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Crítica | O Diabo de Cada Dia “A maldade humana em sua mais pura essência”

Thalita Heiderich
Thalita Heiderich
Carioca viciada em séries, filmes do drama ao terror gore. Rabiscadora de livros, nerd, míope e ouvinte de podcast com a cabeça na janela do ônibus....

O mais novo lançamento da Netflix é o filme O Diabo de Cada Dia, baseado no livro que leva o mesmo nome, escrito por Donald Ray Pollock. Aqui, a direção é de Antonio Campos ( Matha Marcy May Marlene), com roteiro do próprio escritor do livro.

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Ambientado na década de 1960, em duas pequenas cidades nos estados de Ohio e Virgínia, acompanhamos a história de vários personagens e seus encontros pelo caminho. Cada um com seus desejos, temperamentos, mentiras, ignorâncias e fanatismos. 

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The Devil All The Time: Robert Pattinson as Preston Teagardin. Photo Cr. Glen Wilson/Netflix © 2020

Narrado pelo próprio autor do livro, é impossível não se sentir tocado pelos acontecimentos. O que torna complicado definir se só nos sentimos enojados ou se algum tipo de afeição e pena vem também. Porque só existem dois tipos de personagens: os muito sofredores e os lobos em pele de cordeiro.

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O filme toma os primeiros 40 minutos pra nos situar nos acontecimentos prévios ao real início da história e é hipnotizante. Não graças a uma direção estupenda ou fotografia marcante, mas sim pelo roteiro. Também, não era pra menos, além de ter sido escrito pelo próprio autor do livro, esse é o primeiro livro dele. O que já demonstra um grande potencial literário.

Seguimos principalmente a história de Arvin Russell ( Tom Holland ), acompanhando sua infância e crescimento, assim como os diversos acontecimentos tristes e traumatizantes pelo qual ele passa.

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The Devil All The Time: Tom Holland as Arvin Russell. Photo Cr. Glen Wilson/Netflix © 2020

Com pouco mais de 2h de duração. Esse é um filme que se permite tomar tempo em cada acontecimento, mas sem que esse tempo vire barriga. Ele é interessante e prende a sua atenção do início ao fim.

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Além de Arvin, outros personagens importantes são: sua meio irmã Lenola ( Eliza Scanlen ), o Reverendo Preston (Robert Pattinson), o xerife Lee ( Sebastian Stan) e o casal serial killer Sandy (Riley Keough) e Carl ( Jason Clarke). O elenco também conta com Bill Skarsgard, Mia Wasikowska e Mia Goth. E pra quem vocês não conhecem, procurem os trabalhos. Tenho carinho especial por alguns deles.

Não é um filme fácil de se assistir. Não por ser difícil de entender, mas sim pela percepção da maldade humana nua e crua. Daí o nome: O Diabo de Cada Dia. É como uma muralha de dominós, causam a queda da próxima peça.

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The Devil All The Time (L-R) Bill Skarsgård as Willard Russell, Michael Banks Repeta as Arvin Russell (9 Years Old). Photo Cr. Glen Wilson/Netflix © 2020

Fala sobre assassinato, suicídio, estupro, fanatismo religioso, manipulação humana e autoritarismo masculino. Não é sutil, mas é polido. Sua narrativa pula entre personagens, tomando tempo para apresentar o necessário sobre cada um e isso acaba tornando a meia hora final previsível, o que pode ser um desmotivador para quem assiste. Para mim… apesar dessa percepção, a narrativa me manteve interessada e ao fim, me senti satisfeita.

O Diabo de Cada Dia é isso, uma demonstração escancarada da podridão humana, misturada com pequenos momentos de felicidade e ignorância, que nos fazem decidir a cada segundo o nosso destino e o que fazer com ele.

Não é um blockbuster, mas vale muito a pena ser assistido e apreciado. Lembrando da temática pesada, assista com a mente preparada pra experiência e julgar ou não as ações desses personagens que facilmente podem ser encontrados até hoje, com rostos e roupas diferentes, mas a mesma maldade em seu dia a dia.

O Diabo de Cada Dia estreia na Netflix no dia 16 de setembro.