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CRÍTICA – Homem-Aranha No Aranhaverso

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Eu me lembro até hoje da sensação que eu tive ao sair do cinema em 2001 depois de assistir ao primeiro “Homem-Aranha” do Sam Raimi. Minha pequena criança interior se sentiu invencível, de coração acelerado e com vontade de ganhar o mundo.

Se aquele garoto franzino que era ridicularizado e ostracizado na escola, órfão e criado pelos tios, podia ser o maior herói da cidade E ainda lutar pra conseguir estudar, trabalhar, manter uma vida pessoal, ajudar a família, superar traumas aprendendo a lidar com o fato de que ele não pode salvar todo mundo, e mesmo assim continuar se esforçando pra ser um herói SÓ porque esse é o fardo que ele carrega por ter poderes (por mais que isso atrapalhe todo o resto da sua vida), eu também conseguiria lidar com a minha.

Foi ali que eu comecei a me interessar por super-heróis. Dezessete anos e dois reboots depois, um horrível e outro ok, finalmente eu senti esse mesmo frio na barriga com “Homem Aranha no Aranhaverso”.

Dirigido por Peter Ramsey (A Origem dos Guardiões) e Bob Persichetti (Gato de Botas), “Homem-Aranha no Aranhaverso” mostra a origem de Miles Morales (Shameik Moore)  como o novo Homem-Aranha, enquanto conhece outras pessoas com os mesmos poderes  que vieram de outras dimensões, abertas por conta de um plano sinistro do Rei do Crime (Liev Schreiber). Agora, Miles precisa aprender a controlar seus poderes rápido e se juntar aos demais Aranhas para evitar uma catástrofe que ameaça todas as diferentes realidades.

Esse é com certeza o melhor filme do Aranha depois de “Homem-Aranha 2”, mas o fato dele ser uma animação ao invés de um live action dá ainda mais força pro filme, porque ele se permite ser mais imersivo e criativo visualmente, sem precisar tentar ter a textura mais realista (e cara) que estamos acostumados a ver em animações da Disney e Pixar, por exemplo. Ele aproveita, com um sorrisinho sacana no rosto, as várias dimensões dos Aranhas colidindo pra renderizar personagens de formas diferentes, e foca num visual menos realista e muito estiloso que funciona super bem.

Somado a isso, o filme também traz essa série de personagens interessantes já conhecidos dos fãs mais fervorosos, mas que funcionam igualmente bem para os leigos, e ainda passa com êxito o manto para um novo Homem-Aranha em uma bela história de origem, focada em explorar os elementos humanos que tornam o cabeça de teia um dos heróis mais relacionáveis da Marvel.

O filme é um espetáculo visual que aproveita da melhor forma possível a linguagem dos quadrinhos e da pop art, incorporando com sucesso esses elementos no filme, especialmente nos momentos em que os Aranhas estão usando seus poderes, e nas lutas, fazendo você se sentir um deles. Destaque pra todo o segmento do Miles despertando seus poderes de Aranha, que é com certeza um dos melhores e mais divertidos momentos do filme. Outra vantagem que o filme aproveita dessa linguagem visual é que fica bem mais rápido e fácil introduzir os outros Aranhas de forma eficaz, interessante visualmente e ainda continuar uma piada que volta várias vezes desde o início do filme.

É interessante porque, pelo menos nos grandes blockbusters, a gente não teve a chance de ver outros super heróis tendo que lidar com as frustrações da adolescência enquanto também têm que salvar o mundo e aprender a controlar seus poderes. O Homem-Aranha sempre foi tão importante e interessante pra mim por isso, e porque as preocupações e dramas pessoais dele são muito lugar comum. O filme aqui consegue fazer isso bem demais, entregando momentos muito vida real especialmente através do Miles, tanto nas questões adolescentes, como “qual é meu lugar no mundo”, quanto através dos laços familiares dele com o pai (Brian Tyree Henry) e o tio (Mahershala Ali), e a relação de aprendiz com o Peter (Jake Johnson). As relações do Miles com esses homens que fazem parte da sua vida vão moldando o tipo de pessoa que ele quer ser, e o tipo de herói que ele vai ser.

Acho interessante que o Miles tem mais dificuldades de lidar com as suas responsabilidades e motivações para ser o Homem-Aranha de uma forma que sempre me pareceu meio rasa ou vaga nos Peters do Andrew Garfield e do Tom Holland, mas que eram tema principal na trilogia do Raimi e que são pilares importantíssimos na construção do Aranha. Os motivos pelos quais o Peter do Tobey Maguire e esse Miles Morales do Aranhaverso resolvem ser o Homem-Aranha batem bem mais com o senso de responsabilidade que quem veste o manto do herói tem que ter.

Adoro como eles usam e abusam do humor auto-depreciativo, tanto no Peter quanto no Miles. A ideia de colocar esse Peter mais velho, cansado e fracassado pra guiar o Miles funciona bem demais, porque eles acabam criando mais uma conexão de figura paterna pro Miles e podendo desenvolver esse Peter também, de um jeito que os dois crescem juntos, e com isso o filme cresce dramaticamente também.

O roteiro é primoroso. Num filme cheio de personagens diferentes e ainda sendo a história de origem de um novo Homem-Aranha, tinha tudo pra se embolar ou desviar do que interessa, mas ele se desenvolve com maestria, valorizando cada parte e personagem na hora certa, conseguindo conciliar drama, aventura e comédia. Ele mistura com sucesso uma história de origem com seu próprio squad à la Vingadores mesmo sem ter os direitos de personagens suficientes da Marvel pra fazer isso, é cheio de referências incríveis pros fãs do cabeça de teia, e traz o cameo mais agridoce do Stan Lee que você vai ver.

Os vilões são outra coisa maravilhosa. Além de você ter o Rei do Crime como vilão principal com uma motivação excelente e extremamente humana, a Sony aproveita que ela tem um multiverso gigantesco pra usar e não tem medo de colocar alguns outros vilões interessantes e versões alternativas deles em papéis menores, então nada do capanga genérico #7 nas lutas intermediárias, se preparem pra VÁRIAS surpresas durante o filme.

Ver o ciclo se completar pra mais um Aranha através do Miles, trazendo mais uma vez pras telonas todas as qualidades e aprendizados que a gente admira nas pessoas que vestem o manto do cabeça de teia, é bem emocionante e funciona muito. A luta final é bem corajosa, gratificante e visualmente espetacular. Sei que há essa altura todo mundo sabe cono funcionam os filmes da Marvel, mas acho legal ressaltar pra ficarem até o final dos créditos, porque a cena pós é de aplaudir de pé.

Dito isso, acho seguro dizer que “Homem-Aranha no Aranhaverso” vai agradar os fãs, apresentar com sucesso o Aranha pra nova geração, e de quebra trazer finalmente o Miles Morales pros cinemas com toda a carga e representatividade que ele carrega. Achei incrível também que praticamente todos os dubladores originais inclusive são das mesmas etnias dos seus personagens. 

Com o “Aranhaverso”, a Sony finalmente descobriu um potinho de ouro pra resolver seus problemas de (falta de) direitos de mais personagens da Marvel pra expandir a sua parte desse universo nos cinemas.

Espero que esse filme mostre que eles podem largar essa ideia péssima de fazer spin offs de vilões B do Homem-Aranha e investir nos aranhas do multi-verso nos filmes live action também, com certeza tem mais histórias interessantes pra contar e mais chances de dar certo.

Homem-Aranha No Aranhaverso estreia dia 10 de janeiro nos cinemas.

Homem-Aranha No Aranhaverso

10

Roteiro

10.0/10

Direção

10.0/10

Fotografia

10.0/10

Jornalista e apaixonada pelo universo Disney. Youtuber no canal Sugar Rush onde fala sobre cultura pop e viagens. #SomosTodosGeraldo

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Invasão Zumbi 2: Península ganha primeiro trailer arrepiante

Sequência do horror sul-coreano chega aos cinemas em agosto

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Foi liberado nesta quinta (02) o primeiro trailer de Invasão Zumbi 2: Península, sequência do horror sul-coreano lançado em 2016. Confira a prévia abaixo, que mostra um mundo devastado e sem leis, aterrorizado por mortos-vivos.

Estrelado por Gang Dong-Won (Inrang), a trama se passa quatro anos após os acontecimentos vistos no primeiro longa e nos apresenta a península coreana devastada. Jung-seok, um ex-soldado que conseguiu fugir do país, tem a missão de retornar e surpreendentemente encontra alguns sobreviventes.

Dirigido novamente por Sang-ho Yeon, a sequência conta com Kang Dong (Vanishing Time: A Boy Who Returned), a cantora Lee Jung Hyunn, a atriz mirim Lee Re (A Melody to Remember), Kim Min Jae (Goblin) em seu elenco.

Invasão Zumbi 2: Península chega aos cinemas em 27 de agosto.

Homem-Aranha No Aranhaverso

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Mark Millar compara Bolsonaro a Immortan Joe

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O famoso escritor de quadrinhos Mark Millar comparou Bolsonaro a Immortan Joe do filme Mad Max.

O escritor fez a comparação no Twitter:

O personagem de Mad Max interpretado por Hugh Keays-Byrne era machista, trapaceiro, líder de um grupo de fanáticos religiosos e políticos, e possuía liderança com outros líderes da região.

Bolsonaro enfrenta críticas generalizadas no âmbito político e dos profissionais de saúde quando pede o fim do isolamento para que a economia não seja afetada pelo coronavírus.

Mark Millar tem um contrato ativo com a Netflix e também foi o autor de vários quadrinhos de sucesso como Guerra Civil da Marvel.

Homem-Aranha No Aranhaverso

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Aves de Rapina chega amanhã às plataformas digitais para compra

Daiane de Mário

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O filme “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” estará disponível para a compra digital a partir do dia 26 de março para os assinantes das plataformas Google Play e Apple TV. A chegada do longa-metragem trará ainda mais ação para o catálogo de filmes da Warner Bros. Home Entertainment.

O filme, baseado nas personagens de história em Quadrinhos da DC, foi dirigido por Cathy Yan (“Dead Pigs”) e partindo do roteiro de Christina Hodson (“Bumblebee”).

Além da protagonista Arlequina interpretada por Margot Robbie o filme tem elenco de peso: Mary Elizabeth Winstead (“Rua Cloverfield, 10”) como Caçadora, Jurnee Smollett-Bell (“True Blood”) como Canário Negro, Rosie Perez (“A Escolha Perfeita 2”) como Renee Montoya, Chris Messina (“Argo”) como Victor Zsasz e Ewan McGregor (“Doutor Sono”) como o Super-Vilão da DC Roman Sionis/Máscara Negra. A novata Ella Jay Basco também estrela como Cassandra “Cass” Cain em sua estreia no cinema. A produção é de Robbie, Bryan Unkeless e Sue Kroll.

No dia 02 de abril o longa-metragem também estará disponível para o aluguel digital nas principais plataformas como Claro, Sky e Vivo Play.

Homem-Aranha No Aranhaverso

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