Assisti ao filme hoje e, como fã de F1, saí do cinema com o coração cheio. Fiquei surpresa com a qualidade da produção: a imagem está impecável, o som é envolvente, a gravação é muito bem-feita, e é emocionante ver os bastidores da Fórmula 1 de uma forma tão realista. Ver os corredores reais ali, como se estivessem realmente correndo, me fez sentir ainda mais dentro daquele universo que tanto amo. Foi como se eu estivesse nos boxes, nas pistas, no coração da F1.
O protagonista Sonny Hayes é uma figura complexa e fascinante. Um ex-piloto promissor dos anos 90, que correu lado a lado com ícones como Senna e Schumacher. Ele tinha tudo para ser um campeão, mas um acidente interrompeu sua trajetória no auge.
Não lembro exatamente se o acidente foi causado por ele mesmo ou por algum erro de estratégia, mas a impressão que tive é que ele sempre foi um pouco como o Schumacher: ousado, às vezes até sujo. Após o acidente, sua vida desmoronou. Perdeu tudo: dinheiro, fama, posição. Entrou em falência, afundou em jogos, bebidas, mas nunca perdeu o amor pela velocidade. Ele seguia correndo em qualquer oportunidade que aparecesse — corrida de bairro, campeonatos menores — o importante era estar atrás de um volante, sentindo o ronco do motor.

Quando Ruben, seu ex-companheiro de equipe, o chama para ajudar a salvar a escuderia Apex, Sonny aceita. A equipe está por um fio, e a última esperança é transformar Josh Pearce, o jovem piloto egocêntrico, em um vencedor. Josh é o oposto de Sonny: um garoto de no máximo 22 anos, que entrou na Fórmula 1 em busca de fama, dinheiro, roupas grátis e garotas. Ele mesmo admite isso. Tem o apoio da mãe, mas é mimado, impulsivo, e não tem a visão mais profunda do que é correr.
A relação entre Sonny e Josh começa cheia de atritos. Eles se enfrentam, brigam, Josh tira sarro do Sonny. Mas aos poucos, convivendo com alguém que carrega cicatrizes físicas e emocionais, Josh começa a mudar. Começa a entender que a Fórmula 1 é mais do que vitórias fáceis ou fama passageira. Sonny entra na vida dele como um mentor — e como um espelho de quem ele poderia se tornar. E essa mudança é linda de ver.

O filme traz também uma frase que se repete e que me marcou muito: “Não se trata de dinheiro. Então do que se trata?”. É uma pergunta que fica no ar durante todo o filme. E no final, percebemos que para Sonny, se trata de paixão. De amor pela corrida. De gratidão ao Ruben, que acreditou nele mesmo quando ninguém mais acreditava. Sonny morava num trailer, tinha perdido tudo, mas nunca deixou de ser piloto. Isso me fez refletir: nem tudo na vida é sobre dinheiro. Às vezes, é só sobre fazer o que a gente ama.
Outro ponto que eu amei foi a presença das mulheres no filme. A engenheira Kate, por exemplo, é simplesmente sensacional. Ela foi a primeira mulher a ser engenheira de equipe — pelo menos no contexto do filme — e tem uma história de superação muito forte. Queria provar seu valor para o ex-marido, para o ex-chefe, para o antigo professor. Ela desenha carros em tempo recorde, é estratégica, determinada e brilhante. E junto dela, também há uma mecânica mulher super competente. É muito raro ver representatividade feminina em papéis técnicos na Fórmula 1, então fiquei muito feliz com isso.
Além disso, o filme é diverso de forma geral. O protagonista é negro, há personagens negros na equipe, e isso importa. A Fórmula 1 sempre foi vista como um espaço da elite, de homens brancos ricos, e ver essa inclusão foi um ponto altíssimo pra mim.

Também adorei as interações com pilotos reais. Teve uma cena superdivertida com o Alonso, e várias aparições de Verstappen, Hamilton, Leclerc, Norris, Pérez, Tsunoda… Foi como se o universo real da F1 tivesse se fundido com a ficção de forma natural. E claro, teve referência ao Senna. Se não tivesse, aquele cinema ia abaixo. Mas teve sim, e foi emocionante.
A trilha sonora é incrível, o áudio muito bem mixado, o roteiro, mesmo sendo clichê, entrega o que promete. E não tinha como fugir muito do clichê — Fórmula 1 tem seu próprio enredo tradicional. A ideia dos dois pilotos que se estranham e depois se respeitam, o passado doloroso, a redenção. Mas o que deu pra fazer de diferente, o filme fez. E fez bem.
No fim, Sonny Hayes vence uma corrida, mesmo que com táticas questionáveis. Ele mostra que nunca é tarde pra realizar um sonho. Às vezes, pode levar 30 anos, mas ainda assim é possível. E mesmo tendo perdido tudo, ele manteve aquilo que o fazia quem ele era: o amor por correr. Isso, pra mim, é o coração do filme.
Saí do cinema emocionada. E com a certeza de que, pra quem ama a Fórmula 1 — ou pra quem ama qualquer coisa com paixão de verdade — esse filme vai tocar fundo.



