Jamais um filme da Marvel nos cinemas me emocionou, nem mesmo algum do Homem-Aranha. No máximo, em Vingadores: Guerra Infinita, tive um embrulho no estômago com o final, e não falo no sentido negativo, mas no sentido de ter ficado surpreso mesmo, emocionado e com lágrimas nos olhos. Pois Homem-Aranha: Um Novo Dia, em cartaz nos cinemas do Brasil, conseguiu este feito.
O filme dirigido por Destin Daniel Cretton captura bem a temática introduzida no final do terceiro longa do personagem na Marvel, um Homem-Aranha depressivo, que beira a vontade de largar de vez o manto que o faz ser um herói, à medida que percebe que teve de abrir mão de tudo para viver essa vida.

A direção merece destaque. Os três filmes anteriores tiveram a mesma dupla de roteiristas, e a novidade aqui é a saída do diretor desses projetos para a chegada de Cretton, que tem um trabalho de sensibilidade com o personagem que os outros longas, com este mesmo elenco, não tiveram.
Ouso dizer que Tom Holland está mais triste aqui do que quando perdeu a Tia May, e isso é claramente um trabalho de direção, que deixa Zendaya ainda mais atenuante no filme, dando peso à personagem e um tom condizente com os sacrifícios que o protagonista precisa fazer. Os dois entregam as melhores atuações da franquia e estão melhores do que até mesmo em A Odisseia, já que aqui seus personagens exigiram mais deles como atores do que no filme de Nolan.

A fotografia, mais cinza do que os coloridos histéricos dos outros três longas, dá um tom de acordo com a mente do personagem. Talvez essa escolha, perfeitamente explicada pelo roteiro mais triste, não venha a agradar a todos, mas eu gostei muito.
A grande surpresa, porém, é Sadie Sink. Sua personagem, mantida em segredo até aqui, tem um dos arcos mais importantes do filme, tão relevante que torna a Tia May também importante nesta história. Por mais que alguns possam achar que ela foi simplesmente jogada na trama, eu não achei. A ligação entre ela e o herói é o grande plot do longa, colocado desde o começo como uma busca que no final se prova significativa, de forma até mesmo chocante e triste.

Esse é um dos fatores, entre todos os demais já citados, que colocam Homem-Aranha: Um Novo Dia como um dos melhores filmes da Marvel no MCU, talvez ali bem próximo de Guerra Infinita, e talvez até melhor do que o Homem-Aranha 2, de Sam Raimi.













