Marty Supreme

Crítica | ‘Marty Supreme’ é a quebra do vencedor americano

Uma caótica cinebiografia sobre um jogador de tênis de mesa em Marty Supreme chega em outro patamar.

7.5 Bom
Marty Supreme

Lembram daquele velho ditado: “Sonhar alto não custa nada“? Bem, neste caso, sonhar alto custou caro ao nosso protagonista, Marty Mauser, que não tem limites para alcançar seus objetivos — mesmo que precise prejudicar os amigos ao longo do caminho. “Marty Supreme” não é uma cinebiografia comum, mas uma comédia de erros.

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No filme, acompanhamos Marty (Timothée Chalamet), um jovem judeu na Nova York dos anos 1950, obcecado pelo sonho de se tornar uma lenda do tênis. Para alcançar essa glória, ele está disposto a superar todos os obstáculos em seu caminho.

Como foi dito antes, o longa de Josh Safdie(Joias Brutas) não é uma típica cinebiografia, onde a estrutura narrativa já está extremamente batida para o público, então o realizador descarta os clichês do gênero, se assumindo como uma dramédia e indo muito além do ping-pong.

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Marty Supreme

Não é novidade que as obras de Safdie (desta vez sozinho, sem seu parceiro recorrente, o irmão Ben Safdie) possuírem um ritmo alucinante, marcado por diálogos, montagem e atuações rápidas e caóticos. Em Marty Supreme“, isso não é diferente (na verdade, a execução é sublime e eleva essa característica ao máximo). A monotonia não encontra espaço na experiência do longa, que nos leva a situações impensáveis para um filme sobre um jogador de tênis de mesa. Acompanhamos Mauser envolvendo-se em apostas, golpes e manipulação, tudo conduzido por uma direção e uma montagem alucinantes, à altura da vida turbulenta do personagem.

“Marty Supreme” trabalha sua aversão ao “American Dream”. A produção demonstra como essa crença é falaciosa, ao mostrar que a maioria dos personagens tenta “vencer na vida” por meios ilegais, o que resulta em consequências desastrosas.

Marty Supreme 2

O próprio Mauser precisa se humilhar para alcançar seus objetivos: não hesita em trapacear o tio, tirar vantagem dos sentimentos de sua amante, Kay Stone (Gwyneth Paltrow), e de sua amada, Rachel Mizler (Odessa A’zion está muito bem), e aplicar golpes com seu amigo Wally (Tyler, The Creator fez uma estreia divertido como ator). A lista é longa, e a motivação para tudo isso é conseguir dinheiro para sustentar seu sonho, já que num sistema capitalista as oportunidades são escassas.

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O personagem Mauser foge do ideal de vencedor americano que foi cultivado por anos em diversas mídias. Ele é um garoto magro, de óculos fundo de garrafa e rosto marcado pela acne. No entanto, seu espírito competitivo e seu charme peculiar são admiráveis. Chalamet consegue transmitir toda essas emoções em uma performance hipnotizante.

Marty Supreme 3

A figura do milionário Milton Rockwell (Kevin O’Leary) personifica bem a indústria que tenta subjugar o mesa-tenista (Mauser) por todos os meios. Este, por sua vez, resiste e tenta sobrepujá-la. No entanto, por maior que seja a obsessão do personagem, o capitalismo acabará por devorá-lo e transformá-lo em um produto genérico. Trata-se de uma batalha constante entre honra e ego.

“Marty Supreme” oferece uma cinebiografia inesperada e deliberadamente caótica de um atleta de um esporte marginalizado, é um feito peculiar que só o cinema poderia conceber. Há anos Chalamet vem se aperfeiçoando como ator e conseguiu demonstrar novamente seu talento.

Marty Supreme está em exibição nos cinemas.

Marty Supreme
Bom 7.5
Nota 7.5