é grandiosamente simples e extremamente necessário.

Também é trazido uma grande visão de como as famílias das vítimas agem e pensam tendo a consciência de que sua vó ou mãe foi alvo de tanta desumanidade. É mostrado também uma jovem nos tempos atuais, vivida pela atriz Martina Gatti que faz uma viagem nos campos de concentração, nos memoriais do holocausto, na casa onde a família Frank se escondia, a mesma usa também uma suposta rede social para expressar a sua indignação com tudo que descobre ao longo da jornada. Esta ideia de colocar a atuação desta moça com a narrativa de Helen e as vozes das 5 idosas pode ter ganhado um rumo moderno para o filme, porém, não foi algo essencial que os telespectadores sentiriam falta.

Por ser um filme de categoria de documentário, com a despreocupação de transmitir a real maldade criada pelo antissemitismo é possível que as pessoas sintam um respeito mútuo pela história, até por que existem outras diversas famílias com algum ser humano afetado pelo holocausto, ou simplesmente com essa mancha em sua geração.

Provavelmente, se algum não admirador de Anne tomar a decisão de assisti-lo sua opinião terá grandes chances de ser mudada, pois nas partes selecionadas do diário para a narrativa é visível os ideias, a moral, a inteligência política e emocional, a dificuldade de uma pré-adolescente no meio do conflito e a esperança da jovem que possui grande voz e propriedade para falar até hoje da tragédia por meio de sua escrita, mesmo não estando mais entre nós.

Contudo, este trabalho pode ser determinado como o próprio testemunho humano o que é nada mais justo, ou seja, dar voz para que algumas pessoas representem as diversas mortes e vidas sofridas por milhares de outros seres humanos. O documentário teve como ideia a exibição dos reais sofrimentos e de como isso reverbera até hoje até em gerações atuais de famílias com este passado. O discurso de Helen é indispensável, enquanto que a colocação da jovem poderia ser facilmente descartada pela qualidade maravilhosa das falas das sobreviventes.

Assista ao trailer:

O documentário está disponível na Netflix.

Continue Reading

Parceiros Editorias